Estudo indica que reflorestamentos de alta performance são o melhor caminho para recuperar áreas desmatadas na Amazônia

01 março, 2021
15:41
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Ciência e Tecnologia

Estudo quer entender entender de uma forma mais global o papel desempenhado pela maior floresta tropical do mundo, tanto na absorção de carbono, quanto na liberação do gás na atmosfera. A fotografia foi feita antes da pandemia. Foto: BIOFIX/UFPR

A equipe, formada por cientistas de diversas áreas do conhecimento e liderada por professor da UFPR, trabalha para determinar a quantidade de carbono que pode ser armazenada em diferentes tipos de floresta na região amazônica: florestas naturais originais, as capoeiras – que são florestas originadas por regeneração depois do desmatamento – e reflorestamentos de até 10 anos de idade. O estudo também realiza a medição em pastagens e em plantios de soja. Os resultados preliminares apontam que os reflorestamentos de alta tecnologia seriam a melhor alternativa para sequestrar o CO2 do ar e recuperar estas áreas.

O objetivo é comparar a estocagem e a dinâmica do carbono em diferentes tipos de solo, conforme explica o professor titular do departamento de Ciências Florestais da Universidade Federal do Paraná, Carlos Sanquetta, líder do grupo. Com os resultados, a expectativa é entender de uma forma mais global o papel desempenhado pela maior floresta tropical do mundo, tanto na absorção de carbono, quanto na liberação do gás na atmosfera, quando ocorre o desmatamento.

Diferencial

Equipes de pesquisadores de várias partes do planeta buscam entender o papel da Floresta Amazônica no combate ao aquecimento global. Entretanto, um dos diferenciais da pesquisa liderada por Sanquetta é que a medição do carbono não é realizada apenas em árvores, mas também em arbustos, no solo e na matéria vegetal em decomposição. Um método que pode aproximar ainda mais os dados da realidade e determinar qual a melhor forma de capturar e armazenar o gás carbônico da atmosfera.

A medição do carbono é realizada em árvores, em arbustos, no solo e na matéria vegetal em decomposição. A fotografia foi feita antes da pandemia. Foto: BIOFIX/UFPR.

Resultados

“As florestas naturais originais detêm os maiores estoques de carbono, mas crescem pouco e a dinâmica de carbono nesse uso do solo é praticamente estável – quase sem promover sequestro de carbono atmosférico. Os reflorestamentos, realizados de forma organizada e com alta tecnologia silvicultural – com boa genética e bom preparo do terreno e condução – crescem muito rápido e sequestram efetivamente altas quantidades de carbono atmosférico. As florestas secundárias se comportam de modo semelhante aos reflorestamentos, mas com menor performance. Usos agropecuários sequestram pouco carbono e podem ser, no balanço de emissões de gases de efeito estufa, negativos, ou seja, emitem mais que sequestram”, resume o professor Sanquetta.

Em outras palavras, os primeiros resultados indicam que os reflorestamentos de alta tecnologia seriam a melhor alternativa para sequestrar o CO2 do ar. “Os nossos resultados servirão para formular políticas públicas de mitigação e adaptação às mudanças climáticas e promover o engajamento da sociedade nessa causa, incluindo organizações do terceiro setor, privado e das pessoas em geral”, afirma Sanquetta.

Expedição

No fim de 2020 Sanquetta liderou uma expedição de pesquisa até Rondônia, em uma área 90 quilômetros distante da capital Porto Velho. Lá pesquisadores, alunos de graduação e pós-graduação da UFPR, da Universidade Federal de Rondônia (UNIR) e pesquisadores do Centro de Estudos Rioterra coletaram amostras vegetais e de solo para o estudo. “O grande diferencial foi usar metodologias e tecnologias inovadoras e holísticas (integradas), envolvendo o nível atômico ao espacial”, finaliza o professor.

A pesquisa deve terminar ainda em 2021, com possibilidade de gerar novos estudos.

A pesquisa usa metodologias e tecnologias inovadoras e integradas, envolvendo do nível atômico ao espacial. A fotografia foi feita antes da pandemia. Foto: BIOFIX/UFPR.

Biofix

O Centro de Excelência em Pesquisas sobre Fixação Carbono na Biomassa (BIOFIX) é o único no Brasil. O BIOFIX se dedica a realizar pesquisas de ponta em nível mundial sobre a aplicação de tecnologias geoespaciais, uso de inteligência artificial e modelagem matemática para projetos de mitigação dos efeitos das mudanças climáticas.

O BIOFIX é coordenado pelo professor Carlos Sanquetta, que é membro do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas. O professor contribuiu com o Protocolo de Quioto e com o Acordo de Paris. Desde 2004 Sanquetta atua como delegado brasileiro na Convenção Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas.

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