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Projeto de qualificação de detentas em fotografia é indicado para o prêmio Innovare

Oficina de fotografia indicada para o Prêmio Innovare - Divulgação
Oficina de fotografia indicada para o Prêmio Innovare – Divulgação

A oficina ministrada pelos fotógrafos Izabel Liviski e Cadu Silvério para detentas do Presídio Central Estadual Feminino (PCEF), em Piraquara, foi indicada para concorrer ao prêmio Innovare de 2017  . A distinção tem como objetivo promover práticas que contribuam para o aprimoramento da Justiça no Brasil.

A atividade de extensão, que ocorreu em 2015, foi idealizada por Liviski ao elaborar seu projeto de doutorado. “Percebi que as imagens que os fotógrafos faziam, tanto de presidiários quanto de mulheres presidiárias, eram sempre as mesmas, aquelas mulheres tristes, deprimidas, cabisbaixas, aquele ambiente horrível” comenta a pesquisadora, que viu neste contexto a oportunidade de promover a sensibilização visual das detentas, combinada com qualificação profissional.

A iniciativa foi coordenada pela professora Sonia Maria Chaves Haracemiv, do Setor de Educação da UFPR, e integrou o Projeto de Pesquisa Vozes do Cárcere, que em 2013 recebeu um prêmio das Nações Unidas. A professora co-orientou a tese de Liviski ao lado do professor Pedro Bodê, do Departamento de Ciências Sociais.

Oficina

Fotografia produzida por aluna de oficina de fotografia indicada pelo prêmio Innovare - Divulgação
Fotografia produzida por aluna de oficina de fotografia indicada pelo prêmio Innovare – Divulgação

Nos primeiros encontros, as dez alunas estavam desconfiadas sobre como poderiam produzir imagens dentro do presídio. “Elas diziam ‘ Nós vamos fazer o curso, mas nós não temos o que fotografar aqui dentro, aqui só tem grades, só tem muros'”, conta Izabel. Com as atividades da oficina que buscaram desenvolver uma visão mais sensível sobre a leitura e produção de imagens, as detentas puderam descobrir temas e ampliar a visão sobre si mesmas e o ambiente onde elas estavam.

“No começo elas só viam grades, cadeados, cercas elétricas. A partir do momento que começaram a praticar fotografia, composição, entre outros temas, elas começaram a perceber outras coisas no ambiente.” conta Izabel.

Além de técnica de fotografia digital, o curso ofereceu atividades que ajudaram a ampliar a sensibilidade visual das detentas, qualificando-as para produção de imagens significativas. Segundo a professora, isso ajudou a ampliar o horizonte das participantes. Ao final do curso as estudantes montaram um portfólio com as imagens produzidas.

Vanessa, uma das alunas, diz que se descobriu durante o curso. “Encontrei respostas em cores e imagens que não encontrava na realidade. Quando eu estou com a máquina e fotografo sinto como se eu fosse única”, diz. O tema escolhido por ela foi “luz e sombra”.

Outra aluna, Celeste, explica que por meio da fotografia conseguiu “enxergar como as pessoas se sentiam sem rumo [no presídio], com olhares perdidos e leves sorrisos que tentam esconder um olhar de dor e sofrimento”. Para seu portfólio final, ela fez uma releitura da obra da fotógrafa americana, Vivian Maier.

Oficina de fotografia indicada para o Prêmio Innovare - Divulgação
Oficina de fotografia indicada para o Prêmio Innovare – Divulgação

Os temas escolhidos para a produção de imagens foram desde o cotidiano na prisão, até expressões e detalhes das detentas, buscando mostrar a convivência de diferentes contextos naquele universo. O trabalho final de Sofia, buscou contar histórias por meio de sorrisos e expressões. Ela conta que “o curso de fotografia possibilitou que eu pudesse fazer parte de algo que me tranformou e me motivou a encontrar dentro de mim, dons e talentos ocultos. A fotografia me ajuda a expressar o meu outor eu, criativo, cheio de emoções e sonhos.”

Izabel destaca as mudanças que percebeu nas mulheres ao contrastar as imagens que elas produzem com suas histórias de vida e o contexto no qual elas foram produzidas. “Ao desenvolver o protagonismo do olhar, de algum modo se está promovendo a visibilidade destes indivíduos, como também se está contribuindo para seu processo de inclusão e ressocialização”, conclui.

A maior parte das participantes se encontra hoje em liberdade assistida ou em regime aberto.

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