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Para preservar ovos de espécie de tartaruga em extinção, equipe de laboratório da UFPR isola área no Litoral do PR

A equipe de profissionais e pesquisadores do Projeto de Monitoramento de Praias (PMP-BS) e do Laboratório de Ecologia e Conservação (LEC) da Universidade Federal do Paraná UFPR) isolou uma área na praia de Pontal do Sul, em Pontal do Paraná (PR), onde uma tartaruga-gigante (Dermochelys coriacea) postou ovos nesta quinta-feira (31), no início da manhã. A tartaruga-gigante é uma espécie em risco grave de extinção, e raramente vem ao litoral paranaense para desova. É o segundo episódio acompanhado pela equipe, que monitorou caso semelhante em 2010.

A tartaruga postou cerca de cem ovos, que devem ser preservados porque a espécie é protegida integralmente por norma federal. “A tartaruga possivelmente voltará daqui uns dez dias para nova desova, podendo subir a praia para deposição de ovos até dez vezes na mesma temporada. A tartaruga-gigante é uma espécie criticamente ameaçada de extinção e precisa de todos os cuidados e monitoramento especializado de dia e de noite durante todo seu período reprodutivo”, ressalta a bióloga e pesquisadora Camila Domit, que coordena o LEC/UFPR.

O aviso da equipe é para que a população não interfira em nenhuma etapa do processo, visto que molestar animais é crime conforme a legislação ambiental vigente. Assim, segue a orientação de não mexer nem tocar na tartaruga (caso ela volte), e evitar mesmo frequentar o local. Obedecer as orientações é essencial para dar chance de sobrevivência aos filhotes da espécie ameaçada, que já têm baixa expectativa de chegar à vida adulta.

Vídeo mostra momento em que a tartaruga-gigante retorna ao mar de Pontal do Paraná após a postura dos ovos. Crédito: PMP/Divulgação

Isso vale para qualquer animal marinho, tanto para os que encalham devido a algum problema de saúde quanto para os que encontram local para reproduzir, assim como a tartaruga-gigante de Pontal.

 Mortes por encalhe ainda frequentes

Também conhecida como tartaruga-de-couro, a Dermochelys coriacea é a maior espécie de tartaruga marinha existente, podendo medir até dois metros e pesar 700 quilos. Vive usualmente na zona oceânica durante a maior parte da vida, aproximando da zona costeira apenas quando em busca de alimentos, como as águas-vivas.

Em geral, a espécie começa a se reproduzir após os 20 anos e a única área regular de desova conhecida no Brasil situa-se no litoral norte do Espírito Santo (região de Regência, ES). No Piauí e mesmo no Paraná já foram registradas fêmeas desovantes, mas não tão constantemente como no Espírito Santo.

A tartaruga-de-couro ou tartaruga-gigante tem como região mais frequente de desova no Brasil o litoral Norte do Espírito Santo. Fotos: Projeto Tamar/ES/Reprodução, 2014

De acordo com a classificação do Ministério do Meio Ambiente (MMA) é uma espécie criticamente em perigo de extinção. Ainda com a proteção integral (proibição de captura, transporte, armazenamento, guarda, manejo, beneficiamento e comercialização), ainda são registrados encalhes de animais adultos, causados por saúde debilitada, nas regiões Sudeste e Sul do Brasil.

“Na costa brasileira não temos registro apenas de animais nascidos no Brasil, há ocorrência de grande número de animais que vêm do Gabão e de outras regiões da África, que se alimentam nas águas do Sudeste e sul. Um desova como esse evento no Paraná pode estar relacionado a diferentes motivos, inclusive ser consequência dos efeitos de mudanças climáticas, da demanda da espécie por novas áreas para reprodução ou até uma influência do processo comportamental de migração desses animais”, afirma Camila Domit.

A ocorrência de mortes de tartarugas marinhas por encalhe é alarmante no Brasil, segundo artigo publicado recentemente por pesquisadores de sete universidades brasileiras, incluindo do Centro de Estudo do Mar (CEM) da UFPR, ao qual o LEC é vinculado.

Desova raramente acontece no Paraná

As ocorrências reprodutivas anteriores desta espécie de tartaruga no Paraná foram entre os anos de 2007, 2009 e 2014, e se referia a um mesmo animal identificado que acabou indo a óbito, provavelmente devido à captura incidental em atividades pesqueiras (o animal tinha marcas e a presença de anzóis de pesca comercial).

Fêmeas da tartaruga-gigante podem colocar ovos até dez vezes em uma temporada, mas poucos filhotes chegam à vida adulta. A espécie é vulnerável à degradação ambiental e à pesca comercial

A bióloga e gerente operacional do PMP-BS/UFPR, Liana Rosa, vê como “privilégio” poder monitorar e compartilhar informações sobre a espécie. “A tartaruga-gigante é um animal resistente que habita nosso oceano há milhões de anos, mas está exposta a diversos tipos de impacto. Apesar de sua magnitude, é sensível às mudanças e à degradação ambiental. Sua reprodução geralmente não tem alto sucesso em percentual de nascimento de filhotes e sobrevivência deles até a vida adulta”.

Segundo Liana, os principais desafios que essa e outras espécies de tartarugas vem enfrentando hoje em nosso oceano são a diminuição dos recursos alimentares devido a degradação ambiental, captura acidental pela atividade pesqueira, e a contaminação dos mares.

Sobre o Projeto Monitoramento das Praias (PMP-BS)

O Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos (PMP-BS) é uma atividade desenvolvida para o atendimento de condicionante do licenciamento ambiental federal das atividades da Petrobras de produção e escoamento de petróleo e gás natural na Bacia de Santos, conduzido pelo Ibama. Esse projeto tem como objetivo avaliar os possíveis impactos das atividades de produção e escoamento de petróleo sobre as aves, tartarugas e mamíferos marinhos, através do monitoramento das praias e do atendimento veterinário aos animais vivos e necropsia dos animais encontrados mortos.

O PMP-BS é realizado desde Laguna (SC) até Saquarema (RJ), sendo dividido em 15 trechos. O LEC/UFPR é responsável por monitorar e avaliar os encalhes no Trecho 6, compreendido entre os municípios de Guaratuba e Guaraqueçaba (PR).

(Com informações do PMP/BS)

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