Uma chance em 10 mil: três anos depois do transplante, receptora e doador de medula óssea encontram-se no HC

18 maio, 2018
13:28
Por Bruna Goncalves
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UFPR

Uma chance em 10 mil. Essa era a probabilidade de Maria Eugênia Rosa encontrar um doador de medula óssea compatível que pudesse lhe dar a chance de ver seus filhos crescerem. Mas o que parecia quase impossível aconteceu. Mais de três anos depois, Maria Eugênia e o doador que lhe devolveu a vida – o médico Vinicius Gurierrez Parise – finalmente se conheceram nesta sexta-feira (18), durante um encontro no Hospital de Clínicas da UFPR, onde o transplante foi realizado no fim de 2014.

A procura por um doador de medula começou pela família, mas não havia ninguém compatível. Nesses casos, a solução para o paciente é procurar um doador entre não familiares. É então que entra em cena o Registro Nacional de Doadores Voluntário de Medula Óssea (Redome).

Foram quatro anos até que o telefone tocasse pela primeira vez avisando sobre a possibilidade de compatibilidade com um doador na Alemanha. Mas o possível candidato desistiu do processo e Maria Eugênia voltava ao início da busca. “Eu pensei que então não era mesmo para ser. Continuaram buscando e alguns meses depois encontraram quem me devolveu a vida”, lembra ela.

Em novembro de 2014 a possibilidade deixou de ser um dado estatístico, ganhou nome e sobrenome: Vinicius Gurierrez Parise, um rapaz que havia acabado de se cadastrar no Redome. “Algumas coisas são para ser mesmo. Eu me cadastrei quatro meses antes de me ligarem. E quando me perguntaram se eu queria continuar o processo de exames para a doação eu não pensei duas vezes. Você salva uma vida”, diz Parise.

Maria Eugênia, ao lado de Vinícius: “Eu queria abraçá-lo. Foi através da vida dele que eu renasci”. Fotos: Marcos Solivan – Sucom/UFPR

Ele lembra que é alta a taxa de pessoas que, depois de se cadastrarem no Redome, desistem ao receber a ligação para efetivar a doação. “Para quem tem dúvidas, digo apenas que hoje eu estou aqui saudável e bem. E ela também. Isso diz tudo. É um processo simples, tranquilo”.

O encontro entre os dois aconteceu no ambulatório de Transplante de Medula Óssea (TMO), onde, ao longo do tratamento, Maria Eugênia ganhou e perdeu muitos colegas.

“É uma gratidão muito grande. Quero abraçar o Vinícius. Eu tenho dentro de mim uma parte dele. Foi através da vida dele que eu renasci. Quando começou a doação eu tinha a sensação de que a medula era uma pessoa numa corrida. Ela ia passando pelos meus órgãos e eles iam gritando, aplaudindo, dando aquela força. Eu estava nascendo de novo”, disse Maria Eugênia.

Maria Eugênia e a mãe.

Confidencialidade garantida 

Um transplante é um procedimento confidencial e ambas as partes envolvidas são protegidas pelo anonimato.  Esse anonimato só pode ser quebrado em uma situação: se ambos – doador e receptor – concordarem com a revelação das identidades.

Foi o que aconteceu com Maria Eugênia e Vinícius. Ela procurou Neli Schuluga, assistente social do HC e manifestou interesse em conhecer o seu doador.

Neli Schuluga explica que, além de depender da concordância de doador e receptor, a quebra do anonimato está condicionada à apresentação de  atestado médico positivo sobre o estado de saúde do receptor e só pode ocorrer a partir de 18 meses depois do transplante.

Redome

O Registro Nacional de Doadores Voluntário de Medula Óssea (Redome) tem como objetivo reunir informações de pessoas dispostas a doar medula óssea a pacientes que precisam de um transplante.  Criado em 1993, desde 1998 é coordenado pelo instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva (INCA) e pertence ao Ministério da Saúde.

Com mais de 4 milhões de doadores voluntários cadastrados, o Redome é o terceiro maior banco de doadores de medula óssea do mundo. Além de gerenciar os cadastros nacionais, o Redome também é responsável pela gestão e comunicação com bancos de outros países em busca da integração e procura de doadores além de fronteiras.

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