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UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARANÁ


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“Era bem cansativo, mas nunca pensei em desistir” | Michele Alves, farmacêutica pela UFPR

10 anos de cotas - logo azul

 

Há dez anos, a UFPR passava a fazer parte do escasso grupo de universidades brasileiras pioneiras na implantação de uma política afirmativa voltada à democratização do acesso ao Ensino Superior público no país – especialmente aos afrodescendentes, aos povos indígenas e aos alunos da escola pública.

 

Com a Resolução 37/04, o Conselho Universitário da UFPR instituía o Plano de Metas de Inclusão Racial e Social e definia que, já a partir de 2005, os vestibulares da instituição deveriam disponibilizar 20% de suas vagas para estudantes negros e 20% para candidatos vindos da escola pública. Isso valendo para todos os cursos de graduação, técnicos e ensino médio oferecidos pela Universidade.

Esse sistema próprio de cotas da UFPR evoluiu, uniu-se a outras ações afirmativas da Universidade e, durante dez anos, garantiu o acesso e a permanência de estudantes em situação de desvantagem social no cotidiano acadêmico da mais antiga universidade brasileira.

A iniciativa que abriu os caminhos para maior inclusão social dentro da UFPR mostrou-se acertada. Em 2012, o Governo Federal criou a Lei de Cotas, de forma progressiva até 2016, com a reserva de 50% das vagas em todas as universidades e institutos federais garantida para alunos oriundos integralmente do ensino médio público – com recortes para famílias de baixa renda e autodeclarados pretos, pardos e indígenas. No processo seletivo 2015/2016, a UFPR já passou a utilizar os parâmetros da Lei Federal.

Mas será que esses avanços continuam quando o diploma universitário já está nas mãos? O que os egressos do sistema fizeram da oportunidade? Que relevância a UFPR teve em suas vidas? E como hoje veem as cotas?


Buscando disseminar um pouco da experiência desses egressos, o Portal da UFPR vem publicando alguns relatos que mostram o ponto de vista de quem vivenciou o sistema de cotas. A iniciativa é resultado de ideia da própria comunidade acadêmica, concretizada pela técnica Francine Rocha – também doutoranda em Educação pela Universidade e coordenadora da Assessoria a Projetos Educacionais e de Comunicação do Setor de Ciências Biológicas.

O texto que segue mostra que fôlego e determinação para esses estudantes são tão necessários quanto a própria nota do vestibular. A autoria é de Francine Rocha.


MICHELE ALVES, 31 ANOS

farmacêutica e servidora do HC

Michele circularMichele é a primeira de sua família a se graduar no ensino superior: “o bom é que isso vai puxando os outros e as expectativas de um futuro melhor tornam-se mais reais, porque sem uma profissão, uma graduação superior, as possibilidades profissionais realmente ficam muito restritas. Um curso superior, ainda mais na UFPR, pesa muito no currículo, com certeza”, menciona, referindo-se ao fato de que acabou se tornando exemplo para suas irmãs e demais familiares.

Estudante de ensino público, Michele tentou três vezes o vestibular para Farmácia e Bioquímica. Foi aprovada na última, no processo seletivo que foi o segundo realizado pela UFPR com cotas. No Colégio da Polícia Militar, onde sempre estudou, eram feitos “testes vocacionais” e o dela sempre indicava esse curso como de sua preferência.

Mesmo contra a vontade do pai, o qual preferia que ela se dedicasse à carreira militar como ele (até porque ela havia sido aprovada em concurso público para ingresso na PMPR ao final do ensino médio), Michele não pestanejou em optar pela UFPR, mas teve que trabalhar concomitantemente ao curso para não pedir ajuda financeira aos familiares, especialmente ao pai. Como o seu curso era integral, trabalhava na Celepar das 18h às 24h, serviço no qual ingressara por concurso em cargo que não tinha nenhuma relação com a carreira pretendida. “Era bem cansativo, mas nunca pensei em desistir. Só que percebo hoje que trabalhar me impossibilitou de aproveitar mais a Universidade”, avalia.

Trabalhar para estudar

“Participar do projeto de extensão Informação e Saúde [Setor de Ciências Biológicas] foi bem importante para a minha formação, pois falávamos sobre saúde pública para um público bem diversificado em unidades de saúde, igrejas, escolas, centros de referência etc. Além disso, participamos de Congressos, Evincis e publicamos sobre nossa experiência. Vejo que, se tivesse tido mais tempo só para estudar, poderia ter aproveitado outras oportunidades que surgiram, como uma iniciação científica que não pude assumir porque não tinha como conciliar os horários e as responsabilidades do curso e do trabalho”. Sua atividade laboral também fez com que Michele não conseguisse se formar junto com as colegas, pois teve que ficar um semestre a mais para negociar com seu emprego um novo horário que lhe possibilitasse cursar a única disciplina que faltava, disponível apenas à noite.

Quanto à sua trajetória acadêmica na graduação, Michele relata que as dificuldades que enfrentou “decorriam do ensino público e por ter trabalhado concomitantemente, e não por ser cotista racial, por ser negra”. Quanto às cotas, afirma que “parece ser concorrência desleal, mas não é; afinal é uma universidade pública e deve retratar a composição da própria sociedade”.

Tão logo se formou, Michele foi contratada pela Fundação da Universidade Federal do Paraná (Funpar) para compor, como bioquímica, uma equipe de pesquisa junto ao Laboratório de Imunogenética do Hospital de Clínicas da UFPR. Tratava-se de uma pesquisa de desenvolvimento, patrocinada por uma renomada indústria farmacêutica, destinada à testagem de medicamentos junto a pacientes com leucemia. Michele era a bioquímica responsável pelo experimento nessa fase. “Era um trabalho muito bacana, bastante estressante porque envolvia muita responsabilidade. Sem contar que eu trabalhava oito horas no HC e continuei ainda por mais um tempo trabalhando na Celepar à noite. Fiz isso por ainda um tempo até pedir exoneração do emprego e continuar com a pesquisa, onde fiquei por dois anos e meio, até ser convocada pelo próprio HC após um concurso que prestei para o cargo de técnico farmacêutico. Aí ficou impossível conciliar os horários da pesquisa com o do novo emprego e eu saí do projeto, faz um ano.”

Quanto ao futuro, Michele não tem dúvidas: “Agora eu preciso fazer mestrado. Por conta de meu novo emprego no HC, terminei recentemente uma pós-graduação em Farmácia Hospitalar. Mas o que eu quero mesmo é fazer mestrado na área que estou atuando”. E Michele, que já está casada há alguns anos, pretende ser mãe em breve.

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