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UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARANÁ


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Sem mudanças, araucária caminha para a extinção, alerta pesquisador da UFPR

Produção de mudas de araucária na UFPR (fotos Samira Chami Neves)

A Araucária, árvore símbolo do Paraná, caminha para a extinção. Quem faz o alerta é o professor Flávio Zanette, que é uma autoridade na espécie. Ele estuda a planta há mais de 30 anos e foi o criador da tecnologia de desenvolvimento do pinheiro de proveta .

Segundo Zanette, a legislação atual e as políticas públicas estão focadas na preservação das araucárias existentes, mas é preciso, paralelamente, incentivar o plantio de novas plantas. “A floresta de araucária nativa está desaparecendo, pois sua renovação natural é praticamente inexistente”, diz ele. Hoje restam menos de 3% das matas originais de araucária no Paraná.

Assim, dentro de no máximo 120 anos os exemplares adultos atuais não existirão mais, bem como o saboroso pinhão. “Se não houver um esforço concreto para o plantio de árvores, esse será o futuro”, complementa.

Entre suas características, a araucária precisa de sol para crescer. Quando fica na sombra de outras árvores, como acontece na floresta nativa, a regeneração não acontece, as plantas não crescem. Há experiências demonstrando a diferença de crescimento entre unidades sombreadas e plantas em plena luz.  Por isso, o professor Zanette implantou há quase 11 anos o programa de distribuição de mudas selecionadas na UFPR. Nesse período, foram distribuídas mais de 70 mil mudas, plantadas em pelo menos 100 municípios paranaenses. “Esse plantio pulverizado, em vários lugares, ajuda a combater a extinção”, explica ele. A maioria dessas mudas são geneticamente aptas a produzirem pinhas e pinhões maiores que o habitual.

A proibição do corte, um dos grandes fatores que afastam a população do plantio da araucária, tem tido um novo olhar por parte dos legisladores. Conforme explica Zanette, essa proibição alcança apenas as árvores nativas ou aquelas em que o plantio consciente não pode ser provado, ou seja, o dono do terreno precisa comprovar o plantio. No caso de mudas plantadas, basta ter um registro da compra ou doação da muda, registros fotográficos ou mesmo o plantio em linha para a comprovação. No cadastro da UFPR, fica o CPF do proprietário e local de plantio da muda, mas o professor aponta a necessidade de uma legislação mais clara a respeito.

Professor Flávio Zanette

Além da doação de mudas selecionadas e do apoio para a enxertia da planta (necessária para a maior produção de pinhões), a equipe do professor Zanette apoia o plantio comercial da Araucária, especificamente para a venda de pinhões. Ele demonstra que, em um hectare com 100 árvores, sendo 80 fêmeas, é possível ter uma produção de 5.600 quilos de pinhões por ano, após 30 anos do plantio, podendo alcançar 80 anos de vida produtiva, com manutenção mínima. A plantação pode ser consorciada com outras espécies, como erva-mate.  “Acredito que o Paraná poderia se tornar um exportador de pinhões. Já tive procura de um importador chinês interessado no produto em larga escala”, revela. O problema é que a araucária demora a dar frutos. São até 15 anos para iniciar os lucros. Outra sugestão do professor é utilizar a araucária para o plantio de reserva legal. Seria uma forma de aproveitar economicamente essa área.

O ideal, para afastar o fantasma da extinção, seria plantar cerca de 500 mil exemplares de araucária por ano. O número é alto porque há pelo menos 30 anos a população remanescente não é ampliada. Porém, para Flávio Zanette, é uma meta possível de ser atingida: “Com políticas públicas adequadas e mais informação para a população, poderemos chegar lá”.

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