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Centro de Estudos do Mar desenvolve projeto com pescadores para reduzir impacto na fauna

 

Pesquisadores e gestores de oitos países da América Latina e Caribe participaram de um workshop sobre redução da fauna acompanhante, realizado em Governador Celso Ramos/SC, entre os dias 7 e 10 de junho de 2016. Foto: Núcleo de Estudos em Sistemas Pesqueiros e Áreas marinhas Protegidas

Os pescadores do litoral paranaense vão participar, a partir do mês que vem, de um projeto do Centro de Estudos do Mar, da Universidade Federal do Paraná, chamado “Rede Viva: Adoção de dispositivos tecnológicos para redução da captura fauna acompanhante na pesca artesanal de arrasto de camarões no litoral do Paraná e de Santa Catarina”. A finalidade é estimular pescadores a utilizarem redes de arrasto de camarões modificadas para reduzir o impacto ambiental, especialmente da fauna acompanhante que são camarões e peixes ainda em crescimento.

Há mais de 60 espécies de peixes, crustáceos e outros invertebrados – de baixo valor econômico que são capturados e na maior parte das vezes é descartada. De acordo com o pesquisador Rodrigo Pereira Medeiros, a composição varia e dependendo da região, período do ano e tamanho da embarcação, os peixes e camarões ainda em crescimento correspondem entre 40 e 90% do total capturado. Ou seja, para cada quilo pescado, os camarões – principal objetivo da pescaria – correspondem apenas, entre 100 e 500g do total capturado.

O pesquisador Rodrigo Pereira Medeiros. Foto: Núcleo de Estudos em Sistemas Pesqueiros e Áreas marinhas Protegidas

O Centro de Estudos do Mar tem realizado experimentos científicos neste sentido desde 2008, sob a coordenação do professor Henry Louis Spach, com modificações nas redes de arrasto, em modelos já testados em outros países, como Estados Unidos e Austrália. Conhecidas internacionalmente como bycatch reduction devices, ou BRD, essas redes são alteradas a fim de  permitir a exclusão de peixes e camarões em crescimento, estrelas do mar e água vivas, a partir do fluxo de água, e criam espaços para que esses indivíduos  possam escapar. O pesquisador explica que há diferentes modificações nas redes e que é possível reduzir entre 30 e 80% a quantidade  de peixes  e crustáceos  jovens capturada.

Como parte das ações do projeto “Rede Viva”, os modelos de BRD que serão testados no litoral do Paraná pelo CEM/UFPR já foram apresentados para comunidades pesqueiras localizadas na Área de Proteção Ambiental de Anhatomirim, litoral central de Santa Catarina. Estas ações são realizadas em parceria com o Centro Nacional de Pesquisa e Conservação da Biodiversidade Marinha do Sudeste e Sul e Área de Proteção Ambiental do Anhatomirim, ambas estruturas do Instituto Chico Mendes. A meta é iniciar o diálogo com pescadores de Pontal do Paraná, Guaratuba, Matinhos, Superagui e Guaraqueçaba, em várias etapas durante todo o ano.

Modelos de redes modificadas. Foto: Núcleo de Estudos em Sistemas Pesqueiros e Áreas marinhas Protegidas

A partir do mês que vem serão realizadas reuniões com grupos de pescadores para explicar o projeto e as vantagens da rede modificada, depois em outra etapa, os pescadores irão acompanhar a pesca com a rede modificada  e por fim, será feito  um encontro sobre avaliação do novo método. A expectativa é que os pescadores passem a usar voluntariamente o equipamento que está sendo proposto. Além de contribuir com o desenvolvimento das espécies e preservar a fauna estarão tendo um ganho financeiro em qualidade do produto pescado e em tempo de trabalho. Utilizando as redes convencionais, calcula-se que o pescador leva de 40 minutos a uma hora para separar o que será vendido e o que será descartado e com a rede modificada, como a captura de peixes e crustáceos jovens é menor, este tempo cai para 20 minutos, explica o pesquisador.

Os experimentos têm a participação de estudantes de graduação da UFPR em Oceanografia e de mestrado, doutorado e pós-doutorado em Sistemas Costeiros e Oceânicos e contam com recursos da FAO (Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação).

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