Sars-CoV-2 nos esgotos de Curitiba e Belo Horizonte têm aumento vertiginoso; análise antecipa casos clínicos

24 maio, 2022
12:08
Por Lais Murakami
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Ciência e Tecnologia

A Rede Monitoramento Covid Esgotos publicou nova Nota de Alerta informando o aumento observado nas cargas de Sars-CoV-2 nos esgotos de Curitiba e de Belo Horizonte. O informe é resultado da análise realizada nas semanas epidemiológicas 18 a 20 de 2022, que compreendem o período entre 1º e 19 de maio.

Em Curitiba, já havia sido identificado forte aumento das cargas de Sars-CoV-2 no esgoto no período entre 19 de abril e 3 de maio. Agora, a última investigação aponta que as cargas aumentaram ainda mais ao longo do mês de maio. Nas últimas semanas, as somas das cargas de Sars-CoV-2 no esgoto atingiram valores mais elevados, iguais a 449 e 342 bilhões de cópias genômicas do vírus por dia por 10 mil habitantes, nas semanas epidemiológicas 19 (10/05) e 20 (17/05) respectivamente. Esses valores são cerca de duas vezes superiores aos obtidos na semana epidemiológica 18 (03/05), que chegaram a ser seis vezes mais altos do que os registrados até 12 de abril.

O número de novos casos de Covid-19 em Curitiba também teve aumento, de aproximadamente três vezes na semana epidemiológica 20 (17/05), comparado ao período anterior. Os dados de carga de Sars-CoV-2 para a capital paranaense foram obtidos pela soma das cargas das cinco Estações de Tratamento de Esgotos (ETEs) monitoradas, que juntas atendem toda população de Curitiba e uma fração da população da região metropolitana.

Carga de Sars-CoV-2 e número de novos casos de Covid-19 em Curitiba ao longo do período de monitoramento

Belo Horizonte

Na capital mineira, a análise das semanas epidemiológicas 18 (03/05) e 19 (10/05) observou um aumento quase cinco vezes superior ao registrado na última semana de abril. Foram notadas cargas virais no esgoto iguais a 31 e 72 bilhões de cópias genômicas do Sars-CoV-2 por dia por 10 mil habitantes, nas semanas 18 e 19 respectivamente.

O aumento do número de novos casos de Ccovid-19 também vem sendo observado em Belo Horizonte. Comparado à semanada epidemiológica 17 (26/04), houve um aumento de cerca de duas vezes no número de novos casos confirmados e de cerca de seis vezes no número de novos casos suspeitos na semana 19 (10/05). Os dados de carga de Sars-CoV-2 para a cidade foram obtidos pela soma das cargas afluentes às duas Estações de Tratamento de Esgotos monitoradas (ETE Arrudas e ETE Onça), que juntas atendem cerca de 70% da população da capital e de parte da cidade de Contagem – MG.

Carga de Sars-CoV-2 e número de novos casos de Covid-19 em Belo Horizonte ao longo do período de monitoramento

O professor Ramiro Gonçalves Etchepare, do Departamento de Hidráulica e Saneamento da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e um dos pesquisadores da Rede Monitoramento Covid Esgotos, reforça que não há evidências sobre a possibilidade de transmissão do Sars-CoV-2 por meio do esgoto. “Não há relatos documentados de que o vírus tenha capacidade de infecção e replicação quando presente em resíduos fecais, esgoto sanitário e na água. Pesquisas indicam que nunca foi descrita infecção por Covid-19 por esses meios de exposição”.

Os resultados das pesquisas de epidemiologia baseada nos esgotos apontam que ela tem sido uma ferramenta importante para o acompanhamento da pandemia de Covid-19. A quantificação viral no esgoto é capaz de antecipar em até duas semanas os casos clínicos divulgados.

Para mais informações, confira a Nota de Alerta na íntegra.

Sobre a Rede Monitoramento COVID Esgotos

A Rede Monitoramento Covid Esgotos foi criada com intuito de ampliar a disponibilidade de informações para o enfrentamento da pandemia de Covid-19 por meio do monitoramento do Sars-CoV-2 nos esgotos das capitais brasileiras Belo Horizonte, Curitiba, Fortaleza, Recife, Rio de Janeiro e do Distrito Federal. A Rede é coordenada pelo Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Estações de Tratamento de Esgotos Sustentáveis (INCT ETEs Sustentáveis) e pela Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), com apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Em Curitiba, especificamente, o projeto é coordenado pela Universidade Federal do Paraná (UFPR) e conta com o apoio da Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar).

Informações mais detalhadas sobre os pontos de monitoramento, incluindo a justificativa para o monitoramento de cada ponto, podem ser obtidas no Boletim de Apresentação da Rede. O histórico de resultados da Rede pode ser consultado nos Boletins de Acompanhamento, disponíveis na página da ANA.

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Foto de destaque: Daniel Castellano / SMCS

 

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