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UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARANÁ


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FEDERAL DO PARANÁ

Projeto de pesquisa estuda instrumentos de corda de Brasil e Portugal

Thiago Corrêa de Freitas, Ivan Vilela e Lucas Guilherme Schafhauser – Crédito: Simona Misan

A música e os instrumentos – em especial os de cordas dedilhadas – são objeto de estudo do Projeto AtlaS – Atlântico Sensível, da Universidade de Aveiro, em Portugal. Para contribuir com esse projeto que une Brasil, Portugal e outros países que falam a língua portuguesa no corredor atlântico, o professor Thiago Corrêa de Freitas e o egresso do curso de Luteria Lucas Guilherme Schafhauser participaram de coletas de depoimentos e entrevistas no mês de dezembro de 2020.

O trabalho foi realizado por Ivan Vilela, professor da Universidade de São Paulo, pesquisador do Instituto de Etnomusicologia da Universidade de Aveiro, músico e compositor. O projeto AtlaS tem como objetivo estudar e resgatar a memória e relações sociais e de criação proporcionadas pelas práticas musicais, seus agentes e instrumentos através do oceano Atlântico.

Segundo Freitas, o projeto está na fase de entrevistas com instrumentistas da viola brasileira – ou caipira, como é amplamente conhecida. O convite para o professor Freitas e o luthier Schafhauser veio da pesquisa sobre o instrumento realizada por ambos. A viola caipira foi o instrumento na conclusão do curso de Luteria e tema de mestrado de Schafhauser. A dissertação “Viola caipira no Brasil: uma história da técnica artesanal e cultura popular, defendida na Universidade Tecnológica Federal do Paraná, teve orientação de Angela Maria Rubel Fanini e o professor Freitas como coorientador. A pesquisa já recebeu premiação em evento nacional, em 2017.

“A nossa contribuição para o AtlaS fugiu da música e seguiu uma linha mais voltada aos aspectos da construção da viola caipira, formas, materiais e a importância do trabalho do luthier na busca por instrumentos cada vez mais responsívos e refinados”, explica Freitas. Também foram discutidos pontos da pesquisa que resultaram do mestrado de Lucas e de como um instrumento europeu, que cruzou o Atlântico, tornou-se a viola brasileira.

O material coletado fará parte da produção de um documentário, que é um dos objetivos do projeto. “Durante a visita, conversamos sobre vários aspectos do projeto e possíveis desdobramentos futuros”, conta Freitas. Existe a possibilidade dos especialistas da UFPR contribuírem futuramente com o AtlaS, através do conhecimento do instrumento. “Temos uma abordagem ao tema que parte do ponto de vista do instrumento mais do que de sua música, lembrando, é claro, que não é possível desvincular completamente um do outro”, complementa o professor Freitas.

Depoimentos farão parte de documentário do Projeto AtlaS – Crédito: Simona Misan

Viola caipira
Freitas explica que a viola brasileira possui dez cordas, distribuídas em cinco pares, chamadas ordens. A afinação varia conforme a região e existem mais de 20 possibilidades já catalogadas. A viola brasileira tem utilização bastante ampla, desde a música chamada caipira, das duplas, até a criação de música puramente instrumental para viola. “Culturalmente, a viola carrega consigo parte da história brasileira, em grande parte contada através dos olhos dos que viveram às margens da grande história oficial”, explica. Na década de 1980 inicia-se o processo de escolarização da viola, com o ensino formal. Em 2005 foi criado o primeiro curso de nível superior de viola caipira, o Bacharelado em Viola, do Departamento de Música da Escola de Comunicações e Artes (ECA), da USP.

O professor conta que existem outros tipos de viola em Portugal, com características próprias, como a viola braguesa, a viola amarantina, a viola beiroa, a viola toeira e a viola campaniça. As violas amarantina e campaniça não se fixaram no Brasil. Entretanto, nota-se a influência da viola beiroa nas manifestações de fandango no litoral do Paraná e São Paulo. A vinda desses instrumentos de Portugal para o Brasil os inseriu em um novo contexto e, com o passar do tempo, a utilização gerou pequenas modificações e a viola brasileira passou a apresentar suas características próprias.

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