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Concerto para piano marca lançamento de livro de partituras de Harry Crowl

Orquestra Filarmônica da UFPR
Orquestra Filarmônica da UFPR sob a regência de Márcio Steuernagel

Na próxima sexta-feira (26/05) a Capela Santa Maria recebe o concerto de lançamento do livro Marinas, que traz partituras das composições do diretor artístico da Orquestra Filarmônica da Universidade Federal do Paraná (UFPR), o maestro Harry Crowl.

A publicação traz o ciclo de 8 peças para piano inspiradas em cidades litorâneas, entre elas Antonina e Guaratuba, no litoral do Paraná, Cabo da Roca, em Portugal, e La Jolla, na Califórnia que dão nome às obras. O livro é resultado da pesquisa feita na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) pelo pianista Luiz Guilherme Pozzi. Confira abaixo alguns dados da biografia do compositor e trechos da entrevista que deu para nossa equipe.

Biografia de Crowl

Compositor e musicologo Harry Crowl, diretor artístico da Orquestra Filarmônica da UFPR e professor da Escola de Belas Artes do Paraná.
Compositor e musicologo Harry Crowl, diretor artístico da Orquestra Filarmônica da UFPR e professor da Escola de Belas Artes do Paraná.

Harry Crowl é compositor e musicólogo nascido em Belo Horizonte. Estudou no Brasil e nos EUA, na Juilliard School of Music. É ainda licenciado em Letras, pela Universidade Federal de Ouro Preto, onde também atuou como pesquisador de música do período colonial brasileiro até 1994. Estudou Comunicação e Semiótica na PUC-SP. Foi delegado brasileiro junto à SIMC (Sociedade Internacional de Música Contemporânea), entre 2002 e 2006. Com um numeroso catálogo de obras de sua autoria, sua música tem sido executada e transmitida frequentemente no Brasil e em vários países de todos os continentes por grupos e orquestras, dos quais se destacam o Trio Fibonacci (Canadá), o Ensemble Recherche (Alemanha), Orchestre de Flutes Français, Ensemble 2E2M (França), Moyzes Quartet (Eslováquia), The George Crumb Trio (Áustria), Cvartetul Florilegium (Romênia), Orquestras de Câmara da Rádio Romena, Orquestra de Câmara Cidade de Curitiba, Orquestras Sinfônicas do Paraná, de Minas Gerais e Municipal de Campinas. Atualmente, é Professor da Escola de Música e Belas Artes do Paraná, Diretor Artístico da Orquestra Filarmônica da Universidade Federal do Paraná e produtor de programas de rádio da E-Paraná FM.

Entrevista

Sobre a publicação

Harry Crowl – O livro surgiu do trabalho de dissertação de mestrado do pianista Luiz Guilherme Pozzi, que estudou aqui na [Escola de] Belas Artes [do Paraná]. Durante sua pesquisa ele fez uma edição crítica da partitura, na época eu escrevia tudo manuscrito, então foi feita a reprodução destes manuscritos originais com a edição comentada dele. Apresentamos o material para o Conselho Editorial da Editora da UFPR, o que levou à edição.

Sobre as composições presentes no livro

HC – Este é um ciclo de oito peças para piano, elas tem pelo título uma relação com o mar e por isso o título “Marinas”, eu pensei muito nestas pinturas, essas paisagens litorâneas que são conhecidas como Marinas ou Marinhas. São lugares do Brasil e do mundo em que eu estive e que levaram às composições. Essa é a ligação entre as peças.

Sobre o trabalho de composição

HC – Eu gosto muito de trabalhar num processo de diálogo entre a música e outras linguagens, ou literatura ou artes visuais, contemplação da natureza. Minha música sempre dialóga com a coisa externa e do ponto de vista estético é uma obra com uma tendência mais universalista, mas sempre partindo do ponto de vista de onde eu estou, desta forma, eu não uso nada de temática folclórica ou popular, para mim é o trabalho do som puro e simples. Eu trabalho de uma forma eu diria plástica, como se eu pegasse o som e o esculpisse levando em consideração as possibilidades técnicas de cada instrumento. Ou seja, um alto grau do que chamamos de idiomatismo, aproveitar as características técnicas de um determinado instrumento. Isso é feito de uma maneira tal para determinado instrumento que se for tentar fazer uma adaptação para outro instrumento vai virar algo diferente.

