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Método pesquisado por professora da UFPR pode atenuar sintomas de estresse pós-traumático

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Estrutura do THC, um dos canabinoides utilizados na pesquisa. Imagem: Wikimedia Commons

O transtorno de estresse pós-traumático (Tept) pode acometer indivíduos que passaram por abusos sexuais, assaltos, perdas familiares, entre outros problemas. Estas pessoas respondem às sensações de tristeza, dor ou pânico com mais intensidade, em virtude dos traumas vividos.

Para entender a formação desta memória e como atenuar o transtorno, Cristina Aparecida Jark Stern, professora do Departamento de Farmacologia da UFPR, pesquisa um modelo de reconsolidação de memória aversiva – um mecanismo que o Sistema Nervoso Central tem de manter a memória existente, inserindo novas informações ao longo do tempo. Com o uso de medicação, a memória que causa o Tept pode ser atenuada e o paciente pode ter uma melhor qualidade de vida.

Em um trabalho publicado recentemente, Stern testa o uso das duas principais substâncias canabinoides, que são encontradas na maconha – o THC e o canabidiol – a fim de atenuar a memória. “A terapia que existe hoje não altera a intensidade da memória, aliviando somente os sintomas, como a ansiedade, por exemplo,”, explica.

Metodologia

Para verificar a ação dos canabinoides, foram feitos testes em laboratório com ratos, que foram expostos a uma situação de estresse, com a devida aprovação do Comitê de Ética da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), onde foi realizada a pesquisa. Primeiramente, os ratos foram colocadas em uma caixa, na qual receberam pequenos choques, e foram recolocados em suas gaiolas. No segundo dia, foram postas novamente na caixa, porém, sem os choques. Neste retorno, a sensação de medo as deixava imóveis dentro da caixa, caracterizando o Tept.

Cristina percebeu que a reconsolidação da memória pode ocorrer logo nos primeiros minutos após a situação de estresse. Por isso, numa segunda amostra, os ratos receberam uma única dose de THC, em quantidade que não traz efeitos colaterais, administrada logo após a saída da caixa de choque. Novos retornos à caixa aconteceram em três dias, depois em uma semana, e ainda em um mês depois da medicação. Em nenhum destes períodos os ratos voltaram a apresentar o comportamento de medo.

Outro teste fez uma associação do THC com o canabidiol, em quantidades que individualmente não trariam efeitos sobre a memória. Estes compostos foram administrados em conjunto nos ratos, no mesmo momento em que o teste anterior. Os resultados apontaram também o efeito duradouro sobre a reconsolidação da memória. Cristina explica que esta associação já é comercializada em países no exterior, como um medicamento para pacientes de esclerose múltipla.

Docente da UFPR desde abril, a pesquisadora pretende prosseguir com estas pesquisas no Departamento de Farmacologia. “Já há outros trabalhos aqui que pesquisam os efeitos nos canabinoides, mas sobre a memória iremos começar a partir de agora, trazendo o que já pesquisamos anteriormente e com associação com outras instituições”, conta Stern, que trabalhou neste e em outras pesquisas com a UFSC e com a USP de Ribeirão Preto.

Sobre o acesso destas substâncias com fins medicinais, a professora julga que os avanços das pesquisas podem acelerar o processo de liberação por parte dos órgãos reguladores. “Por isso, acredito que resultados como estes reforçam a importância e podem trazer progressos mais rapidamente”.

Por Assessoria a Projetos Educacionais e Comunicação do Setor de Ciências Biológicas

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