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Medicina em Toledo: Metodologia inovadora envolve alunos e comunidade desde o primeiro semestre

 

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Acompanhados de agente de saúde e professora, alunos visitam dona Severina. Imagem: Samira Chami Neves

A primeira turma do curso de Medicina da UFPR em Toledo ainda nem finalizou seu primeiro semestre de estudos e já está tendo contato direto com a comunidade local. Isso porque a metodologia implementada foca na medicina de família, partindo de uma diretriz do Ministério da Educação para cursos de Medicina em todo o Brasil, e os calouros já estão conhecendo e se integrando ao trabalho das unidades municipais de saúde básica.

“Claro que, no começo, eles vão observar, conhecer a rede, acompanhar os agentes comunitários”, explica a diretora do campus Toledo, Cristina de Oliveira Rodrigues. “Eles estão numa fase de conhecer o território”. A complexidade do trabalho dos alunos aumenta gradativamente, chegando ao momento em que eles irão atender aos pacientes, acompanhados dos profissionais.

“Isso é importante porque eles vão conhecer a população e o sistema de saúde”, acredita. As ações também possibilitam que os estudantes identifiquem dificuldades naquela área e criem propostas para solucioná-nas. Para a diretora, as condições do curso são ideais para este tipo de abordagem. “Aqui nós somos a única escola médica, com uma rede de saúde bem estruturada e com um número menor de alunos”. A cada vestibular, entram 60 novos alunos – 30 para o primeiro e 30 para o segundo semestres.

Alunos em visita domiciliar. Imagem: Samira Chami Neves
Visita domiciliar. Imagem: Samira Chami Neves

Segundo a professora Luciana Osório Cavalli, que fez sua residência em Medicina de Familia e Comunidade e tem especialização em Terapia Familiar Sistêmica, esta área médica proporciona uma visão mais completa do paciente. Ela exemplifica com o caso de dona Severina, que sofre de câncer de intestino, visitada pelos alunos e pelas agentes de saúde na última quarta-feira, dia 29. “Ela é uma senhora, carente, que vive sozinha, que não tem condições de comprar o alimento adequado para o intestino funcionar direito. Não é só uma paciente com câncer de intestino”. A docente é responsável por acompanhar o trabalho dos alunos junto às unidades de saúde.

“Isso que eles estão vivenciando é a rotina de trabalho da unidade de saúde”, afirma Cavalli. Hoje existe toda uma discussão sobre o trabalho de atenção primária – que é desenvolvido nas unidades de saúde – melhora muito a qualidade e a expectativa de vida, previne doenças crônicas, faz diagnóstico precoce”.

O calouro Nicolas Kunkel, que deseja continuar atuando nas cidades do interior do país depois de formado, acredita que esta iniciativa mostra às pessoas atendidas pelo sistema de saúde que existe toda uma equipe por trás do tratamento delas. “Introduzir o estudante precocemente no ambiente hospitalar e ter esse contato com as pessoas é muito saudável. Inclusive para a população não ter aquela imagem do profissional de medicina que fica só na sala, mas também está junto dela, que vai às casas, que conversa, que vê realmente os problemas da população”, opina.

Aprender em grupo

Além do foco em medicina familiar, a interdisciplinaridade e o trabalho em grupo são centrais ao curso de Medicina em Toledo: o currículo foi construído a partir da Aprendizagem Baseada em Equipes (TBL, do inglês Team Based Learning), que torna os alunos protagonistas no ensino. Na prática, os alunos recebem o material de estudo com atecedência e, quando chega a hora da aula, realizam, individualmente e em grupo, um teste de aptidão.

“Eles discutem aquele conteúdo todo em equipe e tiram dúvidas com o professor. Ao final da sessão, eles recebem um problema para solucionar”, conta Rodrigues. O método é aliado ao tradicional, mas as atividades realizadas no TBL são incluída na avaliação final.

Sessão de TBL. Imagem: Samira Chami Neves
Sessão de TBL. Imagem: Samira Chami Neves

Também atendendo às diretrizes do MEC, o curso trabalha com a integração de conteúdos, com disciplinas integradas e divididas em módulos. “As nossas disciplinas agregam vários conhecimentos. Num currículo tradicional, você tem disciplinas de anatomia, bioquímica, histologia, citologia, fisiologia. Já a gente constrói um módulo com todas essas coisas juntas. Por exemplo, se eles estão vendo osso na anatomia, vêem o tecido ósseo na histologia, o movimento na fisiologia, a bioquímica da ossificação e assim por diante”, explica a diretora do campus. “Isso fecha aquele processo”.

Apesar disso, não é apenas um professor que ministra cada módulo. Como são áreas muito diferentes dentro de cada módulo, há docentes específicos para cada tipo de conhecimento, mas o conteúdo é complementar. Atualmente, existem nove professores em exercício e um que já foi nomeado e deve começar a atuar nas próximas semanas. Outros três concursos de professores estão abertos (mais informações estão disponíveis na página do campus no Facebook, clicando aqui) e a expectativa é que o quadro docente ganhe entre cinco e dez novos integrantes até o final do ano.

“Claro que mais professores irão agregar mais, mas os que nós temos já suprem as nossas necessidades”, garante.

Receptividade

Ainda que represente mudanças do método tradicional, mais estudo e mais trabalho para os discentes, os calouros estão gostando da matriz curricular do curso. “É bem puxado, bem diferente do que eu imaginava”, conta o calouro Rafael Paltanin, que diz ter escolhido fazer Medicina em Toledo justamente por causa do método utilizado. “O TBL é um método bem inovador, desafiador, mas é bem efetivo”.

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Parte da turma em aula com a professora Naura Tonin Angonese. Imagem: Samira Chami Neves

Kunkel confessa ter tido um pouco de dificuldade para se adaptar ao TBL no começo, mas acredita que, agora que já se acostumou, conseguirá concluir a formação com bastante aproveitamento. “Nós estudamos muito antes da aula. O professor direciona o conteúdo para a gente estudar e, dessa maneira, nós pesquisamos mais sobre os assuntos, não só na bibliografia do curso, mas também em outros artigos”.

“É uma metodologia já muito empregada no mundo”, diz a professora Naura Tonin Angonese, que atua nas áreas de ginecologia e obstetrícia. “O trabalho por equipes dá um resultado fantástico e você termina uma sessão de TBL com a certeza da participação ativa dos alunos durante toda a aula”.

Diretora do campus Toledo, Cristina de Oliveira Rodrigues. Imagem: Samira Chami Neves
Diretora do campus Toledo, Cristina de Oliveira Rodrigues. Imagem: Samira Chami Neves

Com estratégias criativas, é possível prender a atenção de jovens que desde de muito cedo recebem estímulos diversos simultaneamente. Uma das experiências foi com um grupo de teatro em que os atores se passaram por pacientes para que fossem examinados pelos estudantes. Com as sessões, foi possível determinar o que os professores precisavam trabalhar melhor com os alunos e os próprios alunos puderam perceber os problemas que tiveram.

Além disso, as primeiras semanas de atividade do curso foram dedicadas a uma fase de treinamento e qualificação para que os docentes, servidores técnico-administrativos e estudantes pudesse se adequar à metodologia de ensino proposta.”É um processo de adaptação e desafios têm sido superados. Mas acho que ainda vamos evoluir muito”, acredita Cristina de Oliveira Rodrigues.

Mais fotos estão disponíveis no Flickr da UFPR, clicando aqui.

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