Sobre a produção no contexto da Orquestra Filarmônica da UFPR

HC – Eu assumi a orquestra em 2002, desde então eu escrevi várias obras que a orquestra tocou, mas também eu abri espaço para que outros pudessem fazer e desde que o Márcio [Steuernagel] assumiu como regente, em 2009, isso se tornou uma prática comum. Tanto eu como ele temos feito isso e a nossa principal realização foi a gravação do CD em 2013 em homenagem ao centenário da UFPR e aos 50 anos da orquestra. Foram compostas quatro obras dedicadas ao centenário, uma por mim, outra pelo Márcio, e outras duas por professores do Deartes [Departemento de Artes da UFPR] o Maurício Dottori e a Roseane Yampolschi. Isso é hoje parte da atividade da orquestra, todo ano, ou quase todo ano, tem pelo menos uma peça que é escrita especialmente para a orquestra ou por mim ou pelo Márcio ou por outro compositor convidado.

Sobre a relação entre o compositor e a regência

O Márcio foi meu aluno na Escola de Música de Belas Artes mas esteticamente ele é de uma escola mais recente. Vamos dizer que, comparado a ele, a minha música tende a ser um tanto mais conservadora, ele já se interessou por uma técnica mais recente e trabalha muito em cima disso. Por outro lado, como regente ele rege minha música muito bem e eu diria que quase como ninguém, ele conhece minha música muito bem, eu posso entregar uma partitura para ele e ir embora, sem me preocupar.

Eu já trabalhei com vários regentes, é uma coisa sutil depende da experiência de cada um com a linguagem do compositor, mas por exemplo, regentes que não estão muito acostumados com a música moderna, mais contemporânea, têm dificuldade de entender certos encaminhamentos, certas dissonâncias dentro da obra. O Márcio, por exemplo, conhece minha linha de raciocínio estético, se ele pegar uma partitura minha sem saber de quem é, é capaz de reconhecer, dizer ‘isso aqui é coisa do Harry’.

Sobre o cenário da música contemporânea para orquestra

HC – Ela tem o seu espaço, especialmente porque de uns tempos pra cá com as mídias sociais e as novas formas de comunicação ficou muito mais fácil de você descobrir nichos, então eu digo que o público do compositor atual é o mundo. Eu coloco gravações das minhas obras no Soundcloud e gente nos lugares mais inesperados possíveis acessam e isso dá uma circulação e uma visibilidade muito grande. Existe no Brasil uma atividade grande desse tipo de música, em todos os Estados. Atualmente, é lógico que é mais concentrado em São Paulo e no Rio até pela qeustão populacional, mas do Sul até o Norte tem compositores atuando, a maioria em universidades. Não há uma política por parte das orquestras sinfônicas de se encomendar obras. A OSESP [Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo] faz isso em São Paulo, eventualmente a [Orquestra] Filarmônica de Minas também, que são as orquestras de maior destaque. Mas por exemplo a [Orquestra] Sinfônica do Paraná não tem esse tipo de política, muito embora eles já tenham tocado várias músicas minhas, tanto a Sinfônica quanto a Camerata.

Sobre arte, cultura e a economia

HC – O entendimento por parte, vamos dizer, das autoridades compententes de que cultura, especialmente a arte, pode gerar uma cadeia de trabalho, uma economia, muito interessante, inclusive sustentável. É preciso ter um certo apoio sim, mas hoje em dia não se pensa mais numa série de concertos só pelo concerto em si. Os grandes teatros do mundo têm grandes livrarias, têm restaurantes, cafés, têm a divulgação por parte da área do turismo. Há também a venda de produtos, como os álbuns gravados, ou mesmo das transmissões ao vivo, com as novas tecnologias. A maioria das grandes orquestras internacionais podem ser assistidas de casa em tempo real, em altíssima qualidade e resolução, por meio da compra de assinatura.

É mas a pergunta que fica no final das contas, é tem que crescer o PIB, pras pessoas ter colocação ter emprego, ganharem mais e tá… fazer o que? Pra ficar em casa assistindo a Rede Globo e a TV à cabo. É bem verdade que no Brasil há uma cultura muito forte disso, se investiu muito nisso, das pessoas ficarem em casa assistindo televisão, ao contrário do que acontece, especialmente, na Europa, em que há uma cultura das pessoas saírem, de ir para a rua. A ideia de que assistir um espetáculo ao vivo, não só de música, mas de teatro, dança, enfim, tudo o que for performático, de ir a exposições e tudo mais é uma coisa que gera emprego, movimenta a economia, emprega mais pessoas. Sem falar que eleva a qualidade de vida tremendamente, as pessoas ficam mais atentas, mais espertas, desenvolve o senso crítico, se tornam mais propensas ao debate, melhoram a sua convivência.

Serviço

Concerto de lançamento de Marinasciclo de 8 peças para piano

Data: 26 de maio
Horário: 20h
Local: Capela Santa Maria (Rua Conselheiro Laurindo, 273)

Por Rodrigo Choinski

 

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