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UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARANÁ


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Livro “Nos bastidores da sala de aula” traz dicas para professores de todos os níveis

 

Com dicas práticas para a sala de aula, o livro traz as visões do professor e do aluno. Imagem: Divulgação

 

O livro “Nos bastidores da sala de aula” traz reflexões sobre a prática da docência e dicas de fácil aplicação para professores que queiram melhorar sua didática em sala de aula.

Lançado em junho deste ano pela editora Intersaberes, o livro é baseado nas experiências de Carlos Roberto Bacila; bacharel, especialista, mestre e doutor em Direito pela UFPR, onde atua como professor do Setor de Ciências Jurídicas. Atualmente, Bacila ocupa também o cargo de delegado da Polícia Federal.

O livro surgiu a partir das pesquisas que o autor fez para escrever uma biografia de Dale Carnegie, importante escritor e orador norte-americano que viveu de 1888 a 1955. Carnegie desenvolveu diversos cursos de treinamento corporativo, oratória e autoajuda, e é autor do best-seller “Como fazer amigos e influenciar pessoas”, popular até os dias de hoje.

A preparação para a biografia “A vida de Dale Carnegie e sua filosofia de sucesso” levou oito anos. Nesse período, Bacila viajou três vezes aos Estados Unidos, para visitar os locais importantes da história pessoal e profissional de Carnegie, e entrevistar pessoas relacionadas ao escritor.

Quando Bacila pesquisou sobre a vida de Carnegie, estudou também os pensadores que influenciaram o escritor, que são principalmente teóricos do pragmatismo norte-americano. Esse preparo levou Bacila a escrever “Nos bastidores da sala de aula”, em que faz uma análise experimental de 30 aulas, com as visões do aluno e do professor, e aplica os conceitos do pragmatismo norte-americano.

Bacila conversou com a Assessoria de Comunicação Social da UFPR sobre o seu mais novo livro, as ideias de Dale Carnegie, e os desafios atuais dos docentes.

 

O autor traz ferramentas do pragmatismo para auxiliar professores em sala de aula. Imagem: Divulgação

Qual foi a sua motivação para iniciar a pesquisa sobre a vida de Dale Carnegie?

Eu lia Carnegie havia 22 anos. Aos 14 anos, eu li o seu primeiro livro de oratória, porque queria prestar concurso para representante de turma no colégio onde estudava. Esse livro me preparou. Fui eleito representante de turma, e no ano seguinte, fui orador das turmas do colégio. Um aluno médio, como eu era, conseguiu um resultado que era disputado pelos melhores alunos do colégio. Isso me deu muito ânimo. A partir de então, eu tive vários sucessos profissionais: fui orador da turma da faculdade de Direito da UFPR e orador da turma de delegados. Quando prestei o meu primeiro concurso para professor, em 1992, fui aprovado e no mesmo dia comecei a dar aulas, após uma entrevista, com as categorias que eu aprendi com o Dale Carnegie.

 

Onde o senhor começou a dar aulas?

Eu fiz dois concursos em um ano. Um na Central de Concursos, onde comecei a lecionar, e no mesmo ano ingressei na PUC como professor, onde lecionei por 12 anos. Eu sentia muito a influência das regras de oratória de Dale Carnegie, elas me prepararam. E quando eu descobri que ele era uma pessoa muito inovadora nas áreas humanas, decidi escrever uma biografia sobre ele. Foram oito longos anos visitando os lugares mais importantes para ele.

Para escrever um capítulo sobre o curso dele, eu me senti obrigado a fazer o curso superior do Dale Carnegie, de 12 semanas, no Rio Grande do Sul. Depois, visitei o maior curso,em Nova Iorque, e a matriz do curso, entrevistando pessoas das mais elevadas hierarquias sobre a vida dele, e sobre como ele montou o curso. Foi uma pesquisa muito profunda.

Em 2012, a diretora de uma faculdade me provocou, dizendo que eu devia escrever sobre magistério, trazendo ideias do Dale Carnegie para a sala de aula. Em 2014, finalmente lancei o livro “Nos bastidores da sala de aula”, que tem essa visão de alteridade. Metade do livro é a visão do aluno, e metade é a visão do professor.

Para fazer isso com propriedade, eu fiz uma visita histórica autobiográfica, para lembrar de aulas que assisti e que me marcaram, tanto positivamente quanto negativamente.

