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Mulheres iniciam movimento, na UFPR, para ampliar espaço e visibilidade no ambiente acadêmico brasileiro

Luciana (à direita) e Desiree: esforço conjunto para viabilizar a construção de uma rede que garanta mais visibilidade à produção acadêmica feminina no Brasil. Imagem: Marcos Solivan/Sucom da UFPR.

A UFPR está desenvolvendo mais uma iniciativa que comprova seu protagonismo na defesa da igualdade de gênero. Promoveu hoje (dia 26), na Faculdade de Direito, o 1º Encontro de Pesquisa Por/De/Sobre Mulheres. O encontro reúne professoras e pesquisadoras de instituições de ensino superior do Paraná, São Paulo, Pará, Minas Gerais e Distrito Federal com o objetivo de ampliar o espaço e a visibilidade das mulheres no ambiente acadêmico.

Promovido pelo Grupo Política por/de/para Mulheres, Núcleo de Investigações Constitucionais (NINC), Núcleo de Estudos Direito, Educação e Democracia (DED) e Grupo de Estudos em Direito, Diversidade Sexual e Relações de Gênero (Diverge), o encontro foi aberto pela superintendente de Comunicação da UFPR e líder do Grupo de Pesquisa em Comunicação Política (apoiador do evento), professora-doutora Luciana Panke.

Luciana elogiou a iniciativa. “Este evento tem o papel fundamental de fazer com que nos unamos para construirmos uma rede que dê mais visibilidade à produção acadêmica feminina no Brasil”, comentou a professora, que organizou o 1º Encontro de Pesquisa Por/De/Sobre Mulheres ao lado da professora Eneida Desiree Salgado, do Departamento de Direito da UFPR.

“Sororidade feminina”

Luciana Panke apresentou dados de uma pesquisa que realizou em parceria com o Gustavo Córdoba – Investigação e Comunicação Política, na Argentina, segundo a qual mais de 11% das entrevistadas afirmaram que não votariam em mulheres. “Este dado mostra que o conceito de ´sororidade feminina´ (termo que designa a solidariedade entre as mulheres) precisa ser melhor trabalhado”, disse.

A professora também revelou preocupação com o fato de que, ainda de acordo com a pesquisa, 76,6% dos entrevistados do sexo masculino consideram que homens e mulheres possuem igualdade na disputa eleitoral. “Estes dados mostram que temos um longo caminho a seguir”, comentou Luciana.

Desigualdade na academia

A professora Eneida Desiree Salgado disse que, muitas vezes, o ambiente acadêmico transmite a ideia de igualdade entre homens e mulheres, mas na prática não é o que ocorre. “Muitas vezes, as mulheres são invisibilizadas na academia”, criticou a coordenadora do 1º Encontro. “Talvez por conta da história e da mentalidade cultural, isso acontece também nas universidades públicas, onde há cadeiras nas quais há dominação dos homens. Entre outras áreas, isso é mais igualitário. A grande questão é fazer com que a próxima geração, quem sabe, estranhe que isso tenha sido demanda da geração anterior e mude este quadro”.

Ela criticou também o papel de setores da mídia no processo, particularmente em relação à Política. “As fontes que a mídia procura geralmente são homens”, comentou a professora, que aponta a reforma política como um caminho para resolver o problema. “O Parlamento deveria ser igualmente dividido em relação ao gênero. Deveria haver cotas de representação, depois de calculado o coeficiente partidário, com metade das vagas para os homens mais votados e metade para as mulheres mais votadas.

Participação feminina

A advogada e professora Juliana Freitas, do Centro Universitário do Pará-Cesupa, avaliou que o encontro é fundamental para abrir espaço para que as mulheres sejam ouvidas, nas mais diversas áreas de atuação. Juliana criticou o sistema de cotas na Política para homens e mulheres. “Este sistema é uma falácia. A exigência de percentual mínimo nao é suficiernte para integrar as mulheres na Política. Sem elas, não há efetivação da democracia”, comentou.

Sua sugestão é que haja, por exemplo, destinação de recursos do Fundo Partidário para as mulheres e de cotas para elas nas Casas Legislativas. “É um processo que tem que ser enfrentado. Não é algo rápido e fácil, mas é necessário. Estamos em uma sociedade machista, com um Congresso Nacional machista e partidos machistas comandados por políticos machistas, que estão no mais alto escalão. Por isso, precisamos de um processo de conscientização”, disse.

Extensa programação

Nesta terça-feira (dia 27), o encontro prossegue com a mesa-redonda “Democracia em Saia Justa”, que reunirá as debatedoras Eneida Desiree Salgado (UFPR); Juliana Rodrigues Freitas (Centro Universitário do Pará-Cesupa); Roberta Maia Gresta (Universidade Federal de Minas Gerais-UFMG e Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais-PUC/MG), Polianna Pereira dos Santos (UFMG), Júlia Rocha de Barcelos (UFMG) e Paula Regina Bernardelli (Instituto dos Advogados de São Paulo-Iasp).

Veja, aqui, a programação completa do encontro.

 

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