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Mulheres formadas pela UFPR desbravam mercado de construção e manutenção de instrumentos

Embora no Brasil a luteria ainda seja uma profissão bastante associada ao trabalho masculino, aos poucos esse campo também vai sendo desbravado por mulheres interessadas em dominar a construção, restauração e manutenção de instrumentos musicais de cordas. Único de nível superior na área no Brasil, o curso de Tecnologia em Luteria da UFPR formou este ano a terceira mulher, num total de cerca de 70 profissionais que concluíram a formação desde sua criação, em 2009.

Laboratório de Tecnologia em Luteria. Fotos: Samira Chami Neves/ Sucom

Cada uma das mulheres formadas em Luteria pela UFPR escolheu uma linha diferente entre as três ofertadas pelo curso: instrumentos elétricos, acústicos (violão) e de corda (violino, viola, violoncelo). Algumas enfrentaram o estranhamento das famílias ao anunciar a escolha. “No começo minha família achou diferente demais, ficou preocupada com a questão do mercado de trabalho”, conta Monicky Zaczéski, de 22 anos, que se formou em 2016, na linha do violão.

em qualquer ligação pessoal ou familiar com o mundo musical e muito menos com a luteria, Monicky fez a escolha baseada na curiosidade e na pesquisa. “Me interessei pela parte prática. É muito legal ver tomar forma um objeto que é fruto do seu trabalho. Também gosto muito do caráter interdisciplinar do curso, que envolve Física, Química e muitas outras áreas”, conta. Durante o curso, Monicky participou de um projeto de iniciação científica voltado para os princípios físicos do violão e agora planeja partir para um mestrado relacionado à área.

Rosanne Machado, de 27 anos, optou pela linha da guitarra elétrica. “Entrar no curso foi uma loucura que eu fiz. Não imaginava que seria tão difícil”, diz. Cantora, multi-instrumentista e dona de um estúdio de produção musical, Rosanne queria ampliar as opções de timbres à disposição das bandas que gravam em seu estúdio: “Achei que seria legal construir meus próprios instrumentos e me capacitar para fazer a manutenção dos que já tenho. E também queria ter um conhecimento mais avançado de acústica para melhorar a qualidade das gravações”.

Ao longo do curso, ela construiu cinco instrumentos: um violão, um baixo elétrico, duas guitarras (uma delas elétrica) e uma viola caipira elétrica. “A guitarra de conclusão de curso fez sucesso. Sou apaixonada por instrumentos antigos e fiz essa guitarra com essa inspiração, tanto na estética quanto na sonoridade”, conta.

Das três luthiers formadas pela UFPR, Josielly de Mello Fomin é a mais experiente. Formada em 2013, ela possui um atelier em Curitiba e vive da construção e, principalmente, da manutenção e restauração de instrumentos – especialmente violinos. Oriunda de uma família de músicos, Josielly conta que conheceu a luteria aos 20 anos, quando Wandel de Freitas, um pesquisador autodidata, fez uma apresentação no curso técnico em Meio Ambiente que ela freqüentava, em Telêmaco Borba. Freitas pesquisava a utilização do eucalipto na construção de instrumentos musicais. Josielly interessou-se pelo assunto e passou a ajudá-lo. “Ele me disse: você tem talento e deveria procurar o curso de Luteria que está começando em Curitiba”, lembra ela.

“As mulheres tendem a ser mais detalhistas . Mas o que determina o nível de excelência do instrumentos é a paixão, independentemente do gênero”, afirma o coordenador do curso de Luteria da UFPR, Leandro Mombach.

O curso

O curso superior de Tecnologia em Luteria abre 30 vagas anualmente e tem duração de três anos. Ele alia as aulas práticas de construção de instrumentos à carga horária teórica, que, entre outras áreas, abrange Música, Física, Química, Desenho e Empreendedorismo. No primeiro ano, cada aluno constrói um cavaquinho. A partir do segundo, os alunos começam a trabalhar no instrumento correspondente à sua opção.

Por Lorena Aubrift Klenk

 

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