 

Portanto, em seu livro, a visão do aluno são as suas próprias experiências?

São as minhas próprias experiências como aluno. Experiências fortes, marcantes, que influenciaram muito a minha vida estudantil. Mas ali, não é mais o aluno quem está falando, e sim o autor do livro, com o preparo que ele teve para interpretar essas experiências. Situações que eu passei como aluno e não entendia, só fui entender depois de estudar esses autores do pragmatismo.

 

O público alvo de “Nos bastidores da sala de aula” são professores de todos os níveis, ou o livro tem um alvo mais específico?

Professores de todos os níveis. A linguagem é extremamente acessível. Cada capítulo tem no final uma proposta de ferramenta, uma dica prática para o professor aplicar em sala de aula. Pragmatismo vem de ação, e se o professor se dispuser a aplicar uma simples ferramenta, já vai perceber que vai haver uma mudança de comportamento dos alunos em sala de aula. Isso vai estimular o professor a prosseguir utilizando outras ferramentas. Além de professores de todos os níveis, o público alvo também são profissionais e estudantes de todos os níveis.

 

Quais são os desafios que os professores encontram hoje na prática da docência e que são abordados em seu livro?

A nossa sociedade está vivendo momentos de crise. Quem discorreu muito sobre esse tema foi um neopragmatista, [o filósofo e sociólogo alemão Jürgen] Habermas, além de outros filósofos como Max Weber. Segundo Habermas, a crise hoje é a perda das boas tradições. A sociedade ficou muito administrativa, burocrática, e as pessoas sentem a influência da falta de tradições boas – não das preconceituosas. O jovem dos anos 70 tinha uma causa, que era a luta contra o sistema. Quando o jovem estudante de hoje atinge essa liberdade, temos o problema da crise de identidade, de perguntar qual é o seu objetivo agora. O professor tem sentido isso muito.

Eu noto que no Brasil, o professor ainda não conseguiu um lugar especial na sociedade. Todos dizem que é preciso melhorar a educação, mas vemos que o papel do professor na sociedade é muito pequeno. Há uma falta de reconhecimento.

O papel do professor é fundamental para a pessoa melhorar de vida, melhorar a qualidade do seu trabalho e sua remuneração, e melhorar as condições do seu planeta. Se a sociedade não vê isso, é sinal de que o professor não vê esse papel dele.

Nota-se que há uma falta de autoconfiança para o professor. Ele sente o problema, mesmo da questão do respeito que os alunos têm com o professor, que hoje está muito abalada. Tudo está ligado a um problema educacional amplo do nosso país, que tem esse problema da identidade. Então, o próprio professor se ressente dessa falta de confiança para exercer sua profissão.

 

Então, há uma contradição entre o consenso da sociedade de que a educação precisa ser melhorada e a falta de expressão do papel do professor na sociedade agora?

Sim, esses fatores estão ligados. A educação precisa ser melhorada em vários níveis, e o papel do professor é pequeno na sociedade, não é uma profissão valorizada. O político, por incrível que pareça, hoje tem uma visão ruim na nossa sociedade, mas é o mais requisitado. Os nossos valores se viraram para as pessoas que aparecem na mídia, e o professor, uma profissão tão importante para a sociedade, perdeu seu papel de destaque.

 

No seu livro, o senhor aborda o resgate da importância desse papel?

O livro procura trazer categorias profissionais para o professor aprimorar o seu magistério. Mas como existe também essa visão da alteridade, procuramos mostrar que o professor não faz educação por si só. Se não houver seres humanos que despertem em si próprios essa consciência, não tem sentido. Por isso o livro alterna as visões do aluno e do professor. Não adianta o professor fazer o melhor papel do mundo, se tivermos pessoas que não consigam, ou não queiram, ter essa visão. Tudo depende da vontade final.

As pessoas não podem achar que individualmente podem mudar o mundo. Um tema que nós tratamos é o apoio mútuo, que foi uma descoberta de Dale Carnegie. Ele desenvolveu o grupo de apoio a partir de 1912.

