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UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARANÁ


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Pesquisadores apontam descumprimento de legislação na Escarpa Devoniana em artigo premiado

Pesquisadores da Universidade Federal do Paraná (UFPR) identificaram um cenário preocupante na área da Escarpa Devoniana e seus entornos. Segundo eles, atualmente na região há um número significativo de empreendimentos potencialmente degradados já instalados ou em fase de implantação que passaram ou estão passando pelo processo de licenciamento ambiental, porém sem apresentação dos estudos espeleológicos legalmente previstos.

O principal caso identificado pelos pesquisadores é o de descumprimento da legislação espeleológica no processo de licenciamento ambiental de linhas de transmissão de energia de uma empresa paranaense. O Grupo Universitário de Pesquisas Espeleológicas (Gupe) percebeu a situação e passou a imprimir esforços por meio de alertas ao Instituto Água e Terra (IAT) e de denúncias junto ao Ministério Público do Estado do Paraná (MPPR), na tentativa de revertê-la.

O grupo é composto por pesquisadores das geociências e áreas afins, espeleólogos e entusiastas da defesa do patrimônio espeleológico. Foto: Divulgação/Arquivo Pessoal

Essas ações levaram o tema patrimônio cárstico e espeleológico a ganharem visibilidade no Paraná. O relevo cárstico se caracteriza pela dissolução/corrosão das rochas, formando uma série de feições como cavernas, grutas, lapas, abrigos, dolinas, rios subterrâneos, paredões rochosos, lapiás, entre outros. Já espeleologia é a ciência que se dedica ao estudo das cavidades naturais subterrâneas, isto é, as cavernas.

Além disso, a empresa que promovia a atividade irregular teve parte de suas obras temporariamente embargadas e alterou o traçado inicialmente projetado, reposicionando as torres e linhas de transmissão de energia. Estudos espeleológicos de melhor qualidade também foram produzidos e indicaram a existência de dezenas de novas cavidades subterrâneas.

De acordo com o presidente do Gupe e um dos autores do estudo, Rodrigo Aguilar, ainda há falhas a serem corrigidas nos estudos espeleológicos do empreendimento, bem como no de outras atividades e obras em fase de licenciamento ambiental no Paraná. “É evidente a necessidade de trabalho contínuo de fiscalização e de educação patrimonial”, revela.

Espeleologia

A espeleologia é a ciência que estuda as cavidades naturais subterrâneas. Foto: Angelo Rocha

Aguilar explica que as cavidades subterrâneas são redutos de geo e biodiversidade riquíssimas, presentes em cenários incríveis que parecem ter saído de histórias de ficção científica. “É curioso e fantástico imaginar que, debaixo dos nossos pés, pode existir um mundo complexo, dinâmico e surpreendente como o encontrado nas cavernas”.

Ele comenta que o objetivo de trabalhos como o que produziram é mostrar para todos que esse outro mundo existe e que precisa de proteção. “De outro modo, ele será perdido sem que sequer tenhamos conhecido as suas riquezas”.

Artigo premiado

O artigo científico “As cavernas no caminho das linhas de transmissão de energia – um relato sobre a defesa do patrimônio espeleológico paranaense”, que aponta essas situações, recebeu o primeiro lugar na seção técnica do 1º Prêmio Nacional de Espeleologia – Michel Le Bret.

A premiação é realizada pela Sociedade Brasileira de Espeleologia (SBE) em conjunto com o Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Cavernas (CECAV) do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e busca incentivar o desenvolvimento e a publicação de pesquisas científicas, inventários e soluções técnicas direcionadas à conservação dos ecossistemas cavernícolas e espécies associadas.

“O objetivo deste trabalho é relatar essa experiência em defesa do patrimônio espeleológico que se iniciou no ano de 2019 e segue em curso, assim como os desdobramentos das ações realizadas para mais uma etapa da constante luta pela conservação das cavernas paranaenses”, define o Gupe. O Gupe é composto por egressos e discentes UFPR e tem o objetivo de explorar, estudar e atuar pela conservação das cavernas sul-brasileiras.

Por Felipe Reis

Sob orientação de Jéssica Tokarski

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