Professores do curso de Engenharia Florestal da UFPR constroem forno para produção de carvão em Moçambique

08 novembro, 2012
08:29
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Extensão e Cultura

forno para produzir carvão. Fotografia de Dartagnamm Baggio Emerenciano

Pesquisadores dos cursos de Engenharia Florestal e Engenharia Industrial Madeireira estão em Moçambique, Região da África, desenvolvendo mais uma etapa do projeto entre os dois países. Além de uma estufa para secagem da madeira foi também construído um forno. De acordo com o coordenador dos estudos, professor Dartagnan Baggio Emerenciano, “em Moçambique o uso intensivo de recursos florestais para fins energéticos é um problema alarmante e representa a segunda maior causa de desmatamento. Estima-se que 80% da energia consumida no país é obtida da floresta. Por outro lado, 98% dos produtos florestais obtidos anualmente da floresta são destinados à produção de lenha e carvão. O uso de energia obtida de combustíveis lenhosos nos grandes centros urbanos constitui um problema que carece de solução urgente uma vez que estes são obtidos graças à devastação de grandes áreas florestais ao redor das grandes cidades.”

forno para produção de carvão. Fotografia de Dartagnam Baggio Emerenciano

O carvão em todo o país é fabricado com base em fornos tradicionais cobertos de terra e a eficiência destes tipos de fornos, varia entre 14 a 20%. Agora o convênio do projeto Reabilitação do Cefloma, Centro Agroflorestal de Machipanda, da Agência Brasileira de Cooperação do Brasil, e do Convênio existente entre a UFPR e da Universidade Eduardo Mondlane de Moçambique, coordenado pelo professor Dartagnan Baggio Emerenciano, foi construído um forno de carvão visando obter maiores rendimentos.

Participaram do projeto para a construção do forno, com apoio financeiro da ABC-Agência Brasileira de Cooperação do Ministério das Relações Exteriores do Brasil, o professor Carlos Firkowski, do Departamento de Ciências Florestais UFPR e o técnico em construção de fornos, Ari Osvaldo Pereira Fialho.

pesagem de carvão. Fotografia de Dartagnan Baggio Emerenciano


Atualmente Dartagnan realiza novos testes, procurando capacitar os técnicos do Cefloma para obtenção de melhores rendimentos. Também fez uma pesquisa de mercado da comercialização de carvão e constatou que existe uma variação muito grande no peso dos sacos. O peso varia de 20 a 35 kg, e o preço do saco de carvão se mantém a um valor médio 120,00 (cento e vinte meticais) que equivale a USD 3,00 (três dólares americanos) ou R$ 6,00 (seis reais). Um trabalho de conscientização da população local está sendo desenvolvido nas aldeias próximas ao Cefloma, com o apoio do técnico agrícola Estevão Mafuma Júnior, que domina o idioma local, mediante visitas e palestras de conscientização da substituição da madeira nativa por madeira de resíduos de espécies exóticas como o eucalipto e também a padronização dos pesos dos sacos.

Espera-se que com a propagação da divulgação dos resultados do projeto, a médio prazo, seja diminuído o uso de madeira nativa para a produção de lenha e carvão no uso tradicional da população. O consumo urbano dos combustíveis lenhosos causa mais danos às florestas nativas, pois em regiões que a densidade populacional é elevada e sendo a biomassa lenhosa disponível baixa, resultará numa pressão muito elevada nas áreas de florestas naturais adjacentes às cidades e ao longo das estradas que darão às cidades.

TESE DE DOUTORADO  ─ O convênio está permitindo ainda que o doutorando Agnelo dos Milagres Fernandes, do Departamento de Engenharia Florestal da Universidade Eduardo Mondlane, e que cursa o programa de pós graduação da UFPR, está realizando sua pesquisa com base nos estudos com a produção de carvão em Moçambique e está coletando dados de eficiência com base no forno que foi construído pela equipe da UFPR.

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