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I Mostra de Ciências conquista estudantes durante a UFPR: Cursos e Profissões

Depois de esperar por um tempo na fila, é a vez da estudante de 16 anos chegar perto da famosa esfera metalizada que faz arrepiar os cabelos – gerador de Van de Graaff. Apreensiva, mas animada em ver de perto o experimento que já assistira tantas vezes em programas de TV, ela ataca o monitor com perguntas, mais pelo medo que pela curiosidade. “Dói? Pode ficar de anel? Vou levar choque? Não dói mesmo?”. Aos poucos, a própria experiência vai respondendo à garota, a mão espalmada no globo leva vagarosamente os fios da cabeça para o alto e, já mais tranquila, a menina brinca, dando pequenos choques ao encostar o dedo na colega. Muitas risadas depois, o grupo de amigas deixa a vez para os próximos da fila e segue para a “diversão” ao lado, um banquinho e uma roda de bicicleta disputados por diversas pessoas em volta.

Gerador de Van de Graaff foi uma das atrações mais procuradas - FOTO: Marcos Solivan

O momento vivenciado pela aluna do ensino médio, Camila Ehlke, e suas amigas Letícia Lenkiu e Fernanda Alves, todas com 16 anos, ocorreu durante a I Mostra de Ciências da Universidade Federal do Paraná (UFPR), realizada como parte da programação da 12a edição da feira UFPR: Cursos e Profissões.

O que Camila e as amigas experimentaram, quase como um truque mágica, nada mais é que física ao alcance das mãos. O monitor Everton Ribeiro foi um dos responsáveis por explicar às meninas e a milhares de pessoas que passaram pela sala do projeto Fibra – Física Brincando e Aprendendo – um pouco do muito que a ciência está envolvida em nosso dia-a-dia.”É o efeito da eletrização eletrostática. Uma tira de borracha é atritada pela esfera de alumínio, e acontece eletrização por atrito. Um corpo perde elétrons e outro ganha, beleza? Então, a pessoa que está com a mão encostada na esfera também fica eletrizada, e, como cargas de sinais iguais se repelem, essas cargas vão pro cabelo da pessoa, no que a gente chama de poder das pontas, e os fios começam a se arrepiar, em repulsão”.

Simples? Nem tanto. Para conseguir falar sobre a física com tanta naturalidade, Everton estudou por quatro anos até se graduar físico pela UFPR. Foi neste período que ele entrou para o Fibra e foi pegando gosto pelo ensino. O projeto tem o objetivo de demonstrar fenômenos físicos para alunos de ensino médio e fundamental que visitam o Departamento de Física da UFPR. Ao mesmo tempo, a iniciativa proporciona aos universitários a oportunidade de exercício da didática e do treinamento em atividades de Física Experimental direcionadas aos adolescentes. O projeto existe há mais de uma década e por ele passam cerca de 8 mil estudantes por ano.

Estudantes puderam 'experimentar' a física em muitos momentos - FOTO: Ana Assunção

Hoje mestrando em Educação, também pela UFPR, Everton continua no projeto, mas como voluntário. “Foi aqui que tive meus primeiros contatos com os experimentos, com alunos. E, pra mim, o mais gratificante é ver uma pessoa chegar sem saber nada sobre o assunto – até com antipatia pela física, porque é algo realmente muito matematizado nas escolas – e sentir que o desejo de saber mais e descobrir como as coisas acontecem foi despertado. Isso é incomparável”, conta o físico, já com outro experimento nas mãos, cansaço no semblante,  mas com um sorriso insistente acompanhando o brilho nítido nos olhos.

ENTUSIASMO
A paixão pela ciência parece ser condição indispensável para quem exerce a atividade. Na sala ao lado do projeto Fibra, um burburinho mesclado a aromas muito convidativos praticamente carregam os estudantes da Feira para checar o que acontece. É a sala dos experimentos em química. Alunos do Centro Estadual de Educação Profissional de Curitiba, dos colégios estaduais Professor Elysio Vianna e São Paulo Apóstolo, da graduação em Química e do Técnico em Petróleo e Gás se revezam para explicar ao público um pouco do que vêm aprendendo sobre a síntese de biodiesel, o tratamento de resíduos, indicadores de pH e corantes naturais – claro, tudo muito fácil e simples, como a espontaneidade de quem conta uma novidade ao amigo.

Experimentos em química atraíram estudantes e familiares - FOTO: Marcos Solivan

Foi uma dessas falas entusiasmadas que conseguiu prender a atenção de três jovens que por lá passavam. Isabele Domingues, Camila Fernanda e Amanda Santos estão no terceiro ano do ensino médio, mas ainda não se decidiram sobre qual profissão seguir. A única certeza era de que os cursos que coordenavam a sala nunca tinham passado pela cabeça das meninas. Até aquele momento. “Gosto de química, mas nunca tinha imaginado prestar vestibular na área. A monitora explicou tudo tão bem. Pensei em engenharias, medicina, direito, mas química! Quem sabe…”, questionou-se Camila. As colegas ainda se diziam convictas em optar por uma das engenharias ou algo em saúde. Mas tão firmes quanto a própria idade permite ser. Ao ouvir a amiga, o grupo se convence em abrir espaço para a ideia. “Quem sabe…” todas repetem, mais para si que para fechar a conversa.

