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UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARANÁ


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FEDERAL DO PARANÁ

Programa de Educação Tutorial promove formação e integração com a comunidade

Aulas de informática para refugiados, cursos de História do Brasil para não nativos e apresentações teatrais que educam crianças de escolas públicas sobre cuidados com a saúde estão entre as atividades desenvolvidas por estudantes da Universidade Federal do Paraná (UFPR) que participam do Programa de Educação Tutorial (PET). Mantido com recursos do Ministério da Educação desde 1979, o programa visa propiciar aos estudantes de graduação a prática simultânea do ensino, da pesquisa e da extensão, Hoje, são 842 grupos no Brasil, dos quais 22 na UFPR.

Sob a orientação de um professor-tutor, os estudantes que participam dos grupos PET realizam ações com a comunidade interna e externa do curso, e enriquecem  suas próprias formações.

Um exemplo é o do PET-Elétrica da UFPR. Um dos mais antigos da instituição, existe há 25 anos e promove, entre outras ações, o Magnetizar – um projeto com visitas guiadas, durante as quais estudantes de ensino médio conhecem as instalações do curso e têm uma noção do que é a Engenharia Elétrica. “Nessas visitas, oferecemos oficinas práticas de eletrônica para tornar nosso curso mais atrativo”, conta Bruno Yuji Tarui, aluno bolsista do programa há dois anos.

Para o pró-reitor de Graduação e Educação Profissional da UFPR, professor Eduardo Barra, que é também o Interlocutor institucional do programa na UFPR, “o PET é um programa muito bem sucedido, porque ele realmente constrói uma modalidade de formação que possibilita trabalhar, ao mesmo tempo, o tripé ensino-pesquisa-extensão”.

Benefícios para a comunidade externa

Os benefícios do PET vão além da comunidade interna da UFPR. O PET-Educação Física, tutoriado pela professora Simone Rechia, realiza, desde 2010, atividades na Vila Audi, em Curitiba. “Nosso objetivo é incentivar o uso dos equipamentos de esporte e lazer. Em Curitiba, temos muitos espaços, mas muitas vezes, eles não atendem os interesses da comunidade”, explica a professora-tutora. A partir deste ano, outras comunidades carentes estão sendo mapeadas pelas dez regionais da cidade e serão contempladas com o programa.

O Projeto Vila Sustentável, na Praça da Vila Audi, em Curitiba, motivou a estudante Bruna Helouise Santana a seguir a carreira na Educação Física (Foto: Igor Alencar, PET-Educação Física)

Trabalhos com a comunidade carente também estão entre as atividades desenvolvidas pelo PET-Farmácia, que iniciou suas atividades em 1996 e hoje é tutoriado pela professora Sandra Mara Barreto. Em um dos projetos, o Farmaeduca, desenvolvido desde 2006, os estudantes fazem apresentações teatrais para crianças de escolas municipais com a finalidade de educar sobre temas como higiene pessoal e cuidados com a saúde.

No PET-Computação, orientado pelo professor Carlos Alberto Maziero, um dos destaques são as aulas de informática oferecidas a estudantes refugiados. Desde 2013, o ensino já beneficiou gente vinda do Haiti, da Síria e também da Ucrânia. “Os próprios alunos manifestaram interesse, uma vez que os conteúdos dos cursos destes países não servem no Brasil”, explica a estudante de Ciência da Computação Letícia Pasdiora.

Projetos voltados para estrangeiros também estão entre as atividades desenvolvidas pelo PET História, tutoriado pelo professor Dennison de Oliveira, que oferta cursos de História do Brasil para não nativos. A estudante Mayume Christine Minatogawa conta que, além dessa atividade, quem participa do PET tem a possibilidade de trabalhar com todas as áreas do campo da história, o que auxilia tanto na orientação quanto na qualificação profissional. “O PET é importante porque vai além da academia. Nós colocamos a História na prática e isso é muito legal porque nos faz constantemente refletir sobre o  papel do historiador na sociedade”, diz.

