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UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARANÁ


UNIVERSIDADE
FEDERAL DO PARANÁ

Pró-reitor de Graduação defende projeto de longo prazo para a universidade

Foto: André Filgueira

O novo pró-reitor de Graduação e Educação Profissional da UFPR, Eduardo Salles de Oliveira Barra, é um apaixonado pela docência. Depois de, na juventude, deslumbrar-se com a perspectiva de futuro de um país que saía da ditadura militar, ele optou pela Filosofia e encontrou sua verdadeira vocação nas salas de aula – uma trajetória que passou por escolas e por outras universidades e que hoje já soma 30 anos de docência universitária – 15 deles na UFPR.

É com essa credencial que Barra assume o desafio de gerir a Prograd e cumprir o que aponta como sua principal meta: unir num projeto institucional comum os esforços hoje dispersos para atender estudantes e professores, “protagonistas centrais da formação na graduação”.

Para Barra, as limitações orçamentárias que se anunciam exigirão da universidade “pensar grande e longe”, o que necessariamente requer planejamento para otimizar o uso de recursos.

Conte um pouco sobre sua trajetória até o ingresso na UFPR.

Concluí o curso de Filosofia, na minha cidade natal, Juiz de Fora-MG, em 1985. No ano seguinte, fui aprovado num concurso para professor de Filosofia na rede pública estadual de São Paulo, para onde fui com o projeto de fazer uma pós-graduação e prosseguir nos meus estudos de Filosofia. Logo constatei que o custo de vida em São Paulo era incompatível com o meu salário de professor iniciante na rede pública, e fui obrigado a buscar outro emprego para complementar a minha renda. Foi nesse trabalho, como técnico-administrativo na USP, que me deparei com edital para um concurso para professores da Universidade Estadual de Londrina (UEL).

Inscrevi-me sem pretensão, como um mero trainee, mas fui aprovado e fiquei na UEL até 2002. Foram anos muito felizes, em que fiz muitos amigos, cresci intelectualmente como nunca e consolidei minha opção pela carreira acadêmica. Nesse período, pude realizar finalmente o projeto de cursar a pós-graduação em São Paulo. Fiz mestrado e doutorado na USP, ao longo dos anos 1990, com pequenos períodos de afastamento da UEL.

Em meados dessa década, minha mulher, Edilene Coffaci de Lima – que é antropóloga e foi, de fato, a grande responsável pela minha adesão à carreira acadêmica – ingressou como professora no Departamento de Antropologia da UFPR. Resolvemos, então, nos mudar para Curitiba. Cinco anos depois, após uma primeira tentativa frustrada, finalmente fui aprovado para ocupar uma vaga de professor no Departamento de Filosofia da UFPR. Desde então, lá se vão 15 anos nos quais a UFPR é minha vida!

Como decidiu pela graduação em Filosofia?

Este não era o meu sonho de criança. Quando comecei a pensar seriamente em “o que queria ser quando crescer”, pensei em ser técnico em laticínios. Venho de uma família com fortes e vastas raízes no mundo rural, e essa era uma carreira fascinante para mim que sempre valorizei essas raízes. Foi assim que ingressei aos 15 anos no curso técnico em laticínios do Instituto de Laticínios Cândido do Tostes, uma escola pública de altíssimo nível educacional e técnico-científico e com um ambiente cultural cativante. O País vivia o ocaso da ditadura militar e aquele ambiente de contestação e de reconstrução da democracia me envolveu completamente. Quando finalizei o curso técnico, o sonho de menino já não me motivava mais. O que ficou no seu lugar foi uma incontida vontade de estar no olho do furacão da grande agitação política e cultural que o Brasil experimentava.

Decidi fazer um curso da área de ciências humanas, sem saber exatamente por qual deles optar. Eu vinha de uma intensa militância religiosa e política na chamada esquerda católica e vivi aquilo tão intensamente que acreditei que o meu futuro seria a vida religiosa. Foi com essa perspectiva que ingressei no curso de Licenciatura em Filosofia da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), em 1982. Logo percebi que não tinha vocação para a vida religiosa, mas prossegui no curso – inicialmente mais interessado na militância política, até desenvolver o interesse definitivo pela área de história e filosofia da ciência e decidir construir em torno dela uma carreira acadêmica.

Qual sua formação completa?

Depois de concluir a licenciatura em Filosofia, demorei ainda cinco anos para entrar no mestrado. Tive a sorte de encontrar um orientador muito dedicado, inteligente e paciente, que eu considero a minha grande referência acadêmica: o professor Pablo Rubén Mariconda. Sob sua orientação, fiz todo o mestrado e iniciei o doutorado. No meio do meu doutorado, ele foi fazer um período de pesquisa na Universidade de Paris VII e permaneceu por lá durante dois anos. Passei a ser, então, orientado pelo professor Caetano Plastino, com quem tive uma convivência intelectual que também se tornou decisiva para a minha formação. As relações entre filosofia e ciência – que, desde a leitura seminal da Estrutura das Revoluções Científicas de Thomas Kuhn que fiz quase por acaso ao final da graduação, haviam se tornado uma obsessão para mim – formaram o núcleo das minhas pesquisas de mestrado e doutorado. Além disso, mais recentemente, realizei dois estágios de pós-doutoramento: em 2008, na Universidade de Paris VII, com o professor Marco Panza, e em 2014, na UNICAMP, com o professor Sílvio Gallo. Nesse último caso, a pesquisa foi sobre um tema novo entre as minhas áreas de interesse: o ensino da filosofia, ao qual tenho me dedicado mais intensivamente nos últimos anos.