A empolgação dos jovens cientistas também foi o que conquistou uma família inteira vinda de Campina Grande do Sul (PR). Pai, mãe e o casal de filhos ouviam atentamente as explicações de uma universitária sobre a extração de óleos essenciais. Perguntas iam na mesma intensidade que as respostas voltavam. A concentração do grupo fez com que outras pessoas fossem se aproximando, fazendo uma plateia para a monitora. “Confesso que viemos atraídos pelo cheiro desses óleos. Mas ao ver essas coisinhas borbulhando e mais a conversa bacana da garota, tornando tudo tão simples, contando toda a história do processo, queríamos saber mais e mais”, fala a mãe, Viviane Koroski. A filha de 14 anos diz estar decidida a fazer Direito. Já o irmão, de 18 anos, está para prestar seu primeiro vestibular e ainda não se definiu. “Seja o que for, tem que se dedicar”, aproveita a mãe para reforçar a lição dada ainda em casa.

AO GOSTO DA CIÊNCIA

Tinta a partir do urucum foi deixada à disposição dos visitantes - FOTO: Marcos Solivan

Quando a família deixava a sala dos experimentos em química, agora com novos conhecimentos, outra família entrava, olhos buscando o novo, curiosidade aguçada: assim foram os três dias de Feira e Mostra. Cerca de 70 mil pessoas eram esperadas no espaço de eventos do Setor de Educação Profissional e Tecnológica da UFPR.

Essa movimentação e a diversidade de público foram alguns dos principais motivos para realização da I Mostra de Ciências durante a UFPR: Cursos e Profissões. Um dos idealizadores da Mostra, o professor José Luís Guimarães, do curso Técnico em Petróleo e Gás, explica que não fosse a estrutura proporcionada pela Feira, ainda não seria possível se pensar em uma mostra de ciências.”Esse evento nos deu a oportunidade de levar as ações que desenvolvemos com tanta dedicação ao longo do ano para um número enorme de pessoas. Além do nosso público direto, os adolescentes, ainda estamos chegando a muitos professores do ensino fundamental e médio, mostrando que temos muito a contribuir para suas aulas”.

O projeto de extensão Pensando e Fazendo Ciência, coordenado pela professora Maria Aparecida Biason Gomes, do departamento de Química da UFPR, oferece a chance para que alunos do ensino médio desenvolvam projetos individuais nos laboratórios de química da Universidade, com monitoramento de acadêmicos. Por ano, são orientados cerca de 50 estudantes. Do levantamento bibliográfico, passando pelo roteiro experimental até a execução do projeto, os adolescentes são levados a encarar a química com mais diversão e menos mistério, entendendo sua dimensão para a vida prática de todos.

Jogos fizeram da tabela periódica fonte de diversão - FOTO: Marcos Solivan

Uma das maneiras encontradas para fortalecer o ensinamento das lições mais básicas da disciplina, foi também uma das atividades que mais chamou atenção durante a Feira. A Gincana de Química, idealizada por Guimarães, mobilizou centenas de duplas em mesas dispostas em uma área de circulação próxima ao auditório. Quem passava pelo local facilmente imaginava vários jogos de carteado que poderiam ser os responsáveis pela animação do pessoal. Só não pensavam se tratar da preterida tabela periódica distribuindo risos e rivalidade entre adolescentes. Por meio de partidas de dominó e jogo da memória, os concorrentes tinham que mostrar ser os melhores no conhecimento de símbolos e nomes dos elementos químicos. Os vencedores iam para a final Cátions e Ânions, tendo que eliminar a outra dupla pela montagem correta de fórmulas.

O monitor e aluno do Técnico em Petróleo e Gás, Gustavo Sikora, auxiliava as duplas com a mesma animação. A ciência também parece ter essa característica: pode ser tão fascinante quanto contagiante. “É muito legal ver o pessoal curtindo tanto quanto a gente a química. Ontem um pessoal de Santa Catarina ganhou em segundo lugar e gritaram tanto que parou quem passava por perto. No primeiro dia da Mostra, faltou mesa e sobrou gente, acredita?”.

Acredite! A ciência subiu mesmo na escala de interesse dos estudantes. O planetário montado no centro de eventos – outra atividade integrante da I Mostra – lotou todas as sessões abertas ao público da Feira. De hora em hora, a estrutura abria as portas para 40 pessoas e dava início a apresentações sobre astronomia por meio de simulações do céu noturno. Foram necessárias sessões extras e nem assim todos que queriam puderam participar. Por volta das 15h do segundo dia de evento, os ingressos disponíveis eram só para o domingo.

Projeção do céu noturno lotou todas as sessões do planetário - FOTO: Ana Assunção

Ao longo do ano, o planetário itinerante percorre diversas escolas da rede pública de ensino, mostrando que a astronomia pode ser ainda mais interessante que saber os nomes das constelações. A aluna de Física, Bruna da Costa, e a servidora da UFPR lotada no departamento do curso, Rosemeri Fagundes, estavam na Feira e também acompanham o projeto durante as demais apresentações. Questionadas sobre a experiência, elas resumem o que se estampa no rosto de quem tem a ciência como parte de sua vida. “Isso não é trabalho. É diversão. Cada vez que vemos a reação das pessoas a esse mundo novo que mostramos, é um ganho inigualável”, diz a servidora Rosemeri. “Olhar para o céu e não saber o que está acontecendo é uma perda enorme. Você não precisa ter curso superior para buscar o conhecimento. Basta olhar à sua volta e perguntar ‘Por quê?’. A ciência se encarrega de te explicar”, convida a aluna.

Por Jaqueline Carrara

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