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Produtos desenvolvidos na UFPR contra o mosquito Aedes ganham repercussão

Ministério da Saúde registrou. FOTO: Fabrizio Pensati
Ministério da Saúde registrou aumento de 79% no número de mortes por dengue entre 2014 e 2015. FOTO: Fabrizio Pensati

Pesquisas desenvolvidas no Laboratório de Ecologia Química e Síntese de Produtos Naturais da UFPR estão ganhando repercussão neste início de ano. Estudos de professores da Universidade voltados ao combate do mosquito do gênero Aedes têm resultado em produtos mais eficazes e acessíveis à população. Este é o primeiro verão em que o Brasil terá circulação de três tipos de vírus transmitidos pelo Aedes  (causadores de doenças como dengue, zika vírus e febre chikungunya).

Entre as pesquisas, estão o desenvolvimento de um repelente com maior tempo de proteção, aerossol capaz de eliminar a praga em apenas uma borrifada e um larvicida natural com baixo grau de toxidade. Um dos compostos químicos já trabalhados – em processo de patente – mostrou ação eficaz não só contra o Aedes aegypti, mas também contra a aranha marrom e o escorpião amarelo.

Os produtos estão em fase de testes e fazem parte de projeto do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia para Controle Biorracional de Insetos Pragas (INCT – CBIP). Financiado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), o Instituto agrega pesquisadores de seis instituições: UFPR, Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), Universidade Federal de Sergipe (UFS), Universidade de São Paulo (USP), Universidade Estadual Paulista (Unesp) e Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (Ceplac), órgão do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.

Em uma das entrevistas concedidas pelo professor do Departamento de Química da UFPR e membro do Comitê Gestor do INCT – CBIP, Francisco de Assis Marques, ele fala sobre a preocupação em aliar a eficácia dos produtos à aceitação do mercado. “A citronela é uma das substâncias naturais alvo dos estudos, mas ela tem cheiro forte e pequeno poder de repelência. Por isso, estamos modificando sua estrutura química e combinando com outras substâncias. Queremos triplicar o tempo de repelência e diminuir o odor”, explicou o professor.

Alarme
Dados do Ministério da Saúde indicam que, entre janeiro e novembro de 2015, foram notificados 1.566.510 casos de dengue no país com registro de 828 mortes – o que representa um aumento de 79% em comparação com o mesmo período de 2014, quando 463 pessoas morreram de dengue.

Ainda segundo o Ministério, os casos notificados de febre chikungunya em 2015 totalizaram 17.765 e o último boletim do governo sobre vírus Zika indica que, até o dia 12 de dezembro, foram 2.401 casos de microcefalia (quadro relacionado à infecção por Zika em gestantes) em 549 municípios brasileiros. Desses, 134 tiveram a relação com o vírus confirmada, 102 foram descartados (não têm relação com o Zika) e 2.165 estão sob investigação.

 

 

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