Mas, ainda lá na origem da minha formação, há um episódio que eu gostaria de destacar porque ele diz muito sobre essa minha opção recente pelo ensino da filosofia na educação básica. Esse episódio se passou em 1984, em pleno movimento que ficou conhecido como a “campanha das diretas”. Foi imerso naquela grande mobilização cívica que me dei conta de que a educação pública teria um papel decisivo na construção de uma sociedade democrática e solidária depois daquele longo período de autoritarismo e repressão. Creio eu que foi assim que nasceu a minha vocação para ao magistério. Nasceu, portanto, bem distante da sala de aula ou da biblioteca, é verdade; mas bem próximo do projeto de país que somente a educação pública, gratuita e de qualidade poderá nos proporcionar – não importa quanto tempo isso ainda demore.

Quais as funções que o senhor já exerceu na universidade?

No âmbito do Departamento de Filosofia, além de professor, fui tutor do PET (Programa de Educação Tutorial) e coordenador do curso de graduação em Filosofia. Nesse período, sempre atuei também no programa de pós-graduação, onde creio ter dado a minha parcela de contribuição para a nota 5 que alcançamos recentemente e para o doutorado que iniciamos em 2012.

No âmbito da administração central da Universidade, fui conselheiro no CEPE (Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão), coordenador institucional do PIBID (Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência) e, mais recentemente, diretor do Setor de Ciências Humanas. Entre todas essas funções, destaco a experiência com o PIBID, pois foi por meio dela que a minha compreensão da graduação na UFPR transpôs as estreitas fronteiras do meu curso e do meu setor e se abriu na direção dos demais cursos e carreiras da Universidade. Ela me permitiu compreender melhor a formação integrada e cidadã que a universidade deve proporcionar na graduação. Será esse tipo de formação que procuraremos fomentar nas nossas ações na Prograd.

O que o levou a aceitar o desafio de assumir a Pró-Reitoria de Graduação e Educação Profissional?

Ao ser convidado para a função, eu tinha quase dois anos de mandato ainda a cumprir na direção do Setor de Ciências Humanas. Portanto, não era uma situação cômoda. Mas depois de longas conversas com a minha vice, a professora Lígia Negri, e com vários colegas do setor, todos concordaram que a Prograd era uma pró-reitoria estratégica para o programa que os professores Ricardo e Graciela haviam apresentado à nossa comunidade, e que deveria ser conduzida por alguém que, além de afinado com os valores e práticas desse programa, tivesse uma trajetória na UFPR com vínculos sólidos com o ensino de graduação. Então, tomei a decisão que julguei mais acertada. Acho que o meu modo de encarar a minha inserção na universidade é o que mais deve me credenciar para ocupar o comando da Prograd. Quem ocupa esse lugar tem que ser incondicionalmente um professor, tem que ter prazer em ensinar, tem que se empenhar, se orgulhar e se emocionar com o crescimento dos seus alunos.

Quais serão os maiores desafios nessa nova gestão?

Há muito não vivíamos um tempo de tamanha incerteza na universidade pública brasileira. Nem mesmo estão garantidos determinados editais que os órgãos oficiais de fomento lançaram com uma regularidade exemplar por mais de uma década. Num quadro como este, é impossível fazer qualquer prognóstico. Mas uma coisa parece certa: temos que ter mais e melhores projetos de longo alcance. A surpreendente disponibilidade de recursos dos últimos anos nos fez crescer num ritmo de caçadores de “janelas de oportunidade”. Mas, agora, temos o dever de dar mais organicidade, mais sistematicidade às ações empreendidas pela administração central. Não podemos mais confiar que, no momento crucial, surgirá um deus ex machina orçamentário que nos proporcionará os recursos necessários. Repetindo o que os professores Ricardo e Graciela deixaram claro durante a campanha, o momento atual exige que incorporemos a cultura do planejamento estratégico, para otimizar os escassos meios em favor de objetivos de longo alcance. É hora de pensar grande, de pensar longe. A meu ver, convencer a nossa comunidade disso será o nosso maior desafio.

Nesse cenário, quais são as principais metas da Prograd?

Queremos, fundamentalmente, dirigir o foco das nossas ações para os estudantes e os professores, que são os protagonistas centrais da formação na graduação. Isso, tenho certeza, cada um dos servidores técnico-administrativos da Prograd já realiza há anos. Todavia, o esforço individual de cada técnico não tem sido suficiente para conferir à Prograd a face que ela precisa adquirir. Boa parte dos próprios técnicos faz esse mesmo diagnóstico e se sente frustrada com a dispersão dos seus melhores esforços. A meu ver, se quisermos reverter esse quadro a fim de conferir conjunto e sistematicidade às ações individuais e/ou isoladas, será imprescindível fazer algo mais do que simplesmente multiplicar essas ações. Desde o início tenho falado com a equipe que dividirá comigo as responsabilidades pela gestão da Prograd, os coordenadores, que esta será a nossa maior meta: fazer convergirem as concepções e ações que hoje ainda estão desconexas para um projeto institucional comum. Por isso, entre os coordenadores, queremos sempre que possível atuar em equipe, por meio de divisões flexíveis de tarefas entre nós, e não apenas pela estipulação rígida de funções. Se conseguirmos fazer isso entre nós, creio que poderemos propor o mesmo aos demais servidores da Prograd e – por que não? – das coordenações de curso.

 

 

 

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