Impacto na formação profissional

Ser um “petiano”, como se autorreferem os participantes, pode ser decisivo na vida acadêmica e profissional. Foi o que aconteceu com Luís Lolis, professor-tutor do projeto de Engenharia Elétrica. Graças à participação no PET, durante a graduação, conseguiu fazer doutorado na França. “O PET foi a primeira grande etapa da minha carreira profissional, foi onde pude adquirir senso crítico, cívico e profissional, que meus colegas não tinham no mesmo estágio onde estávamos na graduação”, recorda.

O pró-reitor Eduardo Barra explica ainda que o acompanhamento tutorial no PET é muito rico, porque o estudante é orientado por um professor de maneira diferente do formato tradicional da sala de aula. No modelo adotado nos PET, o aluno recebe uma atenção direta do professor-tutor na sua formação e que vai além do que está pré-determinado no currículo dos cursos.

Mariana Carmin, estudante de Informática Biomédica que participa do PET-Computação, tem a oportunidade de fazer algo que vai além da sala de aula. “Tive que aprender a ensinar informática nas escolas, com brincadeiras. Nosso desafio é aplicar a informática em outros lugares e de maneiras diferentes da tradicional, estimulando a criatividade. Tem a parte do ensino, mas também é um aprendizado para os alunos que trabalham”, justifica.

A estudante de Educação Física Joana Caroline Correa da Silva relata que as intervenções feitas nas escolas trazem uma formação mais completa. “Liderar um grupo, orientar as pessoas é uma grande motivação para a vida em geral, pois assim não temos apenas uma formação acadêmica, mas também cidadã”, pondera.

Para Elaine Marcelle de Moraes Rodrigues, estudante do curso de Farmácia, “o PET é importante, pois trabalha questões de valores e ética, desenvolve a formação humanista do aluno. O programa estimula o senso crítico, a escrita científica, pois escrevemos trabalhos, projetos e resumos para eventos. Além de aperfeiçoar a oratória, com as apresentações de seminários, tanto em dupla quanto individuais. Também é trabalhada a inteligência emocional, por meio de avaliações internas, além de realçar as características positivas do petiano e ensinar sobre política e como portar-se em espaços deliberativos”, diz.

Além da formação profissional, há também o impacto na vida pessoal. A petiana Cleonice Schull, do PET Conexões de Saberes – Comunidades do Campo, tutoriado pela professora Liliani Marília Tiepolo, conta que além do desenvolvimento voltado para o mercado, o programa também impacta os participantes em outras esferas, uma vez que apresenta realidades diferentes, promove reflexões e desenvolve valores: “Há um leque de oportunidades para o estudante que vai além da academia ou mercado de trabalho”.

 

Depoimento de um ex-petiano, já formado

Antonio Mendes, hoje já formado farmacêutico, participou do PET  durante a graduação. Para ele são três os pontos principais que marcaram sua passagem pelo programa: o trabalho em equipe; a indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão; e o trabalho multidisciplinar.

“O trabalho em equipe me deu exercício prático para algo essencial na vida do profissional de saúde. A indissociabilidade me permitiu visualizar a necessidade do conhecimento científico com objetivo de trazer melhorias à sociedade fora dos muros da universidade. E a multidisciplinaridade possibilitou acompanhar discussões com pontos de vista de diversas profissões (exatas, sociais, biológicas, humanas, saúde)”.

Mendes lembra que o PET ajudou a preencher diversas lacunas na formação como farmacêutico. Além disso, conseguiu desenvolver habilidades como comunicação, que é essencial para os profissionais de saúde.

O PET ainda foi responsável no encaminhamento profissional de Mendes, que recorda que escolheu a área de assistência farmacêutica pelas experiências no programa.

“O PET me proporcionou um viés acadêmico que me levou a fazer iniciação científica, mestrado e, agora, o doutorado. O principal para a carreira foi me disponibilizar o máximo de oportunidades em diversas áreas do conhecimento e acredito que isso tenha me tornado um profissional mais completo que consegue se adaptar à diferentes frentes de trabalho”.

Aos estudantes de graduação Mendes deixa um conselho: “É extremamente válido ser um petiano pela  variedade de oportunidades em diversas frentes — ensino, pesquisa e extensão — dos mais diversos modos e não somente de maneira teórica, mas também de maneira prática. E essas experiências podem ser o diferencial no mercado de trabalho ou na academia”.

Por Dafne Salvador e João Cubas

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