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UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARANÁ


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FEDERAL DO PARANÁ

Aluno da primeira turma de cotistas negros da UFPR defende tese de doutorado no dia 7

A UFPR agendou para o próximo dia 7 a defesa de uma tese de doutorado que, além da importância natural de um evento como esse para os envolvidos, carrega uma expressiva carga simbólica para a instituição e os movimentos sociais. O doutorando – Wellington Oliveira dos Santos, de 31 anos – é egresso da primeira turma de cotistas raciais da universidade, em 2005, e é o primeiro cotista apoiado pelo Programa Afroatitude na UFPR a defender uma tese de doutorado na instituição.

O Afroatitude foi lançado pelo governo federal na fase inicial de implantação das políticas afirmativas, quando oito universidades públicas tinham políticas próprias de cotas – entre elas a UFPR. O objetivo era apoiar alunos negros cotistas, fornecendo bolsas em projetos de pesquisa e extensão e desenvolvendo estratégias para elevação da auto-estima e enfrentamento do preconceito.

Wellington não é o único “filho” do programa a chegar ao doutorado – há pelo menos mais cinco egressos da UFPR inscritos em programas de diversas universidades. Mas ele será o primeiro a defender sua tese na instituição. Por isso a data será celebrada como um marco, com uma programação que inclui um encontro de egressos e cotistas negros/as da UFPR, marcado para o mesmo dia da banca (veja programação abaixo).

“Será a comemoração de um resultado de qualidade inegável, obtido por um pesquisador que desde o início de sua trajetória acadêmica teve  um ótimo desempenho e desmentiu o argumento de que o ingresso de cotistas iria diminuir o nível das universidades”, afirma o professor Paulo Vinícius Baptista da Silva, do Núcleo de Estudos Afrobrasileiros da UFPR e orientador de Wellington tanto no mestrado quanto no doutorado.

Para a professora Maria Tarcisa Silva Bega, que era vice-reitora quando a UFPR discutiu e aprovou o Plano de Metas de Inclusão Social e Racial e trabalhou diretamente na implantação do Afroatitude., a conquista de Wellington tem um forte simbolismo.  “Ter um doutor negro, cotista, se titulando na UFPR representa para mim o sucesso da política e sua função social no combate ao preconceito e à intolerância. Indica, para a comunidade negra, interna e externa, que estes jovens podem sonhar e efetivar seus sonhos. E demonstra, da parte dessa primeira turma de cotistas, alta capacidade de resiliência e de mobilização para a luta cotidiana dentro dos espaços da instituição”, afirma Maria Tarcisa, que é professora do Departamento de Sociologia e do Programa de Pós-Graduação em Sociologia da UFPR.

Trajetória

A tese de Wellington Oliveira dos Santos, que integra o Programa de Pós-Graduação em Educação da UFPR, consiste num estudo comparado entre políticas educacionais antirracistas no Brasil e na Colômbia.

As questões raciais são seu objeto de estudo desde a graduação em Psicologia. A monografia de conclusão de curso versou sobre a percepção de estudantes que não haviam ingressado pelo sistema de cotas acerca do sistema de cotas e dos cotistas. No mestrado, também na UFPR, Wellington analisou a presença de personagens negros/as e brancos/as em ilustrações presentes em livros didáticos de Geografia para o 2° ano do ensino fundamental recomendados pelo Programa Nacional do Livro Didático em 2010.

“Ele vem colocando seu investimento intelectual num tema que é  muito importante não apenas para a comunidade negra, mas para o país”, diz o orientador.

De acordo com Wellington, esse foi um caminho natural para quem, depois de fracassar no primeiro vestibular, conseguiu ingressar na universidade graças ao sistema de cotas – e teve sua vida transformada por essa oportunidade. Filho de pais que se conheceram em Curitiba depois de serem empurrados para a capital pelo êxodo rural, o doutorando faz parte da primeira geração da família a chegar ao ensino superior. O pai morreu cedo e a mãe, Lucinda, que só tem o ensino fundamental, criou os três filhos trabalhando boa parte da vida como empregada doméstica e diarista.

