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UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARANÁ


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Descoberta sugere que camelos, dromedários e morcegos têm um ancestral comum próximo

Espinha óptica do osso esfenoide em um dromedário
A estrutura em um crânio de dromedário. Descoberta aproxima camelídeos e morcegos. Foto: Marcello Machado

Uma pesquisa do Programa de Pós-Graduação em Ciências Veterinárias (PPGCV) da UFPR detectou e descreveu uma estrutura óssea presente em camelos e dromedários que é muito semelhante a um componente anatômico presente em morcegos. A descoberta reforça a curiosa ideia de que os camelos e dromedários são parentes mais próximos do morcego do que se pensava até então.

Os resultados da pesquisa foram publicados no Italian Journal of Anatomy and Embriology. O componente descrito é uma projeção óssea cilíndrica e delgada, localizada na órbita óssea (a cavidade da face que contém o olho), batizada pelos pesquisadores de “espinha óptica do osso esfenoide”.

A pesquisa tem autoria da médica veterinária Gabrielle Fornazari, aluna de mestrado, do médico veterinário Jeverson Cechinel da Silva, técnico do Museu de Anatomia Veterinária da Universidade do Contestado (MAV-UnC), de Fabiano Montiani-Ferreira e Ivan Roque de Barros Filho, professores do Departamento de Medicina Veterinária (DMV), e de Marcello Machado, professor do Departamento de Anatomia (DANAT).

A mesma equipe havia constatado a presença de estrutura anatômica similar na órbita de morcegos, em 2007. O novo achado deu apoio à tese de que a ordem dos camelos e dromedários (Artiodactyla) e a dos morcegos (Chiroptera) têm um ancestral comum próximo na escala evolutiva.

Até o momento, a posição dos morcegos na árvore da evolução da vida é considerada incompleta. Outras pesquisas internacionais já haviam demonstrado a relação entre os camelídeos e os quirópteros com evidências genômicas, mas ainda não havia qualquer suporte anatômico que sustentasse a ideia.

Fabiano Montiani-Ferreira, orientador de Gabrielle Fornazari, considera a descoberta da equipe, constatada pelo professor Marcello Machado e conduzida pela sua aluna, muito interessante. Ele explica que a observação, somada à descoberta prévia do grupo da mesma estrutura anatômica nos morcegos, fornece apoio científico para o crescente corpo de evidências que sugerem a proximidade evolutiva dessas duas ordens animais. “Uma ideia que, à primeira vista, parece inacreditável, pois os camelídeos e os morcegos apresentam aspectos muito distintos em relação à morfologia, hábitos alimentares e tamanho. Entretanto, a ciência biológica é assim mesmo: o que parece óbvio algumas vezes é falso, e o que parece improvável, muitas vezes é a mais pura verdade”, afirmou Montiani-Ferreira.

O grupo analisou cinco crânios de camelídeos do Velho Mundo – três camelos adultos e dois dromedários adultos. Os ossos dos camelos vieram de coleções do Museu de História Natural Capão da Imbuia e do Zoológico de Curitiba. As duas amostras de crânio de dromedários pertencem ao Museu de Anatomia Veterinária da Universidade do Contestado, em Canoinhas, Santa Catarina.

A função exata da espinha óptica do osso esfenoide continua a ser investigada. Entretanto, a exemplo do que os pesquisadores da UFPR concluíram na pesquisa com morcegos, a estrutura aparenta ter papel fundamental no suporte a músculos extraoculares, nervos e outros elementos retrobulbares.

 

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