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UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARANÁ


UNIVERSIDADE
FEDERAL DO PARANÁ

Pioneira em educação ambiental e metodologia de pesquisa em educação completa 49 anos de UFPR

Professora Maria do Rosário Knechtel - Foto: Samira Chami Neves
Professora Maria do Rosário Knechtel – Foto: Samira Chami Neves

Não seria exagero dizer que a professora Maria do Rosário Knechtel é uma das principais referências da Universidade Federal do Paraná (UFPR) quando o tema é educação ambiental e metodologia de pesquisa em educação. A socióloga e educadora iniciou sua história na instituição no ano de 1968, integrando o quadro do curso de Ciências Sociais. São 49 anos dedicados à instituição – e engana-se quem pensa que ela agora tem uma vida calma. Com mais de 80 anos de idade, Maria do Rosário continua muito ativa.

Entre aulas e orientações de doutorandos do Programa de Pós-Graduação em Meio Ambiente e Desenvolvimento (Made), que ajudou a fundar, Maria do Rosário precisa equilibrar a vida familiar e uma agenda lotada de compromissos profissionais e acadêmicos.

Professora Maria do Rosário Knechtel - Foto: Samira Chami Neves
Professora Maria do Rosário Knechtel – Foto: Samira Chami Neves

O Made é certamente o projeto a que mais tempo se dedicou na UFPR. Fundado em 1993, na esteira da emergência da temática ambiental, foi um programa pioneiro no Brasil nesta área. Entre seus coordenadores já estiveram os professores Claude Raynaut e Magda Zanoni, da cátedra da Organização das Nações Unidas para a Educação (Unesco).

Maria do Rosário Knechtel participou ativamente da composição do projeto pedagógico. Ela lembra que na época praticamente não havia pesquisas sobre questões ambientais no Brasil: “Convidaram alguns professores para organizar este curso. Não tínhamos praticamente nada sobre Meio Ambiente aqui no Brasil e pediram que nós sugeríssemos uma ementa. Quando viram a proposta que eu fiz, a professora Magda disse que eu deveria fazer parte do corpo docente do programa.” Foi assim que ela passou a compor, desde o início, o quadro de professores do programa.

Professora Maria do Rosário Knechtel - Foto: Samira Chami Neves
Professora Maria do Rosário Knechtel vestida com a pelerine da Academia Feminina Paranaense de Letras – Foto: Samira Chami Neves

Sua experiência na área de pesquisa e da educação foi essencial ao explorar um campo novo e multidisciplinar, destaca Maria do Rosário.  “Nosso foco era voltado para as questões ambientais e o desenvolvimento. Todos nós já tínhamos consciência de que deveríamos ter um quadro de professores com qualificações diversificadas. Escolhemos como princípios a sustentabilidade e a interdisciplinaridade, numa época em que estavam apenas começando as preocupações científicas e metodológicas com a interdisciplinariedade”, afirma.

As bases do curso foram calcadas em boa parte no pensamento do sociólogo e antropólogo francês Edgar Morin, a quem a professora Maria do Rosário teve a oportunidade de apresentar pessoalmente os resultados do trabalho: “Há dois anos, em Barcelona, eu tive a felicidade de apresentar a minha pesquisa ao lado dele. Mostrei como nossos alunos do doutorado estavam entendendo e aplicando a interdisciplinariedade mas já dando o salto para o transdisciplinar. Foi muito interessante ouvir os comentários sobre a apresentação, tanto de Morin quanto do Saturnino de la Torre (pesquisador espanhol da Universidade de Barcelona em estratégias didáticas inovadoras e criativas, transdisciplinaridade e ecoformação). Eles apreciaram muito os resultados alcançados”.

Primeiras experiências

Professora Maria do Rosário Knechtel - Foto: Samira Chami Neves
Professora Maria do Rosário Knechtel – Foto: Samira Chami Neves

Maria do Rosário é natural de Palmeira, pequena cidade na região central do Estado do Paraná, onde passou a infância e concluiu o curso primário, que correspondia aos atuais primeiros anos do ensino fundamental. A professora conta que não havia escola na cidade para terminar os estudos, mas o seu desempenho fez o pai, pequeno pecuarista, financiar um internato na cidade de Ponta Grossa.

Foi no Instituto Estadual de Educação, Colégio Regente Feijó, na cidade de Ponta Grossa, onde completou o curso normal e o científico, que ela teve uma das primeiras experiências com a atividade docente e despertou o interesse pela pesquisa. A professora conta que coordenou um grupo de alunas da Escola Normal em um projeto que buscava compreender a situação socioeducacional do Brasil e do Paraná.

