Editorial da Gazeta do Povo aborda reivindicações dos profissionais de saúde e as políticas públicas no setor

30 maio, 2012
11:43
Por
0
UFPR
Hospital de Clínicas da UFPR

Hospital de Clínicas da UFPR

O reitor Zaki Akel Sobrinho está em Brasília nesta quarta-feira (30). À tarde, ele participará de uma reunião com os com representantes do Ministério do Planejamento, Sérgio Mendonça e Sérgio Carneiro. Na pauta, os reflexos negativos da MP 568 que afeta a saúde e a educação na UFPR.

Confira o editorial publicado neste dia 30 de maio pelo jornal Gazeta do Povo a respeito da paralisação dos médicos do HC e a situação do Setor de Saúde no Brasil.

“A saúde na UTI

A manifestação do HC, que também vem ocorrendo em outros estados, enseja a oportunidade de uma reflexão sobre as políticas públicas de saúde do país

Imagens de TV e relatos de jornais desta semana deram destaque à paralisação decretada pelos médicos do Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná. O movimento iniciado na segunda-feira e com previsão de se estender até amanhã é uma reação à Medida Provisória nº 568 que reestrutura as carreiras dos servidores públicos federais. No caso dos médicos, os manifestantes alegam que a nova legislação reduzirá os salários da categoria em 50%, além de dobrar a carga horária de 20 horas semanais.

Com efeito, a MP estipula que o médico em início de carreira no serviço público federal ganhe, a partir de julho, a metade do que ganha um anteriormente contratado. Além disso, quem já está na ativa passaria a ter um vencimento base 50% menor, acrescido de uma vantagem correspondente ao restante, que não teria reajustes posteriores. Para completar, os adicionais de periculosidade e insalubridade teriam um valor absoluto fixo, em lugar de corresponderem até 20% do salário. Tal situação está sendo percebida como um claro retrocesso nos esforços para melhorar os níveis do atendimento em saúde do país, uma vez que compromete a carreira dos prestadores de serviços médicos. Como sempre ocorre nesses casos, a população que necessita de assistência médico-hospitalar é a mais impactada, ainda que parte dos profissionais continue atuando para garantir atendimento nos casos de urgência.

A manifestação no HC, que também vem ocorrendo em outros estados pelo mesmo motivo, enseja a oportunidade de uma reflexão mais aguda em torno das políticas públicas de saúde do país. Hospitais lotados, falta de leitos em UTIs, espera de meses para uma consulta e pessoas que chegam a morrer nas filas e corredores de prontos-socorros desnudam com crueza e dramaticidade a realidade do setor no Brasil. E nesse caso, tanto os pacientes como os profissionais que têm a missão de zelar pela assistência são vítimas de um sistema que beira a falência. Se o acesso aos serviços médicos é um direito inquestionável, ele esbarra na estrutura precária existente, sabidamente incapaz de suportar a demanda.

A implantação do Sistema Único de Saúde (SUS) em 1988, saudado como um modelo capaz de garantir acesso aos serviços médicos tem a sua eficiência comprometida pela crônica falta de recursos. Sabidamente, os investimentos oficiais estão aquém das necessidades, ficando muito abaixo, por exemplo, do que é investido pelo Canadá, Alemanha e países escandinavos, que mantêm sistemas médicos de cunho público eficientes. Em 2010, o Brasil gastou com saúde pública 4% do PIB, o que equivale a R$127 bilhões, número expressivo, mas insuficiente. Na avaliação de especialistas, seria necessário investir mais R$83 bilhões. Com esse acréscimo de recursos, o Brasil então poderia se aproximar do rol daqueles países que reconhecidamente possuem sistemas que funcionam a contento.

Diante do cenário, é preciso que a saúde pública brasileira passe por um choque de gestão que permita vislumbrar um novo horizonte. Sem que isso ocorra vai se continuar malhando em ferro frio, persistindo a retórica oficial de providências quase sempre insuficientes ou que ficam apenas nas promessas. Nessa conjuntura cruel, tanto quem necessita de atendimento médico quanto aqueles que devem responder por isso são vítimas de um sistema que há tempos está fazendo água.

A mobilização que a classe médica está fazendo em todo país para a derrubada da MP 568 também vai ecoar no Congresso, onde uma comissão mista foi instalada para examinar a matéria. Portanto, também cabe aos parlamentares a responsabilidade de buscar, através do entendimento, caminhos que levem à solução do impasse. Para o bem de pacientes e médicos.”

 

Sugestões

14 agosto, 2023

Desenvolvido na UFPR por parceria internacional, magneto molecular Dy(pn)Cl pode ajudar a investigar o ambiente químico em torno […]

10 agosto, 2023

No último dia 03, aconteceu a posse da nova Direção do Setor Palotina, Gestão 2023 – 2027, com […]

09 agosto, 2023

O projeto de extensão “Pré-Vestibular Comunitário”, do setor Palotina da Universidade Federal do Paraná (UFPR), está com inscrições […]

07 agosto, 2023

A série “Cientistas do Brasil” é uma produção que mostra a ciência produzida por pesquisadores das Instituições Federais […]