Projeto “Sextas na pós” discute educação familiar, socioemocional, convivência nas escolas e estilos parentais

29 abril, 2022
12:01
Por Lais Murakami
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Ciência e Tecnologia

O projeto “Sextas na pós: conversas com professores(as)”, parceria entre os Programas de Pós-graduação (PPG) de Educação e de Letras da UFPR, promove em 29 de abril, das 19 h às 21h, ao vivo por meio do canal do YouTube do PPG Educação, a mesa-redonda “Pesquisa aplicada na formação docente e educação familiar no Brasil: desafios e possibilidades” com os professores do PPG-Educação, Loriane Trombini Frick, Ana Carina Stelko Pereira, Josafá Moreira da Cunha e Lidia Natalia Dobrianskyj Weber. Eles apresentarão pesquisas sobre convivência nos ambientes de ensino, bullying, violência, relações interpessoais, formação de docentes, educação socioemocional e relações entre estilos parentais e desempenho escolar. Os estudos envolvem públicos diversos desde crianças, adolescentes a jovens adultos de Curitiba e de instituições como IFPR (Instituto Federal do Paraná) e a UFPR.

As pesquisas, coordenadas pela professora Loriane Trombini Frick, no projeto “Convivência entre adolescentes e jovens na escola e universidade”, envolvem 5166 estudantes do Instituto Federal do Paraná (IFPR),  do ensino médio e superior, e 3500 estudantes da UFPR, do ensino superior. Os resultados obtidos até o momento evidenciam a necessidade de melhora na qualidade das relações interpessoais entre os estudantes e entre estudantes e docentes. “É urgente formar os docentes para que consigam, por meio de suas práticas didáticas, promover contextos que possibilitem relações interpessoais mais proveitosas, saudáveis, éticas e felizes no âmbito universitário e escolar”, explica a professora Loriane.

Durante os estudos, foram analisados diferentes aspectos como valorização e acolhimento às diferenças, discriminação e violências, segurança e indicadores de saúde mental, percepção de suporte social, bem-estar e engajamento acadêmico. A partir dos dados coletados, criou-se o curso “Convivência Ética em Contextos Educacionais”, do Programa Formativo Mycelium: (re)construindo conexões na educação”. Ela também destaca pesquisa realizada, no decorrer da pandemia, com cerca de 120 docentes do ensino médio e superior que, em seus resultados, demonstrou a importância de formas mais assertivas na comunicação entre professores e estudantes.

Em linha de pesquisa semelhante, a professora Ana Carina Stelko Pereira pesquisa sobre os efeitos de uma formação docente on-line e gratuita relacionada a “violências em ambiente educacional e bullying”. O objetivo é avaliar a formação de professores de ensino médio no intuito de aumentar conhecimentos para o enfrentamento da violência; promoção de um clima escolar positivo; melhora do acolhimento de saúde mental dos estudantes e o seu engajamento. Atualmente, estão inscritos 700 professores no curso. Ela explica que os próximos passos da pesquisa devem avaliar se a formação realmente produziu mudanças de comportamento e de atitudes de acordo com comparativos entre os dados coletados antes e depois dos professores participarem da formação. “Os resultados parciais mostram que a formação é necessária e que sua estrutura didático-pedagógica tem sido considerada adequada”, ressalta a professora Ana Carina. Além da formação “violências em ambiente educacional e bullying”, estão sendo ofertados diversos cursos com inscrições abertas até 05 de julho. Eles abordam temas como violência, convivência, competências socioemocionais, cuidados em saúde mental, metodologias ativas de ensino. Os interessados podem se inscrever neste link.

Pesquisas em educação socioemocional e estilos parentais

As pesquisas elaboradas pelo professor Josafá Moreira da Cunha abrangem autorrelatos de quase 2000 crianças e adolescentes de Curitiba, nas faixas etárias entre 7 a 15 anos, coletados durante três meses do ano de 2019. Os estudantes foram instigados a falar sobre medidas de virtudes como esperança, autocontrole, justiça, coragem, liderança pró-social, responsabilidade social e trabalho em equipe. Os resultados demonstraram que os alunos ao serem encorajados por seus professores para o trabalho em equipe no intuito da resolução pacífica de problemas, para obedecerem regras claras, para cuidarem dos sentimentos de seus colegas passaram, então, a apresentarem atitudes de responsabilidade social. Dessa forma, uma das decorrências foi a diminuição de incidentes de bullying e violências em cerca de 34% relacionados a episódios como bater, chutar, empurrar, espalhar rumores e deixar as pessoas isoladas. “O uso de estratégias socioemocionais traz efeitos positivos nas intervenções que visam reduzir os comportamentos agressivos e vitimizadores dos alunos. Fomentar virtudes de caráter como justiça, esperança, bravura, trabalho em equipe, autorregulação, responsabilidade social e liderança é importante para que crianças e adolescentes as adotem como parte de seu repertório de habilidades sociais”, argumenta o professor.

A professora sênior do PPG-Educação, Lidia Natalia Dobrianskyj Weber, desenvolve, há mais de 25 anos, pesquisas com seus orientandos que abordam o tema “Práticas e estilos educativos parentais”. Ela explica que estudar esta relação traz benefícios para a educação dos filhos. “É uma maneira de tomarem consciência de quais são seus pontos fracos e fortes”, destaca. A professora criou um curso vivencial para os pais, intitulado “Programa de Qualidade na Interação Familiar”, em que trabalha diferentes aspectos como: vida familiar e aprendizagem de comportamentos; regras, limites e valores; manejo de comportamentos desejados; manejo de comportamentos indesejados; vínculo afetivo e envolvimento; autoconhecimento e modelo. Suas pesquisas abrangem, por exemplo, queixas dos pais sobre a aprendizagem de seus filhos; práticas coercitivas; otimismo da criança e estilo parental.

Ela explica que existem quatro estilos parentais tradicionalmente estudados: “autoritativo”, considerado o melhor, pois se refere a pais que educam com muito apoio, atenção emocional, estrutura positiva e direção para seus filhos. O resultado são crianças mais competentes, com boa autoestima, habilidades sociais e desempenho acadêmico.; “negligente”, neste caso, os pais são pouco afetivos e envolvidos, assim como estabelecem poucas regras e limites. As consequências são estudantes com baixo desenvolvimento, com problemas afetivos, baixa autoestima e problemas com habilidades sociais; “autoritário” que se refere a pais muito exigentes em regras e limites, mas pouco afetivos. Assim, os filhos tendem a apresentar desempenho moderado na escola e podem apresentar ainda apatia ou agressividade; e “permissivo”, relaciona-se a pais muito afetivos e pouco exigentes. As consequências são filhos com boa autoestima, habilidades sociais, mas com problemas comportamentais (mimados) e de rendimento escolar.

Projeto “Sextas na pós”.

Data: 29 de abril de 2022

Horário: 19h às 21h.

Transmissão: ao vivo pelo canal do PPG Educação

Por Comunicação PPGL

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