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UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARANÁ


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Conselho Universitário da UFPR aprova, por 30 votos a 9, gestão compartilhada do Hospital de Clínicas com a Ebserh

Os conselheiros aprovaram a proposta de gestão compartilhada com a Ebserh por maioria absoluta de votos. Foto: ACS da UFPR.

Por 30 votos a nove, os integrantes do Conselho Universitário da UFPR (Universidade Federal do Paraná) aprovaram no dia 28/08, em Curitiba, a proposta de gestão compartilhada do Hospital de Clínicas e da Maternidade Victor Ferreira do Amaral com a Ebserh – empresa pública criada pelo Governo Federal para gerir os hospitais universitários brasileiros.

A reunião aconteceu apesar do uso da violência e da coação por parte de manifestantes contrários à proposta, que impediram aOK entrada de parte dos 63 conselheiros no prédio da Reitoria da UFPR. Eles também desrespeitaram decisão do juiz da 11.ª Vara Federal, Flavio Antônio da Cruz, favorável ao interdito proibitório ingressado pela Procuradora Federal do Paraná para garantir a sessão.

Cruz estabeleceu ainda a aplicação de multa de R$ 10 mil ao Sinditest (Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Terceiro Grau Público de Curitiba) por conselheiro impedido de ingressar no local e de R$ 100 mil de multa caso a reunião não fosse realizada por impedimento do sindicato. O juiz requisitou força policial para garantir a votação, proporcionada pelo Batalhão de Operações Especiais da Polícia Militar e da Polícia Federal. Depois da votação, os manifestantes tentaram invadir a Reitoria, mas foram impedidos pela polícia. Nas duas sessões anteriores do Coun, manifestantes também impediram o acesso de conselheiros aos locais de votação.

Os vidros de uma das portas laterais da Reitoria foram quebrados. Foto: Marcos Solivan/ACS da UFPR.

Devido ao uso da coação e da violência pelos manifestantes (um estudante foi detido pela polícia por agredir um conselheiro), que cortaram a energia elétrica da Reitoria para impedir a votação e usaram mesas, cadeiras e canos de ferro para bloquear o acesso de veículos em três ruas laterais ao prédio – Amintas de Barros, Dr. Faivre e General Carneiro – o reitor da UFPR, Zaki Akel Sobrinho, foi obrigado a realizar a votação em dois locais da Universidade.

Os manifestantes bloquearam as ruas próximas à Reitoria e prejudicaram o trânsito na região. Foto: Karina Braga/UFPR.

O corte da energia também bloqueou a transmissão ao vivo pelo site da UFPR, pelo Canal Universitário UFPR-TV e ainda pelos dois monitores instalados no pátio da Reitoria. A reunião do Conselho foi acompanhada por uma comissão especial de observadores, integrada por um representante da Ordem dos Advogados do Brasil, que viu de perto todas as dificuldades enfrentadas pela Reitoria e pelo Conselho Universitário para a realização da reunião.

Reitor condena violência

O reitor da UFPR, Zaki Akel Sobrinho, lamentou o uso da violência pelos manifestantes – entre eles, representantes do Sinditest, DCE (Diretório Central de Estudantes) e APUFR (Associação dos Professores da Universidade Federal do Paraná) – e o desrespeito à decisão judicial. Ele pediu que as forças policiais destacadas pela Justiça para garantir a votação não entrassem em confronto com os manifestantes.

“Infelizmente, adversários da proposta recorreram ao uso da força e desrespeitaram a Justiça e o Conselho Universitário, que tem plena legitimidade e representação da sociedade, dos alunos, professores e servidores. A violência e o quebra-quebra que um grupo de manifestantes promoveram hoje foi uma agressão não apenas à UFPR , à autonomia universitária e aos conselheiros, mas a todo o povo do Paraná, que precisa e quer que o HC continue atendendo à população do Estado 100% pelo SUS e sendo o maior hospital público do Paraná”, comentou.

HC continuará público e gratuito

Antes e durante a reunião, o grupo impediu a entrada de conselheiros na Reitoria e em vários edifícios da UFPR vizinhos ao local da votação. Foto: Marcos Solivan/ACS da UFPR.

Zaki Akel reiterou que o Hospital de Clínicas continuará sendo 100% público e gratuito. Ele esclareceu que, ao contrário do que afirmaram os manifestantes, não haverá nenhuma privatização do HC e da Maternidade Victor Ferreira do Amaral. O reitor disse que não havia outro caminho a seguir a não ser a aprovação da proposta de gestão compartilhada com o Ebserh. Ele fez várias tentativas de contratar os servidores pela CLT (estatutários), mas os pedidos foram negados.

Para o reitor, o tema foi debatido à exaustão, da forma mais ampla e democrática possível, o que torna desnecessário o plebiscito proposto pelos adversários da proposta de cogestão. Nos dois últimos anos, a Reitoria promoveu reuniões comunitárias, uma sessão não deliberativa do Conselho Universitário e debates em quatorze setores da UFPR; apenas um rejeitou a proposta. Além disso, o assunto foi discutido pelas organizações de representação dos alunos (DCE e centros acadêmicos), servidores (Sinditest) e docentes (APUFPR). A adesão à Ebserh também já foi debatida e aprovada pelos estudantes de Medicina e pelo Conselho de Administração do HC.

Decisão beneficia população

De acordo com o diretor-geral do Hospital de Clínicas, Flávio Tomasich, a aprovação da proposta será positiva para o HC e significará a contratação de 2.063 servidores por concurso público, que ampliarão o número de leitos de 250 para 670, a retomada de serviços médicos que haviam sido suspensos (entre eles, os transplantes de coração e de rim) e o aumento do número de consultas de três mil para oito mil, de cirurgias de 540 para 1,5 mil e de internamentos de 1,3 mil para 2,5 mil. Tomasich tranquilizou a população dizendo que, apesar dos incidentes de hoje, o HC está funcionando normalmente.

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