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Pesquisadoras falam sobre espaço e visibilidade na ciência; conheça a participação de mulheres nas áreas do conhecimento na UFPR

Constituindo 39% na docência da pós-graduação, professoras são premiadas e reconhecidas pela atuação em diferentes áreas nacional e internacionalmente

Professoras, orientadoras, produtoras de conhecimento científico, premiadas e reconhecidas, as mulheres na Universidade Federal do Paraná (UFPR) estão presentes na pesquisa com excelência. Elas relatam que a conquista de espaço no meio acadêmico não é fácil, já que compõe uma luta diária para serem ouvidas e valorizadas. Contudo, a gratificação de contribuir para a sociedade faz os sacrifícios valerem a pena – confira abaixo a atuação, história e pesquisas de algumas das cientistas da Universidade.

As orientadoras são minoria na pós-graduação da UFPR, cujos programas são responsáveis pela maior parte da investigação científica realizada na instituição. De acordo com a Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação (PRPPG), elas representam 39% da docência nos 91 programas de pós-graduação. Contudo, no mestrado e doutorado, a presença de estudantes mulheres é 6% maior que a dos homens.

Em cursos ofertados pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) no Brasil, atualmente, são 195 mil pesquisadoras matriculadas. “Se já somos maioria, o desafio agora é pela equidade de direitos e pela visibilidade”, destaca a vice-reitora da UFPR, professora Graciela Bolzón de Muniz.

Para a coordenadora de pesquisa na PRPPG, professora Ana Sofia D’Oliveira, a participação de mulheres vem ganhando espaço na pesquisa e na coordenação de grandes projetos até cargos de gestão e de decisão mais elevados, o que contribui para que a produção científica possa usufruir de diferentes olhares e perspectivas.

“A presença feminina está se expandindo, conquistando um espaço muito consolidado pela qualidade do trabalho que é apresentado. Não é um favor, é realmente um reconhecimento das competências que estão sendo apresentadas”, ressalta a pesquisadora.

Esforço reconhecido no exterior

Os trabalhos desenvolvidos pelas pesquisadoras da UFPR estendem sua influência a âmbito nacional e internacional. A persistência da professora Alice Grimm, do Departamento de Física, a classificou entre os 27 mil cientistas mais influentes do mundo, segundo estudo realizado pela Universidade de Stanford (EUA) publicado no PLOS Biology Journal. Na lista de 100 mil pesquisadores, ela conseguiu a colocação mais elevada entre os representantes da UFPR contemplados.

A professora Alice Grimm estuda oscilações climáticas ao longo do tempo e seus impactos no cotidiano. Foto: Arquivo Pessoal/Divulgação – foto anterior à pandemia

“Foi uma grata surpresa. Desejo, antes de mais nada, produzir informação que seja útil e abrangente em cada assunto abordado. Sinto-me feliz de que tal preocupação tenha sido reconhecida e que os resultados foram usados para avançar outros estudos”, declara a professora, que estuda oscilações climáticas ao longo do tempo e seus impactos no cotidiano, como El Niño e La Niña.

Outro projeto com expressiva relevância e reconhecimento internacional é comandado pela professora Rita de Cássia, do Departamento de Engenharias e Exatas, no Setor Palotina. Ela conquistou o prêmio L’Oréal-UNESCO-ABC Para Mulheres na Ciência 2020 por sua investigação de astrofísica de partículas. Sobre o impacto dessa gratificação, ela afirma que “mesmo sendo minoria em meu ambiente acadêmico, o prêmio mostra que é possível fazer ciência e incentivar alunos e alunas a seguirem a carreira universitária”.

A trajetória da pesquisadora Rita de Cássia foi tema do “Primeira Pesquisa”, programa da Agência Escola da UFPR. Você pode conferir a produção neste link.

No topo da administração da UFPR

Formada em Engenharia Florestal pela Universidade Nacional de Santiago del Estero, na Argentina, Graciela Bolzón de Muniz assumiu a vice-reitoria da UFPR em março de 2017. Além de vice-reitora, também é professora titular da instituição, coordenando pesquisas na área de Recursos Florestais e Engenharia Florestal, com ênfase em tecnologia e utilização de produtos florestais.

Segundo ela, ser gestora pública com determinado nível de poder exige discernimento, sabedoria e equilíbrio. “Sem essas capacidades e sem senso de justiça, a capacidade intelectual pouco pode fazer”, aponta.

