Técnico em Petróleo e Gás, única formação de nível médio integrado da UFPR, está entre os mais concorridos

21 agosto, 2015
13:50
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Ensino e Educação
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Tiago Dambiski Cecy (de frente, à esquerda), estudante do terceiro ano, confirma a fama do curso ser “puxado”.

Em 2013 um movimento atípico em um estande na Feira de Cursos e Profissões da UFPR chamava a atenção: um grupo de estudantes, ao invés de divulgar a existência do curso, informava sobre sua provável extinção. Eram os estudantes do curso Técnico de Petróleo e Gás que a época sofria com o número reduzido de professores no quadro, em parte pelo fato de que um grande número de professores haviam sido transferidos para o recém-criado IFPR.

Dois anos se passaram e aquela triste perspectiva ficou para trás. O curso está presente nesta Feira de Cursos e Profissões com o orgulho de ser o primeiro colocado na edição de 2014 do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), entre as escolas públicas do Paraná. Com reputação de “curso difícil”, o curso está entre os dez mais concorridos da UFPR, tendo progressivamente aumentado a relação candidato/vaga de 7 por 1 em 2010; 10 por 1 em 2012; 14 por 1 em 2013; 17 por 1 em 2014 e 22 candidatos por vaga no último processo seletivo.

Tiago Dambiski Cecy, 17 anos, estudante do terceiro ano, confirma a fama do curso ser “puxado” para os estudantes. Ele concluirá o curso em três anos, mas comenta que apenas outros sete estudantes estão na mesma situação. Tiago comenta que foi um impacto tirar nota baixa nos primeiros meses de curso, acostumado que estava com o ensino “mastigado”, teve de rever conceitos. “Se não estudar, já era”, afirma, ao dizer que o susto inicial passou e que a partir do segundo semestre do curso já havia saído da zona de conforto, de sempre tirar excelentes notas sem tanta dedicação.

A grande propaganda do curso é o velho boca a boca, fruto do bom desempenho dos estudantes. Em 2012, o curso também teve o melhor desempenho no (Enem) entre as escolas públicas do Paraná e têm sido frequentes ao longo dos anos as premiações dos estudantes em olimpíadas de conhecimento (física, matemática e química). Os egressos do curso têm mostrado que estão preparados para o mercado de trabalho (cinco foram aprovados no último concurso da Petrobras, sendo que dois foram desclassificados porque não haviam concluído o terceiro ano) e também para o enfrentamento do vestibular.

Com 3.320 horas de formação, o curso tem o conteúdo do Ensino Médio regular, mais as disciplinas técnicas. Essa intensidade já fez com que Tiago atuasse em pesquisas de Iniciação Científica no contraturno das aulas e atualmente ele desenvolve atividades no Laboratório de Química do curso e no Departamento de Física da UFPR. Uma vivência universitária que já o direcionou: ele pretende fazer vestibular para Engenharia Mecânica. “Ser um engenheiro mecânico com formação técnica em Petróleo é um diferencial”, diz.

Sonho continuado

A fase de “quase” extinção do curso passou graças à dedicação de professores que sempre acreditaram na importância da formação. No auge da crise, apenas três professores ficaram no curso – Giselle Alves, Marion Foerster e Adriano Moraes. A eles se somou o reforço de apenas mais um professor na época, o atual coordenador do curso José Luís Guimarães. Juntos, eles assumiram aulas extras para garantir que os conteúdos do Projeto Pedagógico do curso fossem cumpridos com qualidade.

Esses professores tinham a convicção de que valia a pena manter o sonho do criador do curso, o professor José Viriato Coelho Vargas, professor da Engenharia Mecânica, que até hoje leciona no curso. Criado no ano de 1999, o Técnico em Petróleo e Gás foi viabilizado pela parceria entre a UFPR e a Prefeitura de Almirante Tamandaré. Na época, a ideia era de um curso técnico que formasse profissionais de nível, que pudesse contribuir na formação de estudantes oriundos de uma região de baixo Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), caso daquele município que detinha um dos mais baixos índices na região de Curitiba.

Hoje o curso não é mais “na forma de convênio”, tendo oferta regular de 30 vagas anuais, em processo seletivo no mesmo período do vestibular da UFPR. Assim como os demais cursos da instituição, está vinculado à lei de cotas, ou seja, continua beneficiando os candidatos com fragilidades socioeconômicas, porém sem distinção de região.

O Curso passa agora por uma reformulação do currículo, com pretensões de uma formação de projeção nacional e internacional, por meio de programas de mobilidade acadêmica. Na modalidade nacional alguns dos Campi dos Institutos Federais (Campus Caucaia e Tabuleiro do Norte – Ceará; Simões Filho – Bahia; Duque de Caxias – RJ) ofertam cursos de perfil semelhantes ao da UFPR, possibilitando a troca de experiência, aos moldes do que já acontece entre alguns laboratórios de pesquisa da própria UFPR e de institutos como o Lactec, que tem sido motivadora para os estudantes. “Na modalidade Internacional estamos em contato com a Assessoria de Relações Internacionais (ARI) para implementarmos uma parceria na área do petróleo e seus derivados para um estágio de curta duração com bolsa institucional”, afirmou José Luís Guimarães.

 Por Pró-Reitoria de Graduação e Educação Profissional (Prograd)

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