Ciclomobilidade: UFPR, PUC, UP e UTFPR apresentam primeiros resultados de parceria com a prefeitura de Curitiba e Holanda

20 junho, 2016
17:13
Por mauro1
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UFPR
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Professores apresentam os primeiros dados da pesquisa em evento na Prefeitura de Curitiba. Imagem: Maurilio Cheli/SMCS

Na última sexta-feira, dia 17, representantes da Universidade Federal do Paraná, Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR), Universidade Positivo (UP) e Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR) apresentaram os primeiros resultados de seus trabalhos sobre ciclomobilidade em Curitiba à administração municipal e ao cônsul honorário dos Países Baixos em Curitiba, Robert Ruijter. As pesquisas são produto de um acordo entre a Prefeitura de Curitiba e o governo holandês que busca trocar experiências para ampliar o potencial da bicicleta como meio de transporte na cidade, por meio de projetos inovadores nas áreas de arquitetura, planejamento urbano e design. O Termo de Entendimento entre Instituições Brasileiras e Holandesas para Aumentar o Potencial de CicloMobilidade Rumo a uma Smart Curitiba tem como objetivo, ainda, consolidar a bicicleta como opção de mobilidade segura e abrangente na cidade.

Segundo o prefeito, Gustavo Fruet, essa é uma de várias parcerias que a prefeitura já fez com a UFPR. “Isso é um ganho excepcional para a cidade”, afirmou. Segundo ele, o papel do termo é avaliar o projeto de ciclomobilidade, as tendências de deslocamento do morador da cidade e o compartilhamento das vias públicas e sistemas viários com diferentes modais. “Os dados apresentados até agora mostram que muitas ações têm ajudado a reduzir os acidentes fatais, os atropelamentos e incentivar a população a ter um olhar de respeito, principalmente com a parte mais frágil [do trânsito]: as pessoas com deficiência, os pedestres e os ciclistas. Então, no momento que a Universidade participa disso, além de dar muita credibilidade, dá uma garantia de formação, de método para que os ajustes necessários sejam realizados”.

“A parceria da academia em diversos projetos implantados em Curitiba tem sido fundamental para o desenvolvimento da cidade. Esperamos que esse cenário se expanda com os projetos elaborados por meio da parceria com a Holanda”, disse a secretária municipal de Trânsito, Luiza Simonelli, que acredita vê a ciclomobilidade como uma das principais áreas de investimento para um melhor planejamento da cidade.

Pesquisa integrada

UFPR, PUC, UP e UTFPR apresentaram dados preliminares, resultado do primeiro ano de pesquisa sobre os modais de transporte utilizados por membros da comunidade acadêmica. Os dados correspondem a 2,5% da população das universidades e, segundo eles, os principais fatores que dificultam o uso da bicicleta como meio de transporte são a relação entre motoristas e ciclistas e a insegurança no trânsito, seguidos pela falta de vias cicláveis e a insegurança pública.

No quadro geral, o modal mais utilizado é o transporte público (47,39%). Carros vêm em seguida (37,29%) e a bicicleta é utilizada por apenas 3,7% das 7.500 pessoas que responderam ao questionário. A UFPR se destaca como a instituição com maior adesão à bicicleta entre as instituições pesquisadas: 6,85%.

“Esse perfil é muito interessante para mapear as demandas que nós vamos ter”, declarou o reitor da UFPR, Zaki Akel Sobrinho. “Isso vai resultar, mais além, em aumento no número de ciclovias – já estamos solicitando à prefeitura que haja ciclovias ligando todos os nossos campi – e também ampliar a infraestrutura dentro dos campi para que as pessoas possam parar as bicicletas e até mesmo guardar seus equipamentos e fazer um pequena higiene antes de começar a estudar ou trabalhar”.

Imagem: Maurilio Cheli/SMCS

Imagem: Maurilio Cheli/SMCS

“Ficamos muito felizes que esse seja um trabalho interinstitucional, com participação inclusive de instituições holandesas, e acho que essa transferência de tecnologia é muito importante”, completou. O professor Marcelo Risso Errera, do Departamento de Engenharia Ambiental da UFPR, faz parte da equipe que está tocando a pesquisa e concorda com o reitor. “A prefeitura e o consulado holandês mobilizaram quatro universidades para trabalhar juntas em uma rede de cooperação. Isso é muito bom e muito raro”.

Ele ressalta, ainda, que já havia ações nas instituições – como, por exemplo, o projeto Ciclovida na UFPR, coordenado pelo professor José Carlos Assunção Belotto. “Junto com as ações individuais, nós sentamos e começamos a fazer esse projeto. Esse é só um primeiro diagnóstico, ainda virão várias coisas”. A previsão é de que o projeto dure, ao todo, cinco anos.

Nova cultura

O cônsul lembrou que a mudança de hábitos no trânsito demanda tempo, e que a Holanda precisou de 40 anos até a bicicleta se tornar o principal modal de transporte. “Mas não se pode apenas copiar em Curitiba o que foi feito na Holanda. É importante que a cidade encontre seus próprios caminhos e que todos estejam envolvidos, poder público, universidades, empresas e a sociedade em geral”, explica Ruijter.

“Imagine se uma massa de professores e alunos começarem a, naturalmente, sair de casa, pegar sua bicicleta e ir pro campus”, propõe Errera. “Com segurança, regularidade, com a sensação de que vai chegar inteira do outro lado, que vai poder carregar o notebook e no final vai estar lá. Se conseguirmos isso, vamos causar um impacto muito grande. Porque isso faz bem para as pessoas. Pedalar faz bem”.

Na ocasião, também foram apresentados trabalhos de dois estudantes da Universidade de Twente (Holanda), que passaram recentemente por um período de estágio na Coordenação de Mobilidade Urbana da Secretaria Municipal de Trânsito (Setran).

Com informações da Prefeitura de Curitiba.

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