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José Mujica, ex-presidente do Uruguai, faz palestra em Seminário da UFPR sobre democracia na América Latina

A plateia lotou o Círculo Militar para o Seminário Democracia na América Latina. Foto: Samira Chami Neves

José Pepe Mujica, ex-presidente do Uruguai, falou a uma plateia que lotou o Círculo Militar, em Curitiba, nesta quarta-feira (27). A palestra fez parte do Seminário Democracia na América Latina, realizado pelo Laboratório de Cultura Digital, do Setor de Educação da UFPR.

O debate também teve a presença de Gilberto Maringoni, professor da Universidade Federal do ABC; Heliana Hemetério dos Santos, da Rede de Mulheres Negras do Paraná; e Lívia Morales, professora da Universidade Federal da Integração Latino-Americana (Unila).

O interesse pelo Seminário foi muito grande; 7 mil pessoas se inscreveram para participar, e cerca de 3.500 puderam assistir no local o evento, que também foi transmitido ao vivo pelo site do Laboratório de Cultura Digital. Desse total, 1340 eram alunos, docentes e funcionários da UFPR, e os demais, pessoas da comunidade externa.

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Mujica ocupa atualmente o cargo de senador no Uruguai. Foto: Samira Chami Neves

Mujica dirigiu sua fala especialmente aos jovens. “O proletariado que serão vocês tem grande responsabilidade de não cometer os erros do meu tempo. Minha geração pensou que nacionalizando os meios de produção e melhorando a distribuição, teríamos um homem novo. Grave erro. Se não se muda a cultura, não se muda nada”.

Ele falou sobre a necessidade dos seres humanos de viver em sociedade, e da construção da civilização. Para ele, o acúmulo de conhecimento e a civilização são “a maior característica deste primata que se chama homem”.

“Podemos ser construtores dos rumos da nossa vida; isso não é permitido a nenhum outro animal sobre a Terra”. Criticando a sociedade de consumo, disse aos jovens que eles podem escolher os seus rumos, e que a sociedade pode transformá-los em “consumidores e pagadores de contas”.

“A sociedade de mercado quer transformar nosso tempo de vida em mercadoria”, disse. “Não é possível ir ao mercado e comprar cinco anos de vida”. O ex-presidente afirmou que, embora o trabalho seja essencial para suprir as necessidades materiais, é preciso ter tempo para viver e ser livre.

Em seu discurso, o uruguaio criticou o que chamou de “crescimento econômico falso”. “O crescimento econômico se justifica se vem de mãos dadas à felicidade humana”, declarou.

 

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Foto: Samira Chami Neves

Debate

A militante do movimento da cultura negra, Heliana Hemetério, tratou da questão racial em seu discurso. “A história de como nós, negros e negras, chegamos ao continente da América Latina nunca é dita”, afirmou. Ela disse que os negros que chegaram à América Latina como povo escravizado tinham muitos idiomas e eram de várias etnias, e foram perdendo a sua identidade. “E continuamos perdendo [a identidade] numa sociedade latino-americana que, embora lute todos os dias pela democracia, ainda não nos inclui como negros e negras”, afirmou.

Gilberto Marangoni falou sobre a democracia na América Latina e em outras regiões, e Lívia Morales apresentou a Unila.

 

Universidade e movimentos

Durante a cerimônia de abertura do Seminário, a diretora do Setor de Educação da UFPR e coordenadora do Laboratório de Cultura Digital, Andrea Caldas, disse que o momento atual é difícil tanto para o Brasil quanto para outros países da América Latina. “Quando estamos juntos com tanta gente querendo discutir um tema que não diz respeito só a sua sobrevivência individual, mas a pensar o mundo, tenho certeza de que estamos muito próximos do caminho de construir um mundo melhor”, afirmou Andrea.

Representando o reitor da UFPR, a pró-reitora de Extensão e Cultura da UFPR, Deise Picanço, destacou o importante papel da Universidade junto aos movimentos sociais, com a promoção de diversos movimentos de defesa da democracia e do Estado de Direito, e na promoção de políticas de integração da América Latina, como o apoio à criação da Unila.

Também participaram da cerimônia de abertura o cônsul-geral do Uruguai em Curitiba, embaixador Joaquín Píriz Jorge, e o vice-diretor da Faculdade de Educação da UFPR, Marcus Levy Bencostta.

A programação do evento contou também com a apresentação da Orquestra Latino-Americana da Universidade Estadual do Paraná (Unespar).

 

Biografia

Mujica foi presidente do Uruguai de 2010 a 2015, e ficou conhecido como o “presidente mais pobre do mundo”, por conta de seu estilo de vida simples. Atualmente ocupa o cargo de senador. Durante o seu governo, foram aprovadas as leis de descriminalização do aborto, do matrimônio igualitário – que também permite a adoção aos casais homossexuais, e a legalização da maconha. Foi preso político por 14 anos durante a ditadura militar uruguaia, nas décadas de 70 e 80. A sua esposa e também senadora, Lucía Topolansky, também esteve presente no evento.

 

Assista ao vídeo completo do evento no site do Laboratório de Cultura Digital: Clique aqui

Veja mais fotos do Seminário no Flickr da UFPR: Clique aqui

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