Carnegie usou originalmente a ideia de grupos de apoio para pessoas que achavam que não tinham a capacidade de falar em público. Suas técnicas e o grupo deram força para essas pessoas. Então, a minha sugestão é aplicar a ideia do grupo com os professores. Eles trazem os problemas para discutir entre o grupo. Assim, eles veem que não estão sozinhos. Às vezes o professor acha que o problema que está tendo em sala com os alunos é uma crise dele, e não é. Isso é uma crise nacional. Quando ele ouve isso de outros professores, se acalma. Em conjunto eles vão achar boas soluções.

O livro fala sobre o elogio às boas ações como forma de melhorar e progredir. Essa é mais uma contribuição do Carnegie. Na época em que ele trabalhava o curso, a regra era a palmatória para o aluno que fosse mal. Carnegie passou a descobrir e enaltecer as potencialidades nos seus alunos. A partir disso, ele viu progressos inacreditáveis.

Para escrever a biografia de Dale Carnegie, Bacila visitou locais importantes da vida do escritor. Imagem: Divulgação


Como as pessoas alcançavam essas mudanças?

Essas mudanças aconteceram por conta dessas ferramentas todas – que eu trouxe de Dale Carnegie, que trouxe do pragmatismo. Eu estou aplicando essas ferramentas no magistério. Não são ideias do Bacila, são ideias já testadas há um século aproximadamente, e que funcionaram para vários profissionais. Por isso eu digo que “Nos bastidores…” é um livro que tem um público universal. Todo mundo foi aluno, a princípio, e muitos são professores. Esse é um livro que serve para a pessoa fazer uma auto-avaliação também da sua condição com aluno.

É importante ressaltar que “Nos bastidores…” não é um livro de especulação abstrata, embora eu valorize a discussão de ideias. Ele é um livro de ação, porque aplicamos o pragmatismo, que é ação. Se não houver ação do professor, o livro não teve utilidade.

 

O senhor pode dar um exemplo de uma sugestão encontrada no livro, que os professores podem pôr em prática?

Em um capítulo, eu falo sobre a importância de mostrar o objeto sobre o qual se está discutindo teoricamente. Imagine o professor dar uma aula toda sobre “o livro”, e ele termina a aula e ninguém viu o livro. O que eu digo é: pegue o objeto, e mostre esse objeto. Faça o aluno olhar, e talvez até sentir e pegar. Essa é uma dica muito valiosa, porque o aluno pode dizer que sabe o que é um livro. São coisas simples, que o professor pode experimentar.

Eu relato uma das minhas aulas de investigação policial, em Goiânia, em que eu levei os alunos de pós-graduação para as ruas. Fomos ao parque, e a aula foi toda sensorial. Ao final da aula, os alunos me disseram que aquela havia sido a melhor aula que já tiveram.

No livro eu também conto minhas experiências ruins, que me fizeram querer melhorar. E não falo só de mim, eu uso as minhas experiências, mas a qualidade teórica do pragmatismo é do Dale Carnegie.

 

Houve uma adaptação dessas ferramentas do Carnegie, que são de um tempo e espaço diferentes?

Os meus exemplos são todos atuais, os mais recentes possíveis, ocorridos há dois ou quatro anos. É tudo real. Embora eu conheça a realidade na época, que era bem diferente, eu não me fixo em discuti-la.

 

O senhor conta um pouco da sua história na Universidade Federal do Paraná?

O centro de todo o livro é a Universidade Federal do Paraná. Falo dela em vários capítulos, porque a minha história toda está ligada à Universidade. Eu entrei na UFPR em 1986 como aluno, e estou aqui até hoje, como professor.

No capítulo que encerra o livro, que é o mais emocional, eu falo da Universidade como importante símbolo. Eu tenho uma ideia, há alguns anos, de isolar as ruas [que circulam o prédio histórico da UFPR na Praça Santos Andrade], deixar passar apenas um carro por vez na Rua XV de Novembro, ao lado do prédio, e também mudar os ônibus para a Rua Barão do Rio Branco, por onde eles passavam antes. Isso para preservar o prédio mais importante do Brasil, porque é a primeira Universidade do país. Nós teríamos ali uma área de contemplação, sem os riscos gerados para a estrutura do prédio histórico pelo trânsito, barulho e poluição.

A ideia também é construir um museu ao lado da Universidade. Essa é a ideia que está sendo lançada com “Nos bastidores da sala de aula”. Por que não valorizar o que é nosso? Começa por aí.

 

Por Helen Mendes

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