Ao entrar na universidade, Wellington passou a trabalhar como garçon e complementava a renda catando latinhas no caminho entre o centro da cidade e o Centro Politécnico, que fazia a pé para economizar. Depois, incluído entre os 50 cotistas negros atendidos pelo Afroatitude na UFPR, ele passou a se sustentar com a bolsa que recebia.

Mas o programa foi bem mais que isso na vida de Wellington. A partir do Afroatitude, ele se integrou ao Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros (NEAB) da universidade e encontrou um caminho para a pesquisa. “Aprendi que argumentar que os negros são minoria na mídia brasileira, algo que eu sabia há anos, não bastava: era preciso pesquisar, interpretar, qualificar e quantificar os espaços ocupados de um modo que fosse possível ser verificado por outros estudiosos – em outras palavras, era preciso fazer ciência”, escreveu na introdução de sua dissertação de mestrado.

Hoje, Wellington é professor da cadeira de Psicologia da Educação da Universidade Estadual de Goiás. E, claro, um orgulho para a família. “Minha mãe está convidando pessoas que eu  nem conheço para assistir à  defesa de tese”, conta. “Para mim, é uma grande vitória, mas acho que é algo que extrapola o círculo pessoal. É a prova do sucesso da política de cotas, que não apenas favorece os cotistas, mas enriquece a universidade ao trazer para dentro dela outros olhares e outras realidades.”

Avaliação

Para o professor Paulo Vinicius, a política de cotas apresentou avanços e retrocessos ao longo dos anos, mas sua efetividade é inegável. “Nesse período a UFPR formou mais alunos negros do que em toda a sua história anterior, de quase cem anos”, diz.

“Hoje a universidade é multirracial na graduação e demonstra caminhar no mesmo sentido na pós-graduação. Com isso teremos mais doutores afrodescendentes, quebrando um padrão de pirâmide escura na sua base, mas que se torna branca no topo”, afirma a professora Maria Tarcisa, que fará parte da banca examinadora de Wellington no dia 7.

Lorena Aubrift Klenk

 

PROGRAMAÇÃO – 7 DE FEVEREIRO

Defesa da tese “Políticas educacionais antirracistas no Brasil e na Colômbia – estudo comparado”

Horário: 13h30

Local: Sala Homero de Barros – Edifício Dom Pedro I da UFPR – Rua General Carneiro, 460 – 1º andar

 

Encontro de egressos e cotistas negros/as da UFPR

Local: Sala Homero de Barros – Edifício Dom Pedro I da UFPR – Rua General Carneiro, 460 – 1º andar

18h – Coquetel de boas vindas

18h30 – Apresentação Ivo de Queiróz (Samba do Compositor e NEAB UTFPR): Homenagem a Clementina de Jesus em seu aniversário de nascimento.

19h – Saudações e relatos de egressos cotistas negros/as e Afro-Atitude UFPR. Convidados: ex-ministra das Mulheres, Igualdade Racial e Direitos Humanos Nilma Lino Gomes (UFMG); ex-reitor  Carlos Augusto Moreira Jr;  ex-vice-reitora Maria Tarcisa Silva Bega; Dora Lúcia Bertúlio, ex-procuradora da UFPR;  Claudia Miranda (UNIRIO); Programa Afro-Atitude UFPR (2005-2007); Gestão UFPR 2017-2020. Egressos Afro-Atitude e cotistas negros UFPR.

20h – Lançamento do livro “Ações Afirmativas no Brasil: experiências bem sucedidas de acesso na pós-graduação” Ed. Cortez, 2016. Apresentação Prof. Dr. Valter Roberto Silverio (UFSCAR).

20h15 – Confraternização

 

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