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Mulheres reúnem-se em coletivos para discutir questões de gênero e desigualdade

Há exatamente um ano, no Dia Internacional da Mulher, estudantes afixaram no Setor de Ciências Sociais Aplicadas da UFPR cartazes com estatísticas sobre a desigualdade existente entre homens e mulheres, e convocaram para uma conversa informal sobre o tema. No encontro, alunas e professoras trocaram ideias sobre assuntos ligados à desigualdade de gênero e relatos de discriminação. Ali nascia o coletivo feminista Daisy – um dos vários grupos do gênero existentes na universidade.

A estudante de pós-graduação do Setor de Sociais Aplicadas Julia Gitirana  conta que o coletivo Daisy nasceu da necessidade de   um espaço para discutir as temáticas relacionadas ao feminismo. Para a professora Raquel Guimarães, do curso de Ciências Econômicas, esta é uma área onde ainda há ambientes machistas e marcantes diferenciais salariais no mercado de trabalho – o que torna muito importantes as discussões do coletivo.

A estudante de Ciências Econômicas Jessica Lima, que também participa do Daisy, diz que o coletivo de mulheres busca discutir  o machismo do ambiente acadêmico, que reflete os comportamentos, preconceitos e violências muito presentes em nossa sociedade, e que, mais do que tolerados, são reproduzidos dia após dia. “Sentimos a necessidade de nos unir para tornar este ambiente cada vez menos hostil para as mulheres, e trazer questionamentos, estudo e ações que nos direcionem a este fim”, afirma.

“No Daisy somos capazes de promover estratégias de reflexão e empoderamento que seriam muito mais difíceis de levarmos a cabo de maneira individual”, diz Carolina Bagattolli, professora de Ciências Econômicas da UFPR.

“Não podemos esquecer que políticas com impacto direto nas vidas das mulheres estão sendo decididas por homens, como aborto, redução de pena para estupro de vulnerável”, diz a estudante de Ciências Econômicas Ana Carolina Barbosa França Alves, ressaltando que o coletivo Daisy se  autodeclara apartidário.

Outros coletivos

Além do Daisy, a UFPR tem outros coletivos de mulheres, que se tornaram   espaços de troca de experiências e conhecimentos e de luta contra a opressão. Espalhados pelos diversos campi da universidade, eles se organizam de forma diferente, mas têm em comum o incentivo ao debate e intervenções práticas, como a denúncia de assédio e trotes violentos.

São grupos como o Vitória-Régia que surgiu em 2014, por iniciativa de estudantes de Comunicação, e o Coletivo Rosas, nascido de um  grupo de gênero que vinha se organizando desde o início de 2013 no curso de Psicologia.

Mulheres do curso de História, por sua vez, agruparam-se no coletivo “Aurora, o nascer do dia, o romper da aurora, o começo de qualquer coisa, a aurora dos novos tempos”.

O Coletivo Iara surgiu no curso de Direito da UFPR, como um grupo de estudos de gênero e estudos raciais voltado a debater e aprofundar temas como sexualidade, gênero e opressões de sexismo, racismo e homofobia dentro da faculdade.

O Coletivo Sou Neguinha foi fundado em 08 de março de 2012 para combater o racismo e dar apoio psicológico a estudantes negros, além de e fomentar  a promoção da identidade negra na universidade e fora dela.

Vanessa Fogaça Prateano, jornalista formada pela UFPR em 2009, criou o coletivo Nísia Floresta. Consultora de mídia e gênero da Comissão de Estudos sobre Violência de Gênero da OAB-PR e estudante do quarto ano de Direito da UFPR, ela conta que o coletivo nasceu   em maio de 2015, depois que várias amigas, todas jornalistas, expressaram entre si a necessidade de criar um espaço onde pudessem debater o machismo e a misoginia no jornalismo – seja nas redações ou na cobertura midiática.

“Nós sentimos a necessidade de falar a respeito do machismo e do assédio moral e sexual que vivíamos no cotidiano, por parte de chefes, colegas e fontes. E também tínhamos o desejo de ajudar a aumentar o número de mulheres na cobertura midiática, seja como fontes de informação, seja como personagens das matérias. E, mais do que aumentar a presença de mulheres, fazer com que essa presença redundasse em maior emancipação e equidade, ou seja, propiciar uma discussão sobre a forma pela qual a mulher é retratada”, conta Vanessa.

Ela observa que é comum ver na mídia mulheres “objetificadas sexualmente, ou colocadas em uma posição inferiorizada, de forma caricata, negativa”. “Queremos é promover uma imagem da mulher cidadã, sujeito de direitos, que estuda, trabalha, que pode fazer política e ir além das figuras tradicionais impostas ao gênero feminino”.

Por Cida Bacaycöa

 

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