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Paróquias polonesas são chave para entender história dos órgãos de tubo, diz estudo

A história já contava que a presença dos órgãos de tubo, instrumento musical de sopro, no Brasil, foi significativamente influenciada no século XX pela chegada dos imigrantes europeus. Mas uma novidade acaba de ser publicizada a partir de um trabalho realizado pelo acadêmico do curso de Luteria da UFPR, Matheus dos Santos, sob orientação do professor Thiago Côrrea de Freitas: paróquias das antigas colônias polonesas de Curitiba contribuíram significativamente para a instalação do instrumento na cidade. Embora o interesse seja o instrumento em si, fatos históricos, geográficos e humanos chamaram a atenção dos pesquisadores. 

Em texto publicado no Boletim TAK, eles descrevem um trabalho de catalogação e análise de dados coletados com o objetivo de reunir informações a respeito dos instrumentos existentes no estado. Ao todo, eles já sabem da existência de mais de 30. Destes, mais de 20 foram estudados e quatro localizados em igrejas construídas “no seio das antigas colônias polonesas”. 

Órgão da Igreja Sant’Ana de Abranches (Foto: Matheus dos Santos)

Na paróquia de Sant’Ana de Abranches, por exemplo, há um órgão de 270 tubos, com pintura original, relativamente conservada. O instrumento, segundo registram, funciona normalmente, “sendo utilizado em algumas missas, casamentos, e em ensaios do coro”. Já na Sagrado Coração de Jesus, única localizada na zona rural a possuir um órgão instalado, o instrumento está mudo. Pode-se conjecturar que tenha sido instalado ainda na primeira metade do séc. XX, devido ao seu aspecto e a tradição oral sobre sua existência“, escreveram os autores. 

Um outro achado do trabalho, além da conexão da colônia polonesa com a história dos instrumentos, foi a catalogação do órgão Cavaillé-Coll, de 1892, instalado na Igreja Nossa Senhora da Piedade. O professor explica que este pode ser considerado o mais importante do estado. “Aristides Cavaillé-Coll é para o órgão o que Antonio Stradivari é para o violino. Esse instrumento esteve na Catedral de 1902 até a década de 1950, quando foi montado um instrumento maior na Catedral e ele foi vendido”, explica. 

Além disso, Thiago comenta a importância das iniciativas individuais de pessoas que decidiram estudar e construir órgãos para uso pessoal ou das comunidades. Pelo menos três nomes foram identificados no levantamento: um em Curitiba, um em Quatro Pontes e um em Arapoti. “ Nosso foco não é a pesquisa histórica e sim a catalográfica, uma vez que em muitos casos, a existência desses instrumentos é conhecida apenas localmente”, explica. “Dessas pessoas, acabamos por escrever pequenas biografias que contextualizam o que os levou a construir os órgãos”. 

A pesquisa é desenvolvida com visitas após a confirmação da existência do órgão, mas o período de isolamento social forçou alguns ajustes, o que inclusive aumentou a abrangência do estudo. “Diante da impossibilidade no momento, passamos a usar e-mailvideochamada e telefone para realizar algumas visitas não-presenciais. Inicialmente estávamos limitando a pesquisa a Curitiba e região Metropolitana. Com a pandemia e a suspensão das visitas, decidimos aumentar a delimitação para todo o estado“, explica o professor. “Ainda precisamos contatar algumas igrejas no interior do estado para prosseguirmos com o levantamento de dados e, verificar a eventual existência de um instrumento”. 

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