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UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARANÁ


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FEDERAL DO PARANÁ

Referência em acolhimento, UFPR celebra Semana do Migrante com debates, cultura e comida típica

Uma programação que inclui oficinas, debates, atividades culturais e comida típica nos Restaurantes Universitários marca a Semana do Migrante na UFPR. A mais antiga universidade federal brasileira é pioneira entre as instituições de ensino superior do Estado – e uma das únicas do País – no desenvolvimento de um amplo projeto de acolhimento de refugiados e de estrangeiros com visto humanitário: o Programa Política Migratória e Universidade Brasileira.

Reunião de alunos, professores e migrantes do Programa Política Migratória e Universidade Brasileira. Foto: Samira Chami Neves/ Sucom

Coordenado pelos professores-doutores Tatyana Friedrich e José Antônio Peres Gediel (com o apoio de docentes, pesquisadores, estudantes e voluntários comprometidos com a iniciativa), o programa é formado por seis projetos de extensão abrigados na Pró-Reitoria de Extensão e Cultura (Proec) e no Departamento de Direito Civil e Processual Civil da UFPR. Não por acaso, a UFPR representa a Cátedra Sérgio Vieira de Mello no Paraná, iniciativa que objetiva difundir o ensino universitário sobre temas relacionados ao refúgio de estrangeiros.

Dia do Migrante

Na terça-feira (20), Dia Mundial do Refugiado, a UFPR promoveu uma extensa programação para lembrar a data e a Semana do Migrante, ao lado das demais organizações que integram a Rede de Proteção e Apoio dos Direitos Humanos para Migrantes e Refugiados do Paraná – da qual fazem parte ainda o Serviço Pastoral do Migrante e a Cáritas Diocesana.

Uma das atividades foi a oficina “Tem um lugar no mundo para nós”, conduzida pela advogada e voluntária Rosicler dos Santos. Nela, refugiados contaram suas experiências ligadas a temas importantes como religião, gênero e identidade sexual, nos seus países de origem. Rosicler diz que, quando chegam ao Brasil, os migrantes geralmente  enfrentam grandes problemas porque não falam Português e porque muitos brasileiros não falam inglês — o idioma normalmente usado pelos refugiados.

Exposição “Olhares de Refúgio” faz parte da programação da Semana do Migrante. Foto: Samira Chami Neves/ Sucom

Vida nova no Brasil

É o caso de Anas Alsadat, 29 anos. Natural da Síria e formado em Marketing, Anas enfrentou grandes dificuldades quando chegou ao Brasil, há três anos. “Como tenho outra língua, é difícil conseguir trabalho, mesmo tendo formação universitária. Fiz várias coisas aqui, trabalhando em restaurantes e em uma empresa de internet, mas é difícil entrar”, conta.

Anas acha que, devido à crise política na Síria, seu retorno será difícil. Por isso, ele pretende ficar o Brasil e atuar nas novas atividades que está desenvolvendo: artesão e designer. “Eu gosto de fazer artes e trabalhar como designer. Agora, comecei a fazer lembranças para casamentos e, também, uniformes para restaurantes. Tenho o sonho de voltar à Síria mas, como infelizmente acho que vai demorar para que isso aconteça, vou ficar por aqui e melhorar minha vida”.

“Eles se sentem abandonados. O governo brasileiro abriu as portas para os refugiados sírios, por exemplo, mas não deu assistência a eles, diferente de outros países mais desenvolvidos. Então, o acolhimento e as orientações que damos a eles, como na retirada de documentos na Polícia Federal, além de várias outras coisas, ajudam muito. Não é uma ajuda material, mas é um começo muito importante”, explica Rosicler.

Referência mundial

De acordo com a professora Tatyana Friedrich, a Universidade abriga  atualmente 220 alunos refugiados  e migrantes que – com metodologia especialmente desenvolvida para eles – cursam Língua Portuguesa por meio do projeto  Português Brasileiro para Migração Humanitária (PBMIH). A maioria é originário da Síria, Congo, Nigéria, Guiné e até países da América Latina.

Lançamento do Livro Refúgio e Hospitalidade UFPR com Migrantes no Prédio Histórico (2016). Foto: Samira Chami Neves

Há ainda 36 alunos de graduação que ingressaram na UFPR por meio da Resolução nº 13/14 (do Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão – Cepe). Esta Resolução garante a oferta de vagas remanescentes para migrantes admitidos no Brasil como refugiados ou portadores de visto humanitário que estudam em instituições de ensino superior no Exterior.

Por estas razões, a política de acolhimento de estrangeiros adotada pela UFPR é referência mundial, de acordo com o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur). “A Universidade Federal do Paraná é referência nacional e internacional na área. Por isso, a Acnur tem usado a UFPR como case para implantar um modelo semelhante em outras universidades do mundo”, diz Tatyana.

Cardápio especial nos RUs

Nesta quarta-feira (21), o Restaurante Universitário (RU) trabalhou com um cardápio diferente, que incluiu pratos típicos de países de origem de migrantes e refugiados que vivem em Curitiba. No almoço, simbolizando a cultura árabe, foi servido quibe e salada de pepino com tomate. Para a janta, o prato escolhido é a Soup Joumou, sopa de abóbora símbolo da independência haitiana.

RU’s incluíram ao cardápio pratos típicos em homenagem aos alunos migrantes. Foto: Marcos Solivan/ Sucom

Segundo a nutricionista Andrea Tarzia, responsável pelos cardápios do café da manhã e do almoço do RU Central, os pratos foram adaptados aos recursos disponíveis na instituição. “Nós tentamos aproveitar aquilo que já costumamos fazer dentro da nossa programação e também escolhemos a comida árabe para chamar a atenção para a situação que está acontecendo na Síria. A sopa de abóbora é uma forma de homenagear os haitianos e também os muitos originários desse país que temos na cidade. Temos, inclusive, diversos funcionários haitianos trabalhando nos RUs e eles colaboraram na orientação da receita e em como prepará-la”, explica.

A inclusão dos pratos típicos foi realizada em todos os RUs situados em Curitiba e também contou com opções veganas, como o quibe de berinjela e a sopa de abóbora sem carne.

“Esse cardápio foi ótimo, gostei muito. Foi diferente do quibe que estávamos acostumados, o tempero foi o grande destaque”, conta o aluno de Química, Renaldo Silva. Segundo a estudante de Direito Amanda Ritt, a iniciativa foi aprovada e ela gostaria que se repetisse. “Achei muito legal essa referência aos haitianos e refugiados. Apesar de eu já ter comido quibe aqui, achei interessante e estava gostoso como sempre”.

Aurélio Munhoz e Jéssica Tokarski

 

 

 

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