“Naquele ano houve interesse que se preparasse um livro que abordasse os problemas da educação brasileira e, entre outros professores, me convidaram para este exercício. Ainda não era acadêmico, mas por intuição comecei a trabalhar com pesquisa.” conta Rosário.

O resultado do trabalho foi compilado em um álbum seriado que chamou a atenção da Secretaria de Educação do Estado e foi transformado em livro. A experiência lhe rendeu um convite para coordenar a Divisão de Fundamentos de Educação do Instituto de Educação do Paraná.

Como coordenadora pedagógica do Colégio Agrícola em Ponta Grossa, a professora Rosário implementou uma nova metodologia de ensino que engloba projetos multidisciplinares de pesquisa a partir de estudos sistemáticos dos alunos. A prática apresentou ótimos resultados e foi replicada em outras instituições de educação agrícola.

Entrada na UFPR

Foi com esse espírito que Maria do Rosário ingressou na Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR) onde cursaria a graduação. “No Instituto eu perguntava aos meus professores qual o curso em que eu poderia ter uma visão mais abrangente da sociedade, e me indicaram as Ciências Sociais”. O interesse na área de educação levou Rosário a frequentar também as aulas de Pedagogia na mesma instituição, concluindo ambos os cursos.

Foi a professora Olga Mattar quem estimulou Maria do Rosário a seguir carreira docente no ensino superior. “Durante as aulas ela percebia que eu já possuía muita experiência na educação e na sala de aula, muitas vezes ela me chamava para dar uma aula. Antes de eu terminar o curso ela já sinalizou que queria meu trabalho na Universidade Federal do Paraná”, conta.

Professora Maria do Rosário Knechtel - Foto: Samira Chami Neves
Professora Maria do Rosário Knechtel – Foto: Samira Chami Neves

Nesta época ainda não havia concursos para professor e Mattar se uniu à colega Zélia Miguel Pavão, também professora da UFPR, para requerer ao governador do Estado, Ney Braga, a transferência de Maria do Rosário para a instituição. Foi assim que a pesquisadora passou a compor o quadro do curso de Ciências Sociais na UFPR.

Maria do Rosário conta que a participação no grupo de pesquisa coordenado por Zélia no Setor de Educação foi muito importante para seu amadurecimento como pesquisadora. A participação levou ao interesse em continuar sua formação: “Nesta época não havia ainda nenhum curso de pós-graduação da universidade na área de Educação e Ciências Sociais. Então eu e uma outra colega nos revestimos de coragem e fomos prestar o exame de seleção na USP [Universidade de São Paulo]. Ela entrou no mestrado em Administração e eu entrei nas Ciências Sociais […] A experiência no grupo da Zélia nos valeu muito, nós nem tínhamos terminado a dissertação e nos convidaram para cursar as disciplinas no doutorado. Isso acelerou a nossa formação na pós-graduação. Depois soubemos da abertura da seleção na Universidade Federal de Santa Maria, onde concluí o doutorado”.

Professora Maria do Rosário Knechtel - Foto: Samira Chami Neves
Professora Maria do Rosário Knechtel – Foto: Samira Chami Neves

Na UFPR e em outras instituições, como a Fundação de Ciências Sociais do Paraná (Fesp), por onde também passou, foi na área de Metodologia da Pesquisa que Maria do Rosário mais se destacou. O resultado de seu trabalho se materializa na série de livros que publicou ao longo do tempo, a maior parte tratando de temas relacionados à produção de conhecimento.

Além disso, a professora participou ativamente da criação de vários programas de pós-graduação, além da participação na criação do MADE, ajudou a fundar os cursos de mestrado em educação na UFPR e nas universidades de Ponta Grossa (UEPG), de Blumenau (FURB) e de Joinvile (UNIVILLE), além de outras colaborações na criação de programas em instituições de São Paulo e na região sul.

Em Barcelona faz seu primeiro estágio internacional no ano de 1985 pelas Universidades Complutense de Madri e Barcelona e em 1991 conclui seu segundo pós-doutorado, nas Universidades de Karlsruhe e Berlim, que resulta no livro “Educação Permanente: Da reunificação Alemã e Reflexões e Práticas no Brasil”.

Em 2013 a professora foi homenageada pelo Instituto Histórico e Geográfico de Palmeira com um livro que conta parte de sua história, escrito por Arthur Orlando Klas, por ocasião de sua posse como Membro da Academia Feminina Paranaense de Letras.

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