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Após desocupação, Reitoria da UFPR libera pagamentos e apura prejuízos. Invasores serão responsabilizados

 

Porta quebrada em sala anexa ao gabinete da Reitoria. Imagem: Ana Assunção.
Porta quebrada pelos invasores em sala anexa ao gabinete da Reitoria. Imagem: Ana Assunção.

A Reitoria da Universidade Federal do Paraná retomou hoje (dia 17), logo após a desocupação do prédio por invasores, os pagamentos a bolsistas, colaboradores terceirizados e fornecedores. Em entrevista coletiva à imprensa, o reitor Zaki Akel Sobrinho informou também que a UFPR iniciou levantamento para apurar os prejuízos causados pelos 17 dias da ocupação e anunciou: os autores da invasão e seus apoiadores serão responsabilizados pelos danos que causaram.

“Nós repudiamos duramente a invasão, que foi extemporânea, inaceitável, antidemocrática, intempestiva, truculenta e de estímulo à violência – uma das piores que tivemos na história da UFPR. Nela, milhares de pessoas foram prejudicadas e nossos colaboradores foram vítimas de cenas de selvageria e de terrorismo cometidas por mascarados que não têm amor pela nossa Universidade”, criticou o reitor.

A desocupação da Reitoria ocorreu após audiência de conciliação promovida pelo juiz substituto da 4ª Vara Federal de Curitiba,  Augusto Cézar Pansini Gonçalves. Zaki Akel Sobrinho também pediu hoje a reintegração de posse do restaurante universitário central, ocupado há cerca de três meses pela diretoria do Sindicato dos Trabalhadores em Educação das Instituições Federais de Ensino Superior no Paraná (Sinditest) e aguarda despacho da Justiça, que deve acontecer nas próximas horas.

Responsáveis serão punidos

Gavetas foram arrebentadas e remexidas pelos invasores. Imagem: Marcos Solivan.
Gavetas foram arrebentadas e remexidas pelos invasores. Imagem: Marcos Solivan.

Zaki Akel Sobrinho responsabilizou, além dos invasores, diretores do Sinditest e da Associação dos Professores da UFPR (APUFPR), que apoiaram a ocupação e chegaram a fazer assembleia conjunta no prédio invadido. “Não podemos admitir a anarquia e nem o vandalismo cometidos por mascarados, que sitiaram e agrediram pessoas dentro da UFPR, que é mantida com dinheiro público e o sacrifício do povo brasileiro”, afirmou o reitor, que lembrou o esforço da administração para resolver o problema por meio das notificações enviadas aos responsáveis pela ocupação.

O reitor lembrou que o Estatuto e o Regimento da Universidade possibilitam punições em situações como essa e disse que possui farta documentação comprovando o envolvimento dos responsáveis pela invasão. “Os responsáveis pela invasão serão punidos. Estamos apurando quem são e abriremos sindicância contra essas pessoas, sejam alunos, funcionários ou professores. Eles terão amplo direito de defesa e serão tratados sem revanchismo, mas tudo dentro das normas do Estatuto e do Regimento da Universidade”.

As possíveis punições previstas regimentalmente incluem desde advertência até suspensão e expulsão de servidores e alunos. O processo deve ser concluído dentro de 60 a 90 dias. Zaki isentou o DCE de culpa pelo problema. “Eles se posicionaram publicamente contra a invasão”, disse. Além disso, o reitor afirmou que os alunos tiveram cerceado seu direito de participar das reuniões com os invasores, fato ocorrido e documentado pelos acadêmicos de Medicina.

O vice-reitor da UFPR, Rogério Mulinari, avaliou que a invasão ficará marcada como um “momento de desatino de grupos radicais” na história da UFPR. “Esses mascarados, vários deles alheios à UFPR, aterrorizaram colaboradores da Universidade, que foram sitiados”, disse ele, que ocupava a função de reitor em exercício no momento da invasão e também teve que se retirar do prédio. “Nossa preocupação nunca foram os prédios, mas as pessoas, alunos, professores, colaboradores e inclusive estrangeiros, que dependem da Universidade”.

Reposição de aulas

A pró-reitora de Graduação em exercício, Maria Lúcia Accioly Teixeira Pinto, explicou que elaborou proposta de um calendário de reposição de aulas para os casos de adesão à greve, que não foi geral, mas pontual a não ser em alguns setores. A proposta será submetida à avaliação dos integrantes do Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão (Cepe) na reunião do próximo dia 25. “A greve foi pontual e heterogênea. Agora, vamos garantir que a reposição seja feita com qualidade, sem prejuízo dos alunos”. Nos campus de Curitiba, as aulas voltaram no dia 16 e nos campi do Interior e Litoral do Estado as aulas retornam dia 21.

