Pesquisas da UFPR investigam alterações não motoras ocasionadas pela Doença de Parkinson e forma de diagnóstico precoce

24 agosto, 2021
16:05
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Ciência e Tecnologia

Laboratório de Neurofisiologia estuda alterações emocionais, oculares, olfativas, de memória e sono

A doença de Parkinson é conhecida pelos tremores e dificuldades motoras ocasionadas nos pacientes. Contudo, a doença não se resume aos aspectos físicos. Pesquisadores do Laboratório de Neurofisiologia da Universidade Federal do Paraná (UFPR) reúnem esforços em pesquisas que investigam aspectos da doença chamados de não motores. São eles: as alterações oculares, olfatórias, emocionais, de memória e sono.

Na esteira dos estudos sobre alteração no movimento dos olhos, Renata Ramina Pessoa defendeu na UFPR a dissertação de mestrado desenvolvida no Laboratório de Neurologia sob orientação do professor Marcelo de Meira Santos Lima. A pesquisadora conseguiu encontrar um conjunto de evidências relacionadas ao movimento dos olhos de pessoas com Parkinson para o diagnóstico precoce da doença.

Os pesquisadores, que aparecem em registro de antes da pandemia, estudam as alterações não motoras que são fio condutor para pesquisas sobre Parkinson. Foto: Marcos Solivan/Sucom-UFPR

O professor Marcelo de Meira Santos Lima está à frente do laboratório e estuda Parkinson desde o início da sua formação acadêmica. Farmacêutico formado pela UFPR, Marcelo fez mestrado no Programa de Pós-graduação em Farmacologia da UFPR e doutorado no Programa de Pós-graduação em Psicobiologia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e estudou a doença em ambas as situações. Atualmente, além de conduzir o laboratório, é coordenador do Programa de Pós-graduação em Fisiologia.

O laboratório não pesquisa apenas a doença de Parkinson, mas este é o fio condutor dos estudos. “Investigamos alterações do sono. As alterações olfatórias começaram a ser estudadas só depois que a linha de pesquisa estava estabelecida. Começamos a fazer outras investigações e as alterações olfatórias foram gratas surpresas do ponto de vista de render toda uma linha de pesquisa, com um conjunto de trabalhos que até hoje são importantes para o laboratório”, explica Marcelo.

Em foto tirada antes da pandemia, a equipe do Laboratório de Neurofisiologia, que tem a maior produção científica sobre a região do cérebro chamada de “substância negra” na América Latina. Foto: Marcos Solivan/Sucom-UFPR

E a linha de estudos não para por aí. As alterações emocionais – como a depressão, que é comum em casos da doença -, e mais recentemente as alterações oculomotoras e metabólicas entraram no alvo do Laboratório de Neurofisiologia. “A ideia é tentar ter um conjunto de evidências que permitam um entendimento mais amplo não só da fisiopatologia da doença, mas também dos papéis desses neurônios que são importantes para essas duas questões”, complementa o professor.

O Laboratório de Neurologia da UFPR tem um lugar de destaque na pesquisa mundial. O professor Marcelo é o pesquisador com a maior produção científica sobre a região do cérebro ligada à doença de Parkinson chamada de “substância negra”, na América Latina e o 15º em contribuição sobre essa área cerebral no mundo, como mostra o site Expertscape.

Alterações no movimento ocular

Renata, que também é médica, defendeu a dissertação de mestrado “Rastreamento ocular como estratégia de diagnóstico da doença de Parkinson – um estudo piloto”, feita no Laboratório de Neurofisiologia. A pesquisadora encontrou evidências observando o movimento ocular de pessoas com Parkinson que possibilitam o diagnóstico da doença mais cedo.

“É um biomarcador para avaliar uma alteração precoce da doença, tentar fazer um diagnóstico ou definir alguma alteração na doença de Parkinson através do movimento do olho”, explica Renata. A pesquisadora também é Diretora da Associação Parkinson Paraná e fez sua pesquisa com 36 pacientes que participam da instituição. O estudo foi afetado pela pandemia, já que o objetivo era avaliar um número maior de pessoas.

Para Renata, a maior contribuição de sua pesquisa é conseguir avaliar a progressão da doença. “Conseguimos perceber, de uma forma bem importante, que tem um estágio específico e precoce da doença em que há uma alteração no movimento dos olhos”, relata. Ela explica que atualmente a doença é clinicamente identificada apenas em um estágio já avançado. Portanto, o estudo abre a possibilidade para o diagnóstico precoce da doença, tornando possível a antecipação do tratamento.

Marcelo expõe que pesquisas como a da Renata precisam de investimento para serem desenvolvidos e trazerem retorno para a sociedade. “Temos a necessidade de conseguirmos melhorar o financiamento das pesquisas, melhorar condições empregatícias e de bolsas de estudos para os alunos. Precisamos de uma visão mais amadurecida por parte do governo e brigar por isso. Para que isso realmente seja uma pauta”, finaliza o pesquisador.

Foto destaque: Pixabay/Divulgação

Por Bruno Caron
Edição: Maria Fernanda Mileski
Parceria Superintendência de Comunicação e Marketing (Sucom) e Agência Escola de Comunicação Pública da UFPR

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