Pesquisa sobre curativo para queimaduras feito de nanocelulose de pinus ganha prêmio internacional

14 maio, 2021
14:17
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Ciência e Tecnologia

“O Brasil é um país com grandes diferenças sociais e o sistema público de saúde não consegue arcar com a universalização total de tratamentos de alto custo. (…) O objetivo foi desenvolver um processo barato para produção de um curativo de nanocelulose vegetal”, conta Francine Ceccon. Foto: Katia Pichelli/ Embrapa Florestas.

Um curativo feito com nanocelulose de pinus usado para o tratamento de queimaduras recebeu o prêmio internacional Blue Sky Young Researchers and Innovation, organizado pelo International Council of Forest & Paper Associations (ICFPA). O trabalho começou no mestrado de Francine Ceccon Claro, no Programa de Pós-Graduação em Engenharia e Ciência dos Materiais da UFPR em parceria com o Laboratório de Tecnologia da Madeira da Embrapa Florestas.

O prêmio seleciona jovens e projetos inovadores com potencial de contribuir com a indústria florestal. “Fiquei feliz com a oportunidade de poder divulgar este projeto de alto impacto social, considerando os benefícios de sustentabilidade e redução de custo, podendo ser amplamente ofertado para sociedade no sistema público de saúde”, comemora Francine.

Baixo custo e alta tecnologia

O curativo tem baixo custo de produção. É feito a partir de água e da polpa branqueada de pinus, que é a mesma matéria-prima usada na produção de papel comum. A polpa é colocada em um moinho, onde ocorre a desfibrilação e na sequência a suspensão de nanocelulose. A suspensão é filtrada e seca e depois o filme está pronto.

A pesquisa desenvolveu uma alternativa para os curativos de celulose bacteriana usados no tratamento de queimaduras e feridas na pele, que têm alto custo. O preço do quilo da celulose bacteriana é de 250 dólares e o da nanocelulose vegetal é de 2 dólares para o mesmo peso.

“O produto desenvolvido terá um alto impacto social, considerando que o grande benefício é a redução de custos e a facilidade de produção”, ressalta a pesquisadora responsável pelo curativo. Foto: Katia Pichelli/ Embrapa Florestas.

O objetivo é que o curativo possa ser usado no Sistema Único de Saúde e beneficiar pacientes em todo o Brasil.  “Enquanto a medicina privada, acessível às classes média e alta utiliza este tratamento, o sistema público limita o método apenas em casos graves e em áreas mais visíveis como rosto e pescoço. Com isso em mente, o objetivo foi desenvolver um processo barato para produção de um curativo de nanocelulose vegetal semelhante aos curativos comerciais provenientes de celulose bacteriana”, afirma.

Mercado

As primeiras etapas do desenvolvimento do curativo foram desenvolvidas durante o mestrado da Francine, que foi finalizado em 2017. Depois o projeto seguiu para escala industrial por meio de uma parceria com o instituto SENAI de Inovação em Biossintéticos e com uma startup. De acordo com Francine, “o produto passou por todo o processo de inovação e contou com rigor científico no desenvolvimento. Avançou até a fase de prova de conceito, depois com o envolvimento do curso de medicina veterinária da Faculdade Evangélica foi aprimorado, atingindo um nível de protótipo e agora com o desenvolvimento juntamente com a Zynux (startup da área de pesquisa e inovação) atinge uma escala pré-comercial”.

Os testes em escala piloto já foram realizados e o próximo passo são os testes clínicos. A expectativa é que em três anos o curativo possa estar pronto para o uso em pacientes. “Estamos buscando parceiros para investimento na produção em escala comercial. Espero que possamos ver este projeto se concretizar e que esta membrana possa trazer melhores condições de tratamento as pessoas em qualquer parte do mundo”, finaliza.

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