 

Sem pagamentos, servidores pagam multas e bolsistas passam fome

Zaki Akel Sobrinho explicou que a perícia técnica da UFPR está fazendo levantamento dos danos causados ao imóvel invadido (que será concluído em 30 dias) e já constatou estragos em equipamentos de informática, fechaduras de portas e armários que foram arrombados, além de mesas e vidros quebrados. A UFPR também acumula prejuízos porque terá que pagar multas por atrasos em pagamentos e perdeu prazos processuais que teria que cumprir com a Justiça.

Mas esse não foi o maior problema, segundo o reitor. Além de um colaborador da segurança ter sido agredido e de ter havido atos de violência na ocupação dos prédios vizinhos à Reitoria (os Edifícios D. Pedro I e II), a UFPR foi impossibilitada de fazer pagamentos de qualquer natureza. Com isso, milhares de colaboradores (parte deles da limpeza e conservação) ficaram sem salários, o que os obrigou a pagar multas por atrasos em quitação de débitos.

Além disso, 2.374 alunos não receberam suas bolsas-permanência. Como muitos deles estão em situação de fragilidade econômica, estas pessoas chegaram a passar fome e tiveram que contar com a colaboração de amigos para se manter durante a invasão. “Peço perdão a todas essas pessoas mas, infelizmente, não pudemos fazer os pagamentos por causa destes invasores”, disse o reitor.

Invasão impediu pagamentos

O pró-reitor de Administração, Edelvino Razzolini Filho, explicou que as operações necessárias para fazer os pagamentos exigem procedimentos técnicos e de segurança junto às instituições bancárias (inclusive o uso de assinaturas digitais), que só podiam ser feitos com o uso dos equipamentos que estavam na Reitoria. Ele afirmou que o problema se tornou mais grave exatamente porque a invasão ocorreu no dia em que a UFPR deveria liberar os recursos para que os salários e bolsas fossem pagos até o 5º dia útil de setembro – no caso, 9 de setembro, devido ao feriado do dia 7. “Não tivemos tempo de preparar tudo para o pagamento antes da invasão”, disse.

O vice-reitor, Rogério Mulinari, lembrou que os colaboradores foram pegos de surpresa pela invasão e negou que seja verdade a informação de que os funcionários poderiam entrar no prédio para fazer os pagamentos. “Seríamos loucos se deixássemos colaboradores entrarem em um prédio com mascarados violentos, correndo o risco de que pessoas inocentes fossem vítimas de agressões ou mesmo transformadas em reféns”, comentou. Participaram ainda da coletiva a pró-reitora de Assuntos Estudantis, Rita de Cássia Lopes; e o chefe de Gabinete da Reitoria, Felippe Bufara Antunes.

 

Reitoria cumpre acordo e retoma diálogo, após desocupação

Reunião da Reitoria com o comando de greve, ontem: cumprimento de compromisso. Imagem: Ana Assunção.
Reunião da Reitoria com o comando de greve, hoje: cumprimento de compromisso. Imagem: Ana Assunção.

A Reitoria da UFPR cumpriu o compromisso de retomar o diálogo com o comando de greve assim que o prédio fosse desocupado. A primeira reunião da retomada das negociações foi hoje, às 16h, no prédio histórico da Praça Santos Andrade, com a presença da diretoria do Diretório Central dos Estudantes (DCE).

A última reunião havia ocorrido justamente no dia em que o imóvel foi invadido, em 31 de agosto, e também foi promovida no prédio histórico. Rejeitando o debate, porém, os invasores ocuparam a Reitoria. Diante do radicalismo do grupo, a administração da Universidade suspendeu as negociações e informou que só iria retomá-las após a liberação do prédio.

Invasão sem justificativa

O reitor afirmou que não havia nenhuma justificativa para a invasão porque a administração da Universidade sempre dialogou com as três categorias: servidores técnicos-administrativos e docentes e ainda os alunos, inclusive no dia da invasão (veja a cronologia dos fatos, abaixo). “Nós sempre procuramos ter respeito por todos e sempre procuramos dialogar desde o início da nossa gestão”, disse Zaki Akel Sobrinho. Ele lembrou que a conquista do café da manhã no RU central, por exemplo, foi uma reivindicação de greve anterior e produto desse diálogo, além de vários outros benefícios.

O pró-reitor de Administração, Edelvino Razzolini Filho, disse que o diálogo sempre existiu, apesar de o comando de greve ter apresentado algumas pautas difíceis de serem atendidas, como a abertura de creches para todos os alunos e servidores. A pró-reitora de Assuntos Estudantis, Rita de Cássia Lopes, lembrou ainda que muitas dessas reivindicações já estão sendo atendidas, como o pagamento de auxílio-creche e dos demais incentivos dos programas de assistência aos estudantes com fragilidade econômica (Probem), como o auxílio permanência e o auxílio-moradia. Lembrou ainda, que alguns alunos estrangeiros que estão na UFPR também tiveram dificuldades financeiras e administrativas, em função da invasão do prédio da Reitoria.

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