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COUN aprova, por unanimidade, parecer que cria Museu do Percurso e soluciona impasse sobre busto do ex-reitor Flavio de Lacerda  

O Conselho Universitário (COUN) da UFPR fez história nesta quinta-feira (25). Aprovou, por unanimidade, parecer elaborado pela professora-doutora Vera Karam de Chueiri (integrante da Comissão Estadual da Verdade e diretora do Setor de Ciências Jurídicas)  que propõe a criação do Museu do Percurso e soluciona, por meio de consenso construído pela Reitoria da UFPR, o impasse sobre o busto do ex-reitor Flavio Suplicy de Lacerda. A decisão encerra, pela democracia e pelo diálogo, uma polêmica que persistia há três anos e que dividiu a comunidade acadêmica da Universidade mais antiga do Brasil.

O Museu do Percurso funcionará em espaços da UFPR e terá quatro marcos. O primeiro será o Edifício José Munhoz de Mello (a antiga sede da Polícia Federal, na Rua Ubaldino do Amaral, marcada por atos duros de repressão do regime militar). O segundo será o busto do professor Flavio Suplicy de Lacerda (que será recolocado no seu lugar original, em frente ao prédio da Reitoria).

O terceiro será o Edifício D. Pedro II (ao lado do prédio da Reitoria), onde será instalado um marco lembrando o histórico cerco promovido pelos estudantes em protesto contra a ditadura, em 1968. E o quarto será a construção de um busto homenageando o advogado e ex-professor da Universidade José Rodrigues Vieira Netto (cassado pela ditadura militar em 1964), que será instalado na Praça Santos Andrade ou no prédio histórico da UFPR. Historiadores da UFPR vão compor um QR CODE ou link específico para ser acessado pela comunidade, onde constarão informações sobre cada um dos marcos do Museu do Percurso.

Dia especial para a UFPR

O reitor Ricardo Marcelo Fonseca disse que a decisão tomada hoje pelo COUN marca um dia especial na história da UFPR. “Foi uma construção da Reitoria, junto com vários atores, de uma solução de consenso que resultou de muito diálogo. A partir desta articulação e desta construção de consenso, aprovou-se que a memória do professor Flavio Suplicy de Lacerda não virasse uma disputa entre polos extremados, mas fosse colocada em uma moldura mais ampla, que diz respeito ao compromisso da UFPR com o resgate do seu passado e com sua memória, na sua integralidade”.

Os atores aos quais o reitor se referiu são, além da professora Vera Karam de Chueiri, os integrantes da Comissão da Verdade e os professores Amadeu Bona Filho e Tibiriça Krüger Moreira (que apresentaram pareceres sobre o tema e, hoje, concordaram com a proposta sugerida pela professora Vera Chueiri). Na avaliação do reitor, a decisão confirma o compromisso da UFPR com sua história e seu passado. “A UFPR não pode e não deve apagar seu passado. A decisão de hoje demonstra sua maturidade, dentro da pluralidade, de alcançar o consenso e a unidade”, avaliou Ricardo Marcelo Fonseca.

O parecer

A sessão do COUN foi longa e marcada por um amplo debate. Com as presenças de praticamente todos os seus integrantes, além de um membro da Comissão Estadual da Verdade convidado para a sessão (o advogado Daniel Godoy), o Conselho decidiu aprovar o parecer apresentado pela professora Vera Chueiri por unanimidade, encerrando uma polêmica retomada em 2014, mas que surgiu há quase quarenta anos.

O eixo da polêmica foi a permanência na UFPR do busto do ex-reitor e ex-professor Flavio Suplicy de Lacerda – peça de bronze construída em 1958 e instalada em um pedestal de granito montado no complexo da Reitoria, por iniciativa da Faculdade de Filosofia, em homenagem à construção da sede da então Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras.

Em 15 maio de 1968, o busto foi derrubado pelo movimento estudantil, em sinal de resistência às medidas excepcionais que o governo militar vinha tomando. A peça foi recolocada anos depois, mas voltou a ser derrubada em 1º de abril de 2014, em um ato simbólico definido como “descomemoração” do golpe civil-militar de 1964. A permanência da peça foi objeto de amplas discussões no Conselho Universitário e envolveu, ainda, a Comissão da Verdade, que assumiu compromisso de tomar posição a respeito do tema.

Resgate histórico

Uma das posições sugeridas pelo documento foi que o busto é um “monumento histórico que retrata um importante período” da UFPR. “Neste sentido, história e memória estão enredadas neste episódio do busto do ex-reitor Flávio Suplicy de Lacerda e, por isso, esse tempo dado à discussão da sua recolocação é próprio do exercício que se deve fazer em respeito à história e à memória (e não poderia ser diferente) quando o evento em questão diz respeito à Universidade Federal do Paraná”, diz o texto do parecer.

O documento prossegue: “Entretanto, história e memória também são categorias em disputa. E é sobre a referida disputa a ser acessada pelas futuras gerações que o busto do ex-reitor, professor Flavio Suplicy de Lacerda, ou o contexto sócio político da época, trata. É, ainda, sobre a responsabilidade de tomar a história pela sua fratura, de forma que a suspensão e a imprevisibilidade dos acontecimentos qualifiquem o presente e, nessa dobra, o passado se torne acessível e se possa fazer alguma coisa com ele. É preciso passar a limpo a História, escová-la a contrapelo, como afirma Walter Benjamin, para que os fatos não sejam contados ou registrados somente pelos vencedores, mas por todos os atores sociais”.

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