logo_branca_ufpr

UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARANÁ


UNIVERSIDADE
FEDERAL DO PARANÁ

UFPR e Incra criam turma especial de Direito para assentados e quilombolas

Zaki Akel e Cyro Fernandes Corrêa Jr. celebram a assinatura do termo de cooperação entre UFPR e Incra - Foto: Rodrigo Juste Duarte

Uma das pioneiras na adoção de políticas afirmativas como o sistema de cotas raciais e sociais, a UFPR dá mais um passo no sentido à democratização do conhecimento. Com a assinatura de um termo de cooperação com o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), realizada na terça-feira (29), está oficializada a criação de uma turma de Direito exclusiva para trabalhadores rurais assentados e de remanescentes de comunidades quilombolas.

A assinatura do convênio foi realizada no Salão Nobre da Faculdade de Direito, no Prédio Histórico da UFPR, na Praça Santos Andrade, e foi acompanhada por representantes de diversos movimentos sociais, como o Movimento Rural dos Trabalhadores Sem Terra, a Via Campesina, o Movimento dos Atingidos por Barragens, a Federação das Comunidades Quilombolas do Paraná, a Rede de Mulheres Negras, o Movimento Popular por Moradia e as Promotoras Legais Populares.

“É importante que o conhecimento que se acumulou ao longo da história seja democratizado”, disse Roberto Baggio, representante do MST e da Via Campesina. O superintendente regional substituto do Incra no Paraná, Cyro Fernandes Corrêa Júnior, destacou que o acesso aos instrumentos do Direito permitirá que trabalhadores rurais participem, em condições de igualdade, de disputas por terra.

Representantes de movimentos sociais acompanharam a solenidade - Foto: Rodrigo Juste Duarte

Momento histórico
O momento foi considerado histórico pelo diretor do Setor de Ciências Jurídicas da UFPR, Ricardo Marcelo Fonseca. “É a primeira vez que um curso tradicional, de uma universidade centenária e internacionalmente conhecida, atenderá uma turma de assentados – e neste mesmo campus, fazendo com que eles interajam com todos os demais estudantes, técnicos e professores.”

A iniciativa faz parte do Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária (Pronera), cuja missão é ampliar os níveis de escolarização formal dos trabalhadores rurais assentados por meio de cursos de educação básica (alfabetização, ensinos fundamental e médio), técnicos profissionalizantes de nível médio e cursos superiores e de especialização.

Na UFPR, a turma especial de Direito terá 60 alunos e as aulas serão realizadas durante a manhã, com os mesmos professores e mesma grade curricular das turmas regulares. A seleção será feita através do Exame Nacional de Ensino Médio (Enem) e as aulas começam em março de 2015.

O curso será realizado no mesmo espaço das demais turmas, no Prédio Histórico da universidade, com duração de cinco anos. Uma bolsa auxílio será ofertada para os alunos para garantir a permanência no curso. O investimento total do Incra na parceria é de R$ 1,6 milhão.

Pioneira
O reitor Zaki Akel Sobrinho ressaltou que a inclusão social é a grande marca da UFPR. Além das cotas raciais e sociais, ele lembrou do vestibular para indígenas e das políticas de acessibilidade a portadores de necessidades especiais. “Somos ainda a primeira universidade do Brasil a comprar alimentos de cooperativas de assentados para os restaurantes universitários”, destacou.

O Setor de Educação da UFPR também demonstrou interesse em fazer uma parceria com o Incra para abrir uma turma de Educação no Campo. Segundo Zaki Akel, dependendo da experiência com a turma especial de Direito, novos cursos podem ser ofertados para assentados e moradores de remanescentes de comunidades quilombolas.

Célio Yano

en_USEnglish