A professora Graciela Bolzón conduz pesquisas sobre Recursos Florestais e Engenharia Florestal e é vice-reitora da UFPR desde 2017. Foto: Marcos Solivan/Sucom-UFPR

Acerca da representação feminina, a pesquisadora afirma que ainda há muito a ser feito para que as oportunidades sejam as mesmas para as mulheres. “Nós precisamos ser reconhecidas pelo trabalho de liderança e não apenas pelo trabalho secundário”, diz. Para ela, não se pode prescindir da contribuição de pesquisadores e pesquisadoras no processo de democratização do conhecimento.

Dificuldades enfrentadas pelas pesquisadoras

Mesmo que os dados sejam favoráveis à participação feminina na pesquisa, o ambiente por vezes não o é. Conforme enunciado pela professora Alexandra Acco, orientadora do Programa de Pós-graduação (PPG) em Farmacologia da UFPR na área de Toxicologia, o ingresso de uma mulher na pós-graduação pode ser visto com resistência em áreas com predomínio masculino. “Nesses casos será preciso provar constantemente sua competência, de maneira mais incisiva”, relata.

O PPG em Farmacologia conta com 17 orientadores permanentes, dos quais 10 são mulheres. Mas em setores como o de Ciências da Terra e o de Ciências Exatas, respectivamente com 24% e 29% de presença de mulheres na docência da pós-graduação, a realidade é outra.

“A falta de representatividade de gênero no ambiente acadêmico nos traz como consequências situações de discriminação, assédio, intolerância e machismo. Elas são enfrentadas pelas mulheres desde o início de um curso na área de Exatas”, expõe a professora Rita de Cássia. Como mulher negra na academia, a pesquisadora ressalta que sempre se sentiu solitária por não se ver representada na pesquisa.

Além de tudo, a maternidade por vezes representa um empecilho à realização do trabalho científico. De acordo com Alexandra Acco, uma mãe pós-graduanda tem demandas, horários de amamentação e limitações como a impossibilidade de lidar com reagentes específicos em laboratório, por exemplo. Para ela, a inclusão da licença-maternidade com bolsa de estudos foi um grande passo, porém ainda falta compreensão e apoio às pesquisadoras nessa fase.

União e informação fazem a força

Muitas mulheres acabam desistindo da carreira científica devido a situações opressivas vividas na academia. A fim de encorajar as pesquisadoras a entrarem, se manterem e alcançarem espaços de poder na universidade, Camila Silveira, especialista em Divulgação Científica e professora do Departamento de Química da UFPR, coordena o projeto de extensão Meninas e Mulheres nas Ciências.

A doutora em Ensino de Ciências acredita que o movimento de militância realizado coletivamente pelas pesquisadoras tem contribuído, nos últimos anos, para que suas vozes sejam ouvidas. Contudo, segundo ela, ainda é necessário ampliar a pauta, fazendo-a atingir os colegas pesquisadores, as instituições de ensino e a população de maneira geral.

“O projeto tem o objetivo de empoderar as mulheres que fazem parte da equipe e as que tomam contato com as nossas ações para que elas almejem a carreira científica, estruturem-na e se mantenham firmes nela, realizando suas atividades da melhor maneira”, explica a professora. Ela ainda acrescenta que a iniciativa busca motivar meninas a descobrirem o interesse pela ciência e enxergarem-na como uma carreira possível.

Para a professora Camila Silveira, é necessário levar a pauta da igualdade de gênero a outros públicos envolvidos na pesquisa, além das cientistas. Foto: Arquivo Pessoal/Divulgação

Dessa forma, o Meninas e Mulheres nas Ciências desenvolve material didático para escolas e conteúdo para redes sociais voltados à ampliação das referências femininas do público, além de produzir exposições e ofertar cursos para qualificação profissional de professores voltada à equidade de gênero, assim como minicursos, oficinas, palestras e debates na mídia.

A demanda por material didático em formatos eletrônicos a partir da pandemia de Covid-19 direcionou o projeto para esse caminho. Em maio de 2020, foi disponibilizado um livro de passatempos online sobre o trabalho de pesquisadoras ligadas à contenção do novo coronavírus e desde então mais conteúdos digitais vêm sido produzidos pela iniciativa e postados em seu blog.

No dia 11 de fevereiro, em comemoração ao Dia das Meninas e Mulheres na Ciência, o Setor de Ciências Exatas da UFPR promoveu o evento remoto “Meninas nas Exatas: por elas para todos”. O encontro contou com oficinas, palestras, gincanas, rodas de conversa e outras atividades que buscaram ressaltar a participação feminina na ciência.

“É preciso conscientização de todos os gêneros, desde a infância, e um incentivo maior para meninas optarem pelo ambiente acadêmico e científico, deixando claro que é um ambiente para todos e que somos necessárias neles”, ressalta a professora Rita de Cássia, do Setor Palotina.

Contribuições que geram resultados

Coordenadora de pesquisa na PRPPG e professora do Departamento de Engenharia Mecânica, Ana Sofia D’Oliveira defende a importância das pesquisas acadêmicas para a sociedade. Foto: Marcos Solivan/Sucom-UFPR

O propósito das pesquisas acadêmicas é contribuir para a sociedade por meio de estudos em todas as áreas do conhecimento. “A pesquisa é uma colaboração importantíssima que temos para com a sociedade, é uma entrega que tem impactos diretos na qualidade de vida”, ressalta a coordenadora de pesquisa na PRPPG, Ana Sofia D’Oliveira.

Engenheira metalúrgica, doutora em Metalurgia e Materiais e professora titular do Departamento de Engenharia Mecânica, Ana Sofia lidera investigações em manufatura aditiva e em engenharia de superfícies na UFPR. A primeira é uma nova tecnologia para fabricação de componentes mecânicos, enquanto sua outra linha de pesquisa procura minimizar a degradação deles junto à superfície, reduzindo oxidação e desgaste.

A professora Alexandra Acco, do programa de Farmacologia e líder de pesquisas que envolvem oncologia, metabolismo e hepatotoxicidade, defende que a pandemia evidenciou a relevância do campo acadêmico e das mulheres cientistas na luta pela contenção da Covid-19.

“Creio que as mulheres têm percepções sobre utilidade que podem complementar muito bem as dos homens e contribuir muito em termos de avanço das pesquisas”, alega a professora Alice Grimm, do Departamento de Física. Entre os 27 mil pesquisadores mais influentes do mundo, seus planos são continuar a contribuir para o avanço do conhecimento em sua área.

Alexandra Acco é uma das 10 pesquisadoras que integram o PPG em Farmacologia da UFPR e líder de pesquisas que envolvem oncologia, metabolismo e hepatotoxicidade. Foto: Arquivo Pessoal/Divulgação

Os estudos realizados por Alice permitem prever impactos na agricultura, na geração de energia, na defesa civil e em numerosos setores econômicos que sofrem influência do tempo e clima, como construção, turismo, entre outros. “São assuntos relevantes tanto para o Paraná, grande produtor de alimentos e energia hidroelétrica, quanto para o Brasil”, reforça a professora.

A doutora Rita de Cássia, vencedora do prêmio L’Oréal-UNESCO-ABC Para Mulheres na Ciência 2020, compartilha o desejo de avançar na carreira. Ela trabalha com raios cósmicos, partículas de altíssima energia que viajam à velocidade da luz, e seu objetivo é compreender quais processos astrofísicos do Universo podem originá-las.

“A divulgação científica e os espaços de fala que tenho conquistado são oportunidades de mostrarmos à sociedade o que fazemos com a participação de todos”, conta Rita, cujo plano é ser um exemplo de perseverança para seus alunos e para a sociedade de modo geral.

Rita de Cássia pesquisa raios cósmicos e é professora do Departamento de Engenharias e Exatas do Setor Palotina da UFPR. Foto: Luciana Prezia/Via Zoom-Divulgação

Especialista em Divulgação Científica e coordenadora do Meninas e Mulheres na Ciência, Camila Silveira busca contribuir para a valorização de pesquisadores fora do ambiente acadêmico. O grande foco de seu estudo são museus de ciências, o que a faz ter contato com um grande número de pessoas, segundo ela.

“Meu plano é conseguir tornar a universidade um espaço cada vez mais diverso, representativo, em que as pessoas se sintam acolhidas”, aponta a professora. “É também mostrar para todos que no Brasil se faz ciência de muita qualidade e que, para isso, precisamos de muito apoio da população”.

Clique aqui e ouça o Especial Mulheres na Ciência do podcast Fala, Cientista, produzido pela Agência Escola UFPR

A Agência Escola UFPR preparou uma série de artes para comemorar este Dia das Mulheres. Você pode baixá-las abaixo e compartilhá-las em suas redes sociais!

Por Isabela Stanga
Sob supervisão de Chirlei Kohls
Parceria Superintendência de Comunicação e Marketing e Agência Escola de Comunicação